quinta-feira, 14 de novembro de 2019

CONSIDERAÇÕES SOBRE A CISÃO DOS PRÉ-70


Prezados participantes e assistidos da Petros,
No último dia 13 de novembro conseguimos uma importante vitória na Petros. Foi aprovada pelo Conselho Deliberativo da Fundação a proposta de Cisão dos grupos Pré-70 e Não Pré- 70 (ou Pós-70) nos planos PPSP-NR e PPSP-R (Plano Petros do Sistema Petrobrás - Não Repactuados e Plano Petros do Sistema Petrobrás - Repactuados).
Essa medida trará, a partir da aprovação pela Petrobrás, SEST (Secretaria de Controle de Estatais) e PREVIC (Superintendência Nacional de Previdência Complementar), a entrada de recursos financeiros da ordem de R$ 3,6 bilhões para os grupos Não Pré-70 de ambos os planos (PPSP-R e NR), sem quaisquer prejuízos para os Pré-70.

A ORIGEM DA CISÃO DOS PRÉ-70: MUDANÇA DA METODOLOGIA ADOTADA
Essa mudança ocorreu devido a nova metodologia adotada para o estabelecimento da segregação patrimonial do grupo Pré-70. A Petros, até agora, utilizava para determinar o chamado “Patrimônio Disponível” dos Pré-70 o constante do Termo de Compromisso Financeiro Pré-70 (TCF Pré-70).
O TCF determinava que o patrimônio disponível seria constituído pelos títulos públicos aportados pela Petrobrás no PPSP, somando-se às contribuições vertidas ao plano por esse grupamento e pela Patrocinadora, menos os valores dispensados com o pagamento de benefícios dos Pré-70. Essa metodologia adotada no TCF contrariava o Termo de Transação Judicial (TTJ), derivado do Acordo de Obrigações Recíprocas (AOR), assinado entre a Petrobrás e Sindicatos em 2006.
Com isso, por ocasião do Plano de Equacionamento do PPSP (PED 2015), observamos um comportamento estranho da dívida, que aumentava em torno de 3% apenas, apesar de um déficit técnico da ordem de 30% no plano.
Essa situação, em nossa opinião, fazia com que os Pós-70 fossem responsabilizados por parte das responsabilidades dos Pré-70. Especificamente no PED, o valor destinado aos Pós-70 ficou em torno de R$ 3,6 bilhões a mais, segundo as atuais contas da Petros.
Com a Cisão entre Pré-70 e Não Pré-70, estabeleceu-se uma nova metodologia de cálculo do patrimônio dos Pré-70, agora em convergência com o TTJ, considerando a “cota-parte” do plano. Isso significa que não haveria qualquer ativo “pré-carimbado” para os Pré-70, mas sim que o patrimônio seria constituído por todos os ativos, proporcionalmente às provisões matemáticas de cada um dos grupos (Pré-70 e Não Pré-70).

O COMPROMISSO COM OS PRÉ-70 PARA ALÉM DE 2028
Além de colocar R$ 3,6 bilhões no PPSP (NR e R), a Cisão permitiu ainda que se definisse de forma mais clara o compromisso da Petrobrás com os Pré-70. Isso por que, segundo a Petrobrás, esse compromisso teria término em 2028, com o fim da vigência do AOR, TTJ e TCF.
Questionamos essa definição por que entendemos que, eventualmente, algum passivo poderia ter impacto no patrimônio sobre os Pré-70, e com o fim do compromisso, a Petrobrás não conseguiria ter o plano equilibrado, como seria o pressuposto do AOR.
O Termo Aditivo ao TCF define agora que todos os passivos até a data do fim do TCF, em 2028, ficarão sob a responsabilidade da Petrobrás depois daquela data.

VIABILIZAR O NOVO PED 2015-2018 SEM PREJUÍZOS
Por último, e não menos importante, a proposta de PED 2015-2018 feita pela Petros, em contraponto ao PED 2015 que estamos pagando, vai ter que incluir, infelizmente a redução de dois direitos a conceder para permitir a diminuição dos compromissos futuros do plano: (1) a taxa de 30% sobre o abono (13º) e (2) a redução do pecúlio atual para dois salários de participação (para os ativos) ou duas vezes a renda global (para os assistidos).
Se os Pré-70 permanecessem no mesmo plano, essas medidas seriam aplicadas também a eles, sem necessidade. Com a Cisão dos Pré-70, a medida não os atingirá.

FOLEGO RENOVADO PARA AS BATALHAS DECISIVAS
Essa luta para os Pós-70 pararem de pagar por parte dos compromissos da Petrobrás com os Pré-70 durou mais de dois anos, desde os estudos que realizamos por ocasião da aprovação do PED 2015 e construção da unidade entre todas as entidades para enfrentar o problema do PED 2015.
Conquistamos essa vitória  somente graças à essa unidade de todas as entidades ligadas à Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), Federação Nacional das Associações de Aposentados, Pensionistas e Anistiados do Sistema Petros e Petrobrás (FENASPE) e Federação Única dos Petroleiros (FUP).
Essa unidade entre FNP/FENASPE/FUP foi construída no Fórum em Defesa da Petros constituído para debater os problemas da Petros e especificamente o PED 2015. Obviamente, nem todos concordam em tudo, mas, felizmente, a maioria se dispõe a agir junto para superação dos problemas encontrados.
Ainda temos outro desafio imediato importante pela frente que é a aprovação do PED 2015-2018 que permitirá a redução dos impactos do PED 2015 sobre o PPSP e a vida de todos nós. Essa luta precisa ter um desfecho até 31/12/2019 e as entidades estão se empenhando para conquistarmos também a aprovação do novo PED, com menor impacto sobre nossas vidas e que possa viabilizar o Plano.
Além disso, nossa luta continuará pelo reconhecimento das possíveis dívidas pelas Patrocinadoras, pela mutação da carteira de investimentos para fazer frente ao cenário de juros baixos e a efetiva paridade na gestão da Petros, que hoje segue sendo negada aos participantes e assistidos.
De qualquer maneira, apesar da grandiosidade dos desafios que temos pela frente, com a Cisão dos Pré-70 demos um importante passo para corrigir as injustiças cometidas no PPSP.
Forte abraço a todos,
Ronaldo Tedesco

