quinta-feira, 9 de abril de 2015

Plano Petros BD – Equilíbrio Técnico – parte 2



Plano Petros BD – Equilíbrio Técnico – parte 2
Um texto de Ronaldo Tedesco e Silvio Sinedino*

Prezados participantes da Petros,
 1.                 Em complemento a análise da situação da Petros iniciada no texto anterior, que abordou a situação conjuntural da economia mundial e a brasileira, segue uma análise sobre a carteira de investimentos da Petros e a carteira de crédito privado, em particular.

A carteira de investimentos da Petros
2.                 Elementos adicionais deste processo, muito importantes e que têm impactos neste déficit técnico acumulado são o portfólio de investimentos da Petros hoje, sua carteira de crédito privado, os diversos investimentos problemáticos que temos acompanhado e, infelizmente, também as denúncias do processo de investigação da Operação Lava Jato, na Petrobrás, que se estendem à Petros.
3.                 O plano Petros BD já é considerado tecnicamente um plano maduro, visto que além de ser um plano fechado para novos participantes, a maioria destes está na fase assistida. Há uma tendência de uma necessidade cada vez maior de liquidez do Plano. Obviamente isto não é uma situação imediata. O fluxo de caixa do plano está adequado neste momento e deve permanecer assim pelos próximos 20 anos, segundo as análises de ALM (casamento entre o ativo e o passivo) realizadas pela Petros. Neste sentido, o próprio déficit existente hoje se coloca, na verdade, para uma perspectiva de 30 anos. Em outras palavras, não haverá falta de liquidez para o pagamento de benefícios neste período.
4.                 A questão do portfólio de investimentos da Petros é uma questão que os participantes e assistidos da Petros têm enfrentado através das ações dos conselheiros eleitos por indicação do CDPP – Comitê em Defesa dos Participantes da Petros.
5.                 A maturidade do plano coloca uma necessidade de rever a estratégia de investimentos da Petros. Importante notar que esta necessidade se impõe também para um plano jovem como o plano Petros 2, pelos motivos contrários. Ou seja, a adequação dos investimentos é uma necessidade permanente que a Petros precisa enfrentar cotidianamente.
6.                 Nós, conselheiros eleitos, temos batalhado tanto no conselho deliberativo como no conselho fiscal para que a Petros efetue esta adequação do portfólio de investimentos de seus planos de benefício. É comum ouvirmos os jovens funcionários da Petrobrás reclamando da carteira conservadora do plano Petros 2. Da mesma maneira, é preciso que os participantes do plano Petros BD tenham a consciência de que uma carteira mais conservadora é mais adequada ao seu plano.
7.                 Além desta adequação, há a necessidade de uma revisão dos investimentos que a Petros vem fazendo ao longo dos anos. No Relatório de Atividades de Dezembro de 2014, temos as justificativas apresentadas pela Petros ao desempenho de nossa carteira de ações em participações. Observem nas páginas 25 e 26 que os ativos All América Latina ON e Carteira Ativa III (Vale) refletem o preço do minério no médio e longo prazo e a crise conjuntural. Braskem ON, Contax UNT, Litel ON e PN, Log-in ON, Marcopolo PN, Norte Energia ON, Petrobras ON e PN, Romi ON, Vanguarda ON, todas refletem o momento conjuntural, repercutindo bastante a crise da Petrobrás e a baixa no mercado acionário. Como uma ou outra variável reflete da mesma maneira o que expusemos anteriormente: a enorme crise econômica tem efeitos importantes nos ativos da Petros, bem como dos demais fundos de pensão - e comprometem decisivamente os seus resultados.
8.                 Os resultados dos investimentos da Petros estiveram, portanto, abaixo das expectativas e não atingiram a meta atuarial do plano Petros BD, conforme podemos verificar no quadro abaixo:









9.                 Estes investimentos podem ser melhor ser observados por segmento, conforme o quadro abaixo:


10.             Outro aspecto importante a ser observado são os títulos públicos marcados a mercado, que sofrem variação com o mercado e são abalados mais fortemente quando o Governo utiliza o expediente de controle inflacionário através do aumento da taxa SELIC.

