quinta-feira, 8 de março de 2012

Brasileiro só pensa na aposentadoria com mais de 35 anos

(Matéria da Folha de S. Paulo – 16/01/12)
Estudo mostra que maioria dos trabalhadores se considera "jovem demais" para se preocupar com isso
 
Demorar para se planejar dificulta a complementação do INSS, devido ao prazo limitado de acumulação. Renatta Giraldi, assistente de comunicação e administração em uma indústria química, aderiu ao plano de previdência corporativo quando foi contratada, em 2009, aos 24 anos.
"Meus pais têm só a aposentadoria do governo, mas sempre pensei em um plano privado para complementar minha renda no futuro", diz.
A pouca idade faz de Giraldi uma exceção à regra mapeada pelas estatísticas: o brasileiro acorda tarde para o planejamento da aposentadoria. Em geral, o despertar não ocorre antes dos 35 anos.
Um estudo feito pela consultoria RGarber e pela ABRH-RJ (Associação Brasileira dos Profissionais de Recursos Humanos) com 300 funcionários de 30 empresas mostra que mais da metade dos entrevistados com até 40 anos nunca pensou no futuro fora do mercado de trabalho.
"As companhias não estão preparadas para falar com os funcionários sobre aposentadoria. Com orientação, o despertar dos trabalhadores poderia ocorrer mais cedo", diz o consultor Rogério Garber.
 
RENDA INSUFICIENTE
 
O levantamento mostra ainda que, entre os que responderam nunca ter refletido sobre a aposentadoria, 70,5% disseram ser muito jovens para isso; 19% afirmaram que gostam do que fazem ou se imaginam trabalhando para sempre; e 5,7% dizem que é negativo pensar nisso.
Entre os que já pensaram a respeito do tema, 31% disseram ter tomado a atitude por estarem perto da idade de aposentadoria pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social); 28%, por terem colegas se aposentando; e apenas 11% porque passaram por programa de preparação na empresa em que trabalham.
Além disso, 78,4% dos entrevistados discordaram totalmente da afirmação de que estarão com a vida financeira estabilizada com o dinheiro da aposentadoria do INSS.
E 50,4% concordaram totalmente com a premissa de que estarão trabalhando de forma remunerada depois de aposentados pelo INSS. Desses, 88% afirmaram que farão isso porque o valor pago pelo governo é insuficiente.
Quem faz um plano de previdência complementar em uma idade avançada precisa poupar mais por mês para alcançar um benefício suficiente para a aposentadoria.
"Mas, para a maioria dos jovens, não é fácil enxergar as vantagens de investir no longo prazo", diz Garber.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Funpresp já é alvo de disputas políticas

Matéria de Fevereiro de 2012, no Portal G1 – 06/02/12
 
Projeto de criação do fundo, que será o maior de previdência complementar do país, será votado amanhã na Câmara
Com votação marcada para amanhã na Câmara, o projeto de criação do Regime de Previdência Complementar dos Servidores Públicos da União ainda tem um longo caminho a percorrer até a aprovação final, mas já enfrenta disputa e preocupações sobre dois pontos: a composição dos comandos dos fundos complementares e a aplicação dos recursos. O receio maior é que haja partidarização na gestão deles. A nova proposta permite que sejam criados até três fundos - um para cada Poder -, gestão paritária (membros indicados pela União e pelos servidores) e liberdade de aplicar diretamente ou não os recursos.
O próprio governo, ao propor a criação de um único fundo, alertava que a Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público (Funpresp) será poderosa: "tende a ser a maior entidade fechada de previdência complementar presente no mercado brasileiro, tanto em quantitativo de participantes como em volume de recursos."
A aposta é que, a longo prazo, o novo fundo, ou fundos, supere o Previ (fundo de previdência complementar dos funcionários do Banco do Brasil). Mas a curto prazo, o governo terá um aumento de gasto. O Ministério da Previdência informa que só em 30 anos a situação se estabilizará.
Segundo a previsão do governo e de especialistas, no futuro, os fundos deverão ter um volume de recursos maior do que o gigante Previ, que movimenta mais de R$ 100 bilhões ao ano.
Setores da oposição se preocupam com o risco de partidarização do Funpresp, lembrando que o próprio Previ e outros fundos públicos foram objeto de CPI no Congresso. O PT conseguiu emplacar mudanças importantes na proposta original do governo, entre elas, como será criado o Funpresp e como poderão ser aplicados os recursos.
Na proposta original, a administração dos ativos (recursos) era repassada, obrigatoriamente, a uma instituição financeira. Agora, o texto diz que "a gestão dos recursos poderá ser realizada por meio de carteira própria, carteira administrada ou fundos de investimentos".
A criação de até três fundos foi a saída encontrada para atender a um pedido do Poder Judiciário, que não queria estar no mesmo fundo de servidores do Executivo e do Legislativo. Mas a redação sutil feita pelo deputado Ricardo Berzoini (PT-SP), relator da proposta, deixa margem para a criação de apenas dois fundos ou mesmo um, como previu o governo. É que os servidores do Legislativo confidenciaram a Berzoini que teriam um volume de recursos pequeno, caso ficassem sozinhos num Funpresp do Legislativo.
Especialista em Finanças Públicas e Previdência, o economista Fabio Giambiagi diz que o projeto acabará com o problema da previdência do servidor público em longo prazo e acredita que as mudanças anunciadas durante as negociações na Câmara não comprometem o objetivo. Mas alerta que é preciso evitar a politização. Para ele, a proposta inicial de se criar apenas um fundo era apenas um item para negociação, mais conhecido no meio político como "bode na sala".
- O Funpresp vai colocar o Previ no chinelo. Quando se reunir todo o estoque, vai ser uma enormidade de dinheiro. O presidente da Funpresp vai ser quase tão importante quanto o do Banco Central e da Petrobras - afirma Giambiagi. - É preciso construir uma muralha chinesa com metros de largura e quilômetros de altura para que nenhum grupo político possa se apropriar dessa massa fenomenal de dinheiro. É crucial gerir esses recursos tecnicamente.
O especialista alerta que, num primeiro momento, o governo terá aumento de despesas e que isso poderá impactar o superávit primário:
- O projeto é muito bom, espero que realmente seja aprovado, mas é para o longo prazo.
Já o economista Marcelo Caetano, também especialista em Previdência, acredita que a preocupação não deve ser com os escolhidos para as diretorias