PS1: Como o termo “cisão” ficou muito batido por ocasião da Separação de Massas e cisão entre Repactuados e Não Repactuados (que criou os planos PPSP-R e PPSP-NR), muitos companheiros fazem, de forma desavisada ou intencional, uma comparação entre esse processo de Cisão dos Pré-70 e a cisão anterior. Em nossa opinião, nem toda a Cisão é prejudicial a participantes e assistidos. Na cisão entre PPSP-R e PPSP-NR, a alegação era que havia um subsídio cruzado indevido entre as submassas de repactuados e não repactuados. Esse subsídio cruzado nunca foi comprovado. Mas, entre Pré-70 e Pós-70, o subsídio cruzado ficou claro e mensurado agora em R$ 3,6 bilhões que hoje estão sendo pagos a mais pelos Pós-70 no PED 2015. Assim, a Cisão dos Pré-70 permitiu de fato a correção de uma injustiça que penalizava os Pós-70, favorecendo, não os Pré-70, mas a Petrobrás.

PS2: Outra comparação que ouvimos foi que a Cisão se assemelharia ao AOR, em que, para a Petrobrás assumir a responsabilidade pelos Pré-70 e contabilizar a entrada de R$ 4,7 bilhões no PPSP, acabamos ver por negociada pelos signatários do AOR somente a metade da dívida cobrada na ação judicial da 18ª Vara Cível do Rio de Janeiro (calculada à época em R$ 9,88 bilhões). Ocorre que nesse processo de Cisão dos Pré-70, não há quaisquer moedas de troca sendo empenhadas. Apenas estamos viabilizando a correção de uma injustiça cometida anos atrás.
A luta continua.

sábado, 9 de novembro de 2019

APAPEPRESS 136


PREZADOS PARTICIPANTES E ASSISTIDOS DA PETROS:


Estou me despedindo dos mandatos de Conselheiro Deliberativo e Fiscal da Petros – Eleito, depois de 16 anos de dedicação integral, honrando o voto de todos vocês com trabalho perseverante na busca do direito adquirido.

Acredito ter colaborado para que a Fundação tenha sua gestão aperfeiçoada, principalmente quanto a auditorias, controle de riscos, e fiscalização dos investimentos, contando com a parceria de Conselheiro Eleito de nível técnico excelente, como demonstra em sua exposição adiante o competente Conselheiro Deliberativo Ronaldo Tedesco.

Ele expõe com clareza didática o que eu gostaria de ter escrito sobre a matéria. Apresenta exatamente o esforço que fizemos juntos ao longo de vários anos e, recentemente, com os demais membros do GT Paritário (Petrobras/Petros/Federações).

Faço minhas as afirmações dele, conclamando todos para a UNIDADE que nos levará às conquistas.

Paulo Teixeira Brandão
Conselheiro Fiscal da Petros
conselhopetros.blogspot.com

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CONSIDERAÇÕES SOBRE A ATUAL PROPOSTA DE PED DA PETROS

A proposta de Plano de Equacionamento do Déficit Técnico (PED) dos Planos Petros do Sistema Petrobrás Repactuados e Não-Repactuados (PPSP-R e PPSP-NR) feita pelo presidente Bruno Macedo Dias colocou o debate sobre o PED 2015, o PED 2018 e o próprio Grupo de Trabalho constituído pela Petrobrás em outro patamar.

Desde o início da discussão a respeito da necessidade de equacionamento do déficit dos PPSP-R e PPSP-NR, temos batalhado em aspectos centrais que cercam a proposta atual de equacionamento (PED 2015) em execução pela Fundação, entre esses:

a) A inviabilidade técnica do PED 2015, que é somente financeiro e não ataca problemas estruturais dos planos;
b) A inviabilidade social do PED 2015, que afetou de forma absurda a vida dos participantes e assistidos dos planos;
c) A metodologia equivocada adotada na divisão do déficit técnico entre os participantes e assistidos Pré-70 e os Pós-70;
d) A inviabilidade do que nos acostumamos a chamar de alíquota progressiva que agravou de forma absurda a contribuição extraordinária sobre os maiores benefícios dos assistidos e maiores salários de participantes ativos;
e) A necessidade de a Petrobrás reconhecer suas obrigações relativas às constantes políticas de Recursos Humanos cujo impacto não seria coberto por contribuições extraordinárias, mas sim por reservas a amortizar que são cobertas pelo artigo 48, inciso IX do Regulamento dos planos de benefícios;
f) A necessidade de aceleração das ações de ressarcimento das perdas provocadas por terceiros, especificamente realizando ações face a pessoas jurídicas com capacidade financeira de fazer frente aos prejuízos, sem desconsiderar as pessoas físicas envolvidas;
g) O aperfeiçoamento estrutural dos planos (PPSP-R e PPSP-NR) na busca pelo seu equilíbrio técnico;
h) O aprimoramento dos processos e controles internos da Fundação etc.

Para alguns dos aspectos abordados acima, tanto o GT constituído pela Petrobrás como a proposta do PED 2015 (vigente) e também a proposta do atual presidente da Petros, não teriam, infelizmente, a propriedade de resolver ou superar. A Petrobrás desde o início colocou limites nesse debate que, resumidamente, seriam os seguintes:

1) Não haveria possibilidade de se discutir de forma administrativa ou negocial a assunção de novos compromissos financeiros por parte da patrocinadora;
2) Não seriam admitidos valores das possíveis dívidas da patrocinadora com o plano;
3) Não seria debatida a metodologia de reajustes atuariais do compromisso financeiro com os pré-70 e, portanto, a metodologia adotada na divisão do déficit técnico entre pré-70 e pós-70;
4) A proposta alternativa deveria necessariamente passar pela redução do contingente judicial através de renúncia de ações de correção de benefícios;
5) A proposta alternativa, portanto, não poderia ser realizada dentro dos atuais planos, o que implicaria na criação de novos planos

Além desses limites, nunca foi possível também se estabelecer um debate a respeito da fusão entre PPSP-R e PPSP-NR em um único plano.