A carteira de crédito privado
11.             A carteira de crédito privado representa cerca de 2% dos investimentos do plano, que significam em torno de R$ 1,4 Bilhão. Quando falamos em Petros, os valores são sempre bastante grandes em relação a outros fundos de pensão. É, portanto, significativo que 90% desta carteira de crédito privado esteja provisionada para perdas.  De um total de R$ 801.959 milhões, temos em Dezembro de 2014 R$ 730.608 milhões provisionados.
12.             Este fracasso na carteira de crédito privado chama a atenção não somente pelo resultado negativo, mas pela insistência da Petros em realizar alguns tipos de operações que o Conselho Fiscal da Entidade vem seguidamente alertando para o alto risco, recomendando a adoção de garantias mais firmes, apontando para o risco de contraparte, inclusive credores e gestores cujos cadastros junto a Petros insistimos para que seja feito e atualizado permanentemente para que a Entidade possa evitar riscos demasiados e desnecessários. Falamos em CCBs, CCCBs, Debêntures conversíveis etc.
13.             Junto a isto, temos os fundos de investimentos cujos gestores são terceirizados. A apresentação da composição desta carteira ao Conselho Fiscal no mês de março de 2015 comprovou o que já esperávamos: a maioria destes ativos envolviam CCBs e CCCBs, novamente.
14.             O Conselho Fiscal tem sido insistente nesta orientação aos gestores da Petros, sendo que enviamos diversas consultas e denúncias à Previc que tem sido, portanto, informada destes desvios e não-conformidades.
15.             Esta situação da carteira de crédito privado enseja mudanças importantes que julgamos imprescindíveis de serem tomadas na Petros em relação à diretoria de Investimentos. São decisões estratégicas que envolvem, em nossa opinião, inclusive, a patrocinadora do plano, a Petrobrás.
16.             A pedido dos Conselheiros Deliberativos eleitos por indicação do CDPP foi realizada um auditoria independente dos 70 (setenta) ativos de títulos privados com provisões de perdas. O objetivo é entender porque resultaram em perdas, que garantias foram apresentadas e por último, mas não menos importante, quem trouxe esses investimentos à Petros. Os resultados preliminares já apresentados mostram vários problemas em relação a documentos legais, garantias insuficientes e outros problemas que serão amplamente divulgados ao fim do trabalho que possibilitará à Petros aperfeiçoar sua governança nessa área.
17.             A Petros hoje não possui mecanismos de controles internos suficientes e eficientes para evitar estas perdas. No levantamento de necessidades de controles internos da Entidade, tampouco os responsáveis do setor foram capazes de apontar as ineficiências de controles a serem supridas. Os gestores de investimentos da Petros ou não sabem dizer quais são os controles necessários ou não querem ter estes controles.
18.             Um dos elementos que nos preocupa é a rotatividade de funcionários na gerência de investimentos. Pela nossa percepção, a Petros acaba sendo uma “escola” e, assim que o profissional adquire uma expertise busca outros horizontes fora da Entidade.
19.             Para este problema, nossa opinião é que a patrocinadora Petrobrás deveria ceder profissionais de investimentos para a Petros, mantendo estes profissionais em sua folha de pagamento para que possa reter uma equipe com alguma possibilidade de que os profissionais não saiam para o mercado.
20.             No próximo texto, vamos abordar a questão das provisões matemáticas e as providências que estamos tomando, os conselheiros eleitos da Petros sobre os diferentes desafios colocados.

* Ronaldo Tedesco é conselheiro fiscal da Petros e Silvio Sinedino é conselheiro deliberativo da Petros, eleitos pelos trabalhadores para a gestão 2013/2017. São também diretores da AEPET – Associação dos Engenheiros da Petrobrás. Ambos são conselheiros certificados pelo ICSS – Instituto de Certificação dos Profissionais de Seguridade Social.


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