MUDOU A POSTURA DA PETROBRÁS

A legislação vigente foi modificada nesse período, permitindo que planos de equacionamento possam ser constituídos considerando contribuições extraordinárias vitalícias. E para tentarmos melhorar um pouco a situação do equacionamento, o GT teve que se desdobrar durante meses em propostas de redução de compromissos do plano, incluindo deflator, criação de taxas etc.

No entanto, a posição da Petrobrás ao longo de todo esse tempo foi inflexível, apesar de todos os esforços que vínhamos realizando.

Com a chegada do novo presidente da Petros, essa dinâmica foi revertida. Basicamente, o que aconteceu foi a mudança da metodologia do cálculo do reajuste atuarial dos pré-70, permitindo a redução do passivo atuarial dentro do mesmo plano e a adoção de alíquotas únicas para as contribuições extraordinárias. Com isso, a proposta da Petros atinge valores mais viáveis aos participantes e assistidos.

Nunca é demais repetir que estamos discutindo um plano de equacionamento. Qualquer proposta apresentada nunca será a que nós gostaríamos.

Alguns dos limites impostos pela Petrobrás tanto no debate do PED 2015 no Conselho Deliberativo da Petros, quanto no GT paritário foram superados, notadamente em relação (a) a metodologia de reajustes atuariais do compromisso financeiro com os pré-70, (b) a questão da redução do contingente judicial através de renúncia de ações de correção de benefícios e (c) a proposta alternativa ser realizada dentro dos atuais planos, implicando em não criar novos planos.

Mas os demais limites infelizmente se mantêm. E deverão ser discutidos em outras esferas, como por exemplo, a judicial.

De forma resumida, a proposta colocada em discussão pela Petros é a seguinte:

a) Contribuição de 30% sobre o abono anual;
b) Redução do pecúlio atual para 2 salários de contribuição (para participantes) ou 2 benefícios (renda global para os assistidos);
c) Contribuições extraordinárias com alíquota única de forma vitalícia.

Além dessas medidas, a proposta inclui outras medidas complementares:
- A definição dos percentuais das alíquotas de contribuição normal sai do regulamento e passa a ser definida todos os anos pelo Conselho Deliberativo junto com as demais premissas do plano;
- O cálculo do benefício passa a considerar os últimos 36 meses;
- Desvinculação do INSS e complementação sobre valor fixo e atualizado pelo IPCA.

Importante perceber que as medidas complementares não são medidas que impactam de imediato o resultado do PED proposto, mas vão no sentido de dar uma certa estruturação que equilibre o plano no longo prazo.

Veja a tabela abaixo, disponível no site da Petros:



DEPARA
Situação atualNova proposta
Contribuição extraAlíquotas escalonadas por faixa de renda e situação no plano
(ativo ou assistido)
Alíquota única, determinada pela situação no plano
(ativo ou assistido)
Contribuição normalAlíquotas não mudam e são escalonadas por faixa de rendaAlíquotas flutuantes, apuradas segundo critérios atuariais
Abono salarial
(13º benefício)
Mesma alíquota de contribuição extra incide sobre o 13ºAlíquota diferenciada de contribuição extra
Pecúlio (valor pago após a morte do titular do plano)Valor variávelAplicação de teto de duas vezes a renda global para assistido ou duas vezes o salário de contribuição para ativo
Duração do equacionamento18 anosVitalícia, até o pagamento do último benefício ou até a eliminação do déficit 
Cálculo dos benefíciosConforme regulamentoBenefício considera os últimos 36 meses (apenas para atuais ativos)
INSSConcessão depende do INSS e complementação é sobre o seu valorDesvinculação do INSS e complementação sobre valor fixo e atualizado pelo IPCA


Sobre as contribuições normais variáveis

Uma das medidas elencadas que tem causado muita polêmica entre participantes e assistidos, é a chamada “adoção de contribuições normais variáveis” ou de “alíquotas flutuantes, apuradas segundo critérios atuariais”.

Importante esclarecer que a medida visa retirar do regulamento do plano o custeio do plano que é calculado anualmente pelo atuário. Mas, ao contrário do que muitos têm falado, a presença do custeio do plano no regulamento não implica numa fixação definitiva e imutável das contribuições normais.

A contribuição normal é conceitualmente variável num plano de benefício definido, pois a definição do benefício acarreta um cálculo atuarial com dados e premissas que se pretendem convergentes à realidade das massas de participantes e assistidos do plano. O resultado desse cálculo define a provisão matemática e o custeio necessário para seu atingimento.

A alteração do custeio previdenciário, por constar do Regulamento do Plano de Benefícios (RPB) precisa assim ser submetida ao ritual de aprovação, tanto pelas instâncias técnicas, Diretoria Executiva e o Conselho Deliberativo da Fundação, como pelas patrocinadoras e os órgãos de controle e fiscalização, como Sest e Previc.

A retirada do custeio previdenciário do Regulamento, objetivamente, fará com que esse trâmite administrativo seja reduzido às instâncias técnicas, Diretoria Executiva e submetido à aprovação pelo Conselho Deliberativo, sem necessariamente ter que ser prévia e formalmente submetido às patrocinadoras e aos órgãos de controle e fiscalização.

Apesar de a medida significar que a Petros não precisará mais cumprir essa formalidade administrativa prévia, ainda assim, tanto patrocinadoras, como participantes e assistidos, como também os órgãos de controle e fiscalização deverão ser informados pela Fundação sobre o custeio a ser adotado pelo plano.

Contrariamente ao que muitos estão compreendendo, a fixação das contribuições normais no regulamento do plano tem sido um elemento a mais de formação do déficit técnico em prejuízo de participantes e assistidos.

Isso acontece por que, no caso do PPSP, as contribuições normais estão praticamente congeladas desde a criação do plano em 1970. Somente em 1991, com a adoção da alíquota majorante de 14,9%, houve uma alteração do custeio normal do PPSP, cuja alíquota majorante era de 11%, até então.

Com isso, passamos por diversos momentos em que as premissas foram alteradas como, por exemplo, recentemente com a Família Real ou o Teto Operacional dos 90%.

Outra alteração do custeio previdenciário se deu em 2007, após o Acordo de Obrigações Recíprocas, onde se fixou a paridade contributiva plena entre participantes, assistidos e patrocinadoras.

Assim, em nossa opinião, ao longo de anos, os resultados dos investimentos do plano foram utilizados para cobertura de insuficiências nunca mensuradas do custeio previdenciário. Essa prática permaneceu por décadas até que se chega ao ponto da conformação de um déficit técnico que precisa ser equacionado por todos nós, como agora.

Contribuição Variável, mas nem sempre

Entretanto, a alteração do custeio normal do plano não poderá ser adotada a partir, por exemplo, de perdas nos investimentos. A boa técnica obriga a que o custeio previdenciário seja calculado pelo atuário do plano, considerando a base de dados e as premissas adotadas para o cálculo das provisões matemáticas, ou seja, do compromisso com os benefícios concedidos e a conceder.

Nesse cálculo se inclui a perspectiva de rentabilidade do plano, aferida pela mediana da taxa de rentabilidade esperada, adotando-se, assim, a chamada meta atuarial.

O não atingimento da rentabilidade esperada, no entanto, normalmente não expressaria um desequilíbrio estrutural do Plano, mas uma situação conjuntural determinada pela performance da carteira de ativos, ou seja, do resultado dos investimentos realizados.

Nosso entendimento é que o resultado desfavorável dos investimentos do plano, portanto, não poderá ser utilizado como justificativa para majoração do custeio previdenciário. A previsão da progressão das provisões matemáticas do plano é o elemento para determinar o custeio previdenciário necessário.

O oposto, no entanto, é verdadeiro. Uma rentabilidade muito positiva que se configure em superávit técnico sustentável poderá, eventualmente, ser uma justificativa para a redução do custeio previdenciário.

Apenas para exemplificar, nesse caso específico do PED 2015, as causas elencadas pela Petros como as razões para o déficit técnico do PPSP naquele exercício são as seguintes: mudança na composição das famílias, retirada do teto operacional de 90%, acordo para pagamento de níveis, inflação e retração econômica e investimentos.

Dessa forma, podemos dividir as causas entre conjunturais (acordo para pagamento de níveis, inflação e retração econômica e investimentos) e estruturais (mudança na composição das famílias e retirada do teto operacional de 90%).

Nesse caso específico que estamos analisando, apenas as causas estruturais (mudança na composição das famílias e retirada do teto operacional de 90%), poderiam ser objeto de uma possível alteração do custeio do plano.

Ao não realizar a alteração do custeio previdenciário do plano no momento em que foi admitida a alteração dessas duas premissas, o que aconteceu de fato foi a adoção de um plano de custeio previdenciário aquém do necessário, sem convergência com as premissas adotadas pelo plano de benefícios. Resultado: déficit técnico.

Por outro lado, observe-se que as demais causas do déficit técnico do exercício de 2015 (acordo para pagamento de níveis, inflação e retração econômica e investimentos) não são passíveis de serem objeto de mudança do custeio previdenciário normal do plano. Justamente por serem causas conjunturais.

Em resumo, a adoção da definição do custeio previdenciário normal por fora do Regulamento do Plano de Benefícios se configura em boa prática desde que seu propósito esteja claramente definido em manter uma relação com a estruturação do Plano.

Ainda assim, obviamente, existe um limite para que a majoração de contribuições exista, pois não seria aceitável um custeio previdenciário exacerbado, prejudicando a vida das pessoas, como estamos vendo agora com o PED 2015.

Nesse aspecto, a proposta atual da Petros nada tem de inovadora ou espetacular. Apenas utiliza os mecanismos disponíveis na legislação vigente para o equacionamento de déficits técnicos. A Petros está colocando em prática algumas das propostas que defendemos desde o início desse debate, tanto na época da aprovação do PED 2015 (atual), como no início dos trabalhos do GT da Petrobrás.  O que inclusive comprova a correção de nossa posição ao reprovar o PED 2015.

Lembro inclusive de uma palestra realizada no auditório do Clube de Engenharia há mais de dois anos, em que diante de nossos questionamentos ao PED 2015, uma participante fez uma pergunta fundamental: se estávamos corretos no que diz respeito às nossas restrições, tanto ao PED exclusivamente financeiro como também em relação a metodologia adotada para os pré-70, como poderíamos reverter a situação?

A resposta, dois anos depois está clara: com a nossa união e determinação nessa luta, estamos prestes de conseguir vencer esse importante capítulo de nossa luta.

Mas estamos somente no início dessa luta. Muita água ainda vai rolar.

Forte abraço,
Ronaldo Tedesco
Conselheiro Deliberativo da Petros


Paulo Teixeira Brandão
Conselheiro Fiscal da Petros
conselhopetros.blogspot.com

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Sobre a Proposta de PED 2015-2018


CONSIDERAÇÕES SOBRE A ATUAL PROPOSTA DE PED DA PETROS


A proposta de Plano de Equacionamento do Déficit Técnico (PED) dos Planos Petros do Sistema Petrobrás Repactuados e Não-Repactuados (PPSP-R e PPSP-NR) feita pelo presidente Bruno Macedo Dias colocou o debate sobre o PED 2015, o PED 2018 e o próprio Grupo de Trabalho constituído pela Petrobrás em outro patamar.

Desde o início da discussão a respeito da necessidade de equacionamento do déficit dos PPSP-R e PPSP-NR, temos batalhado em aspectos centrais que cercam a proposta atual de equacionamento (PED 2015) em execução pela Fundação, entre esses:

a) A inviabilidade técnica do PED 2015, que é somente financeiro e não ataca problemas estruturais dos planos;
b) A inviabilidade social do PED 2015, que afetou de forma absurda a vida dos participantes e assistidos dos planos; 
c) A metodologia equivocada adotada na divisão do déficit técnico entre os participantes e assistidos Pré-70 e os Pós-70;
d) A inviabilidade do que nos acostumamos a chamar de alíquota progressiva que agravou de forma absurda a contribuição extraordinária sobre os maiores benefícios dos assistidos e maiores salários de participantes ativos;
e) A necessidade de a Petrobrás reconhecer suas obrigações relativas às constantes políticas de Recursos Humanos cujo impacto não seria coberto por contribuições extraordinárias, mas sim por reservas a amortizar que são cobertas pelo artigo 48, inciso IX do Regulamento dos planos de benefícios;
f) A necessidade de aceleração das ações de ressarcimento das perdas provocadas por terceiros, especificamente realizando ações face a pessoas jurídicas com capacidade financeira de fazer frente aos prejuízos, sem desconsiderar as pessoas físicas envolvidas;
g) O aperfeiçoamento estrutural dos planos (PPSP-R e PPSP-NR) na busca pelo seu equilíbrio técnico;
h) O aprimoramento dos processos e controles internos da Fundação etc.

Para alguns dos aspectos abordados acima, tanto o GT constituído pela Petrobrás como a proposta do PED 2015 (vigente) e também a proposta do atual presidente da Petros, não teriam, infelizmente, a propriedade de resolver ou superar. A Petrobrás desde o início colocou limites nesse debate que, resumidamente, seriam os seguintes:

1) Não haveria possibilidade de se discutir de forma administrativa ou negocial a assunção de novos compromissos financeiros por parte da patrocinadora;
2) Não seriam admitidos valores das possíveis dívidas da patrocinadora com o plano;
3) Não seria debatida a metodologia de reajustes atuariais do compromisso financeiro com os pré-70 e, portanto, a metodologia adotada na divisão do déficit técnico entre pré-70 e pós-70;
4) A proposta alternativa deveria necessariamente passar pela redução do contingente judicial através de renúncia de ações de correção de benefícios;
5) A proposta alternativa, portanto, não poderia ser realizada dentro dos atuais planos, o que implicaria na criação de novos planos

Além desses limites, nunca foi possível também se estabelecer um debate a respeito da fusão entre PPSP-R e PPSP-NR em um único plano.

MUDOU A POSTURA DA PETROBRÁS

A legislação vigente foi modificada nesse período, permitindo que planos de equacionamento possam ser constituídos considerando contribuições extraordinárias vitalícias. E para tentarmos melhorar um pouco a situação do equacionamento, o GT teve que se desdobrar durante meses em propostas de redução de compromissos do plano, incluindo deflator, criação de taxas etc.

No entanto, a posição da Petrobrás ao longo de todo esse tempo foi inflexível, apesar de todos os esforços que vínhamos realizando.

Com a chegada do novo presidente da Petros, essa dinâmica foi revertida. Basicamente, o que aconteceu foi a mudança da metodologia do cálculo do reajuste atuarial dos pré-70, permitindo a redução do passivo atuarial dentro do mesmo plano e a adoção de alíquotas únicas para as contribuições extraordinárias. Com isso, a proposta da Petros atinge valores mais viáveis aos participantes e assistidos.

Nunca é demais repetir que estamos discutindo um plano de equacionamento. Qualquer proposta apresentada nunca será a que nós gostaríamos.

Alguns dos limites impostos pela Petrobrás tanto no debate do PED 2015 no Conselho Deliberativo da Petros, quanto no GT paritário foram superados, notadamente em relação (a) a metodologia de reajustes atuariais do compromisso financeiro com os pré-70, (b) a questão da redução do contingente judicial através de renúncia de ações de correção de benefícios e (c) a proposta alternativa ser realizada dentro dos atuais planos, implicando em não criar novos planos.

Mas os demais limites infelizmente se mantêm. E deverão ser discutidos em outras esferas, como por exemplo, a judicial.

De forma resumida, a proposta colocada em discussão pela Petros é a seguinte:

a) Contribuição de 30% sobre o abono anual;
b) Redução do pecúlio atual para 2 salários de contribuição (para participantes) ou 2 benefícios (renda global para os assistidos);
c) Contribuições extraordinárias com alíquota única de forma vitalícia.

Além dessas medidas, a proposta inclui outras medidas complementares:
- A definição dos percentuais das alíquotas de contribuição normal sai do regulamento e passa a ser definida todos os anos pelo Conselho Deliberativo junto com as demais premissas do plano;
- O cálculo do benefício passa a considerar os últimos 36 meses;
- Desvinculação do INSS e complementação sobre valor fixo e atualizado pelo IPCA.

Importante perceber que as medidas complementares não são medidas que impactam de imediato o resultado do PED proposto, mas vão no sentido de dar uma certa estruturação que equilibre o plano no longo prazo.

Veja a tabela abaixo, disponível no site da Petros:


DEPARA
Situação atualNova proposta
Contribuição extraAlíquotas escalonadas por faixa de renda e situação no plano
(ativo ou assistido)
Alíquota única, determinada pela situação no plano
(ativo ou assistido)
Contribuição normalAlíquotas não mudam e são escalonadas por faixa de rendaAlíquotas flutuantes, apuradas segundo critérios atuariais
Abono salarial
(13º benefício)
Mesma alíquota de contribuição extra incide sobre o 13ºAlíquota diferenciada de contribuição extra
Pecúlio (valor pago após a morte do titular do plano)Valor variávelAplicação de teto de duas vezes a renda global para assistido ou duas vezes o salário de contribuição para ativo
Duração do equacionamento18 anosVitalícia, até o pagamento do último benefício ou até a eliminação do déficit 
Cálculo dos benefíciosConforme regulamentoBenefício considera os últimos 36 meses (apenas para atuais ativos)
INSSConcessão depende do INSS e complementação é sobre o seu valorDesvinculação do INSS e complementação sobre valor fixo e atualizado pelo IPCA

Sobre as contribuições normais variáveis 

Uma das medidas elencadas que tem causado muita polêmica entre participantes e assistidos, é a chamada “adoção de contribuições normais variáveis” ou de “alíquotas flutuantes, apuradas segundo critérios atuariais”.

Importante esclarecer que a medida visa retirar do regulamento do plano o custeio do plano que é calculado anualmente pelo atuário. Mas, ao contrário do que muitos têm falado, a presença do custeio do plano no regulamento não implica numa fixação definitiva e imutável das contribuições normais.

A contribuição normal é conceitualmente variável num plano de benefício definido, pois a definição do benefício acarreta um cálculo atuarial com dados e premissas que se pretendem convergentes à realidade das massas de participantes e assistidos do plano. O resultado desse cálculo define a provisão matemática e o custeio necessário para seu atingimento.

A alteração do custeio previdenciário, por constar do Regulamento do Plano de Benefícios (RPB) precisa assim ser submetida ao ritual de aprovação, tanto pelas instâncias técnicas, Diretoria Executiva e o Conselho Deliberativo da Fundação, como pelas patrocinadoras e os órgãos de controle e fiscalização, como Sest e Previc.

A retirada do custeio previdenciário do Regulamento, objetivamente, fará com que esse trâmite administrativo seja reduzido às instâncias técnicas, Diretoria Executiva e submetido à aprovação pelo Conselho Deliberativo, sem necessariamente ter que ser prévia e formalmente submetido às patrocinadoras e aos órgãos de controle e fiscalização.

Apesar de a medida significar que a Petros não precisará mais cumprir essa formalidade administrativa prévia, ainda assim, tanto patrocinadoras, como participantes e assistidos, como também os órgãos de controle e fiscalização deverão ser informados pela Fundação sobre o custeio a ser adotado pelo plano.

Contrariamente ao que muitos estão compreendendo, a fixação das contribuições normais no regulamento do plano tem sido um elemento a mais de formação do déficit técnico em prejuízo de participantes e assistidos. 

Isso acontece por que, no caso do PPSP, as contribuições normais estão praticamente congeladas desde a criação do plano em 1970. Somente em 1991, com a adoção da alíquota majorante de 14,9%, houve uma alteração do custeio normal do PPSP, cuja alíquota majorante era de 11%, até então.

Com isso, passamos por diversos momentos em que as premissas foram alteradas como, por exemplo, recentemente com a Família Real ou o Teto Operacional dos 90%.

Outra alteração do custeio previdenciário se deu em 2007, após o Acordo de Obrigações Recíprocas, onde se fixou a paridade contributiva plena entre participantes, assistidos e patrocinadoras.

Assim, em nossa opinião, ao longo de anos, os resultados dos investimentos do plano foram utilizados para cobertura de insuficiências nunca mensuradas do custeio previdenciário. Essa prática permaneceu por décadas até que se chega ao ponto da conformação de um déficit técnico que precisa ser equacionado por todos nós, como agora.

Contribuição Variável, mas nem sempre

Entretanto, a alteração do custeio normal do plano não poderá ser adotada a partir, por exemplo, de perdas nos investimentos. A boa técnica obriga a que o custeio previdenciário seja calculado pelo atuário do plano, considerando a base de dados e as premissas adotadas para o cálculo das provisões matemáticas, ou seja, do compromisso com os benefícios concedidos e a conceder.

Nesse cálculo se inclui a perspectiva de rentabilidade do plano, aferida pela mediana da taxa de rentabilidade esperada, adotando-se, assim, a chamada meta atuarial.

O não atingimento da rentabilidade esperada, no entanto, normalmente não expressaria um desequilíbrio estrutural do Plano, mas uma situação conjuntural determinada pela performance da carteira de ativos, ou seja, do resultado dos investimentos realizados.

Nosso entendimento é que o resultado desfavorável dos investimentos do plano, portanto, não poderá ser utilizado como justificativa para majoração do custeio previdenciário. A previsão da progressão das provisões matemáticas do plano é o elemento para determinar o custeio previdenciário necessário.

O oposto, no entanto, é verdadeiro. Uma rentabilidade muito positiva que se configure em superávit técnico sustentável poderá, eventualmente, ser uma justificativa para a redução do custeio previdenciário.

Apenas para exemplificar, nesse caso específico do PED 2015, as causas elencadas pela Petros como as razões para o déficit técnico do PPSP naquele exercício são as seguintes: mudança na composição das famílias, retirada do teto operacional de 90%, acordo para pagamento de níveis, inflação e retração econômica e investimentos.

Dessa forma, podemos dividir as causas entre conjunturais (acordo para pagamento de níveis, inflação e retração econômica e investimentos) e estruturais (mudança na composição das famílias e retirada do teto operacional de 90%).

Nesse caso específico que estamos analisando, apenas as causas estruturais (mudança na composição das famílias e retirada do teto operacional de 90%), poderiam ser objeto de uma possível alteração do custeio do plano.

Ao não realizar a alteração do custeio previdenciário do plano no momento em que foi admitida a alteração dessas duas premissas, o que aconteceu de fato foi a adoção de um plano de custeio previdenciário aquém do necessário, sem convergência com as premissas adotadas pelo plano de benefícios. Resultado: déficit técnico.

Por outro lado, observe-se que as demais causas do déficit técnico do exercício de 2015 (acordo para pagamento de níveis, inflação e retração econômica e investimentos) não são passíveis de serem objeto de mudança do custeio previdenciário normal do plano. Justamente por serem causas conjunturais.

Em resumo, a adoção da definição do custeio previdenciário normal por fora do Regulamento do Plano de Benefícios se configura em boa prática desde que seu propósito esteja claramente definido em manter uma relação com a estruturação do Plano.

Ainda assim, obviamente, existe um limite para que a majoração de contribuições exista, pois não seria aceitável um custeio previdenciário exacerbado, prejudicando a vida das pessoas, como estamos vendo agora com o PED 2015.

Nesse aspecto, a proposta atual da Petros nada tem de inovadora ou espetacular. Apenas utiliza os mecanismos disponíveis na legislação vigente para o equacionamento de déficits técnicos. A Petros está colocando em prática algumas das propostas que defendemos desde o início desse debate, tanto na época da aprovação do PED 2015 (atual), como no início dos trabalhos do GT da Petrobrás.  O que inclusive comprova a correção de nossa posição ao reprovar o PED 2015.

Lembro inclusive de uma palestra realizada no auditório do Clube de Engenharia há mais de dois anos, em que diante de nossos questionamentos ao PED 2015, uma participante fez uma pergunta fundamental: se estávamos corretos no que diz respeito às nossas restrições, tanto ao PED exclusivamente financeiro como também em relação a metodologia adotada para os pré-70, como poderíamos reverter a situação?

A resposta, dois anos depois está clara: com a nossa união e determinação nessa luta, estamos prestes de conseguir vencer esse importante capítulo de nossa luta.

Mas estamos somente no início dessa luta. Muita água ainda vai rolar.

Forte abraço,
Ronaldo Tedesco
Conselheiro Deliberativo da Petros

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Carta aberta


Rio de Janeiro, 9 de setembro de 2019.

Carta aberta a Sérgio Salgado

Sempre que estabeleci qualquer debate com qualquer pessoa, tenho sido cordial e educado. E sempre espero o mesmo de meus críticos.
Em sua última carta, seu tom sempre debochado e irônico, descambou para as ofensas pessoais. Os qualificativos que você utiliza são: ignorante, burro, abilolado, estúpido, ridículo, cretino etc. Lamentável que tenha chegado a esse ponto de total desrespeito no debate de ideias. Se essa é a sua intenção, você já sabe que não terá de mim qualquer réplica nesse nível.
No ensaio "Arte de Ter Razão”, Schopenhauer traçou 38 estratagemas para vencer qualquer discussão. O último estratagema é esse que você utilizou:
"Parta para o ataque pessoal, insultando grosseiramente, tão logo perceba que seu oponente está com a vantagem. Partindo para o ataque pessoal você abandona o assunto por completo, passando a concentrar o seu ataque na pessoa, fazendo uso de observações ofensivas e malevolentes. Esta é uma técnica muito popular, porque requer pouca habilidade para ser colocada em prática."
Mas esse não é o seu estratagema predileto. Normalmente, você utiliza outro:
"Ignore a proposição do seu oponente, destinada a referir-se a alguma coisa em particular. Ao invés disso, compreenda-a num sentido muito diverso, e em seguida refute-a. Ataque algo diferente do que foi dito."
Foi o que, mais uma vez, você fez na sua mensagem, junto com as ofensas pessoais, que vou ignorar, para poder lhe responder minimamente. Embora possivelmente que esteja perdendo meu tempo pedindo para que você seja reflexivo com meus argumentos, é importante responder, para que os que lhe admiram tenham um contraponto e possam, eles mesmos, refletirem. 

ESTRATÉGIA PARA O RESSARCIMENTO
O texto a que você se referiu não trata somente de Itausa. Trata de todos os investimentos irregulares realizados na Petros no último período. É uma reflexão sobre qual a estratégia que deve ser adotada para possibilitar o ressarcimento dos valores perdidos.
Esse é o assunto do texto "Follow the money - Siga o dinheiro", que é uma expressão da língua inglesa, orientando que a solução está em saber para onde foram os valores perdidos.
O texto parte de uma crítica ao site www.discrepantes.com.br que menospreza a denúncia dos 70 investimentos e se perde nas elaborações teóricas sobre as diferenças entre os grupos do PT que estiveram na diretoria da Fundação naqueles anos. Com isso, abandona o principal nesse debate: como reaver os valores perdidos aos cofres da Fundação?
Processar e autuar pessoas físicas é parte importante, mas não nos devolverá o que perdemos. As pessoas jurídicas envolvidas e os agentes financeiros com capacidade de nos devolver os valores perdidos estão ilesos até agora.
Ou é possível considerar que poderemos reaver nosso dinheiro somente com processos contra pessoas físicas? É factível essa linha jurídica? Quem defende essa linha, deve vir a público para nos convencer e, se tiverem razão, nos calaremos.
Nesse contexto, utilizei e continuo considerando o caso Itausa como exemplar do que não devemos fazer para buscar ressarcimento.

MAIS UMA VEZ, ITAUSA
O Sr. Walter Mendes, ex-presidente do nosso fundo de pensão, decidiu promover em 2017 essa ação contra ex-conselheiros e ex-diretores.
Para sermos justos, algumas das iniciativas do Sr. Walter Mendes em relação aos problemas da nossa Fundação foram positivas. Foi importante a reprecificação dos ativos dos planos, trazendo os mesmos a preços de mercado e modificando os processos internos na área de investimentos. Foi ele quem promoveu o recadastramento dos participantes e assistidos, concluído recentemente, o que possibilitou um dimensionamento mais adequado do passivo atuarial, conforme solicitado por mais de 15 anos pelos conselheiros eleitos e pelo CF da Petros.
Ao mesmo tempo, ele fracassou demasiadamente em outras frentes: não avançou na avaliação e mensuração das dívidas das patrocinadoras, ignorando e respondendo de forma superficial aos apontamentos do Conselho Fiscal que reprova as contas da Fundação há 16 anos.
Seu mais notável fracasso foi ao propor e fazer aprovar pelo voto de qualidade o PED assassino, contra a posição de todos os conselheiros eleitos, inviabilizando o PPSP e a vida de todos nós. Não sem antes provocar o aumento do déficit em mais de R$2 bilhões com o atraso de um ano no PED, obrigando a Petros a assinar um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta, que você errada ou propositalmente insiste em dizer que foi uma concordância dos eleitos. Lamentável!).
Fracassou também no enfrentamento ao contingenciamento judicial da Fundação e de seu controle e monitoramento, única ressalva da auditoria independente hoje.
Em 2017, quando resolveu processar os ex-diretores e ex-conselheiros em relação à operação Itausa, o ex-presidente errou feio novamente, pois optou por um caminho em que o ressarcimento é uma hipótese distante.
Não considerou em sua decisão que, no relatório de autuação da Previc, o único autuado foi o ex-presidente, Luiz Carlos Afonso. As apurações e também as denúncias premiadas que temos notícia nos deixam claro que este último e a Camargo Correia foram cúmplices em diversas irregularidades já comprovadas.
Talvez nunca saberemos o real motivo por que o ex-presidente, profissional experiente e com profundo conhecimento dos mecanismos do mercado, buscou um ressarcimento de mais de R$ 500 milhões exclusivamente face a pessoas físicas. Sua decisão termina por abandonar a possibilidade factível de buscar com eficácia os valores perdidos junto a pessoas jurídicas com capacidade financeira de ressarcir nossos prejuízos.
Como participantes e assistidos, não podemos concordar com uma linha jurídica que vira as costas para uma possibilidade de ressarcimento real face à Camargo Correia, para processar 11 ex-gestores (cujo relatório do órgão de fiscalização responsável pelos fundos de pensão isenta 10 dos 11 citados). Faz algum sentido isso?

PENSAR, SEM PAIXÃO
Talvez, sem a paixão que dedica à questão Itausa, essas reflexões fiquem mais claras a você. Esqueça, então, meus comentários sobre Itausa.
Digamos que estou errado, que a tática do Sr. Walter Mendes seja a mais adequada e que vamos poder ter de volta aos cofres da Petros os valores perdidos processando exclusivamente ex-conselheiros e ex-diretores.
Digamos que a justiça considere, como você, que as informações hoje disponíveis já eram possíveis de conhecimento na época que a decisão foi tomada (dezembro de 2010).
Digamos também que meu patrimônio pessoal e de todos os demais processados pela Petros possam cobrir o valor pretendido de R$ 581 milhões. Se eu estiver errado sobre tudo acima, é isso que poderia acontecer.
A pergunta é: e para os demais investimentos irregulares? Qual a tática adequada? A Petros deve entrar com novas ações contra as pessoas físicas para recuperar os mais de R$ 13 bilhões perdidos (em valores investidos)? Ou terá que adotar outra tática?
E a responsabilidade da Petrobrás nesses prejuízos? Ela deve ou não ser acionada por ter nomeado todos os diretores da Fundação desde 1970 e deter o voto de qualidade que utiliza sistematicamente em todas as votações que lhe interessam?
Não estamos inventando a roda, nem propondo malabarismos teóricos. Nem estamos propondo nada muito diferente do que o normal. Siga o dinheiro. "Follow the money". Vá atrás de para onde o dinheiro foi e cobre de quem, de fato, foi responsável por todas as decisões na Petros ao longo dos últimos 50 anos.
Caso não concorde, qual é a outra opção para reaver os valores perdidos? Fale sobre esse assunto, que é o foco do artigo anterior e dessa carta aberta. Sem responder a essas perguntas, não poderemos avançar.

SOBRE AS PROVOCAÇÕES E AS MENTIRAS DISSEMINADAS
Em relação a Itausa, mais uma vez, minha posição é cristalina. Com as informações disponíveis naquele momento, sem saber o que sabemos agora, das irregularidades cometidas na operacionalização da decisão do Conselho Deliberativo, repito que minha decisão foi correta. Eram as informações disponíveis. O resto é engenharia de obra pronta.
Você mesmo afirma que Saboya e você se alertaram com a reportagem da Revista Veja somente 6 meses depois, em julho de 2011. Leia você o estudo do Saboya, e procure compreender o mesmo a partir do que tínhamos conhecimento à época. Os chamados engenheiros de obra pronta nunca terão qualquer problema em suas construções: os erros já aconteceram e eles só precisam apontar.
Se tivesse conhecimento à época de tudo que temos hoje, eu votaria contra o investimento, mesmo sendo um bom ativo. Mas a vida não é assim, o ‘se’ não aconteceu.
Observe que, ainda assim, teria que comprovar as irregularidades. Não poderia sair acusando a todos somente com as minhas opiniões. Isso é uma questão de princípios: eu não faço, não fiz e não farei acusações sem provas. Não condenarei somente pelas minhas opiniões. Essa é uma das muitas diferenças entre nós dois.
A questão colocada por mim não é se a Previc multou a Camargo Correia em R$150 milhões, mas quanto a Petros pediu de ressarcimento à Camargo Correia. A resposta é ZERO. Nada. A Petros não cobra nada da Camargo Correia. Mesmo tendo provas de que houve má fé e conluio com o ex-presidente. Mesmo tendo a Previc multado a Camargo Correia.
A manipulação contábil da Petros com as ações Itaúsa em bolsa de valores e a pedalada contábil no fechamento do exercício 2013 foi objeto de denúncia do Conselho Fiscal da Petros, sob minha presidência, à CVM. A CVM não levou adiante nossa denúncia.
O déficit técnico só chegou ao patamar que está por que a Petros e a Petrobrás decidiram em três votações, em dezembro de 2015, incluir no passivo atuarial mais de R$ 9,5 bilhões (família real; teto operacional de 90%; fundo previdencial), entre outras questões.
Se você parar de desconsiderar fatos e dados, talvez a realidade seja menos conflitante com seus pensamentos. Acredite, a bílis é importante mas, somente utilizar a bílis, não te ajuda a raciocinar.
Penso que somente assim poderemos reaver aos cofres do nosso fundo de pensão os valores perdidos nas transações irregulares. Mas essa é uma estrada longa, mais longa do que o PPSP poderia suportar devido a intenção manifesta em desmantelar o nosso plano por parte da Petrobrás.
Por isso, adicionalmente, defendemos também a proposta alternativa, como uma chance de salvarmos o PPSP sem prejudicar as nossas vidas.
Fora isso, penso que é aventura e irresponsabilidade. Desrespeito e destempero.
Sem mais para o momento.

Ronaldo Tedesco
Conselheiro Deliberativo da Petros
Gestão 2017/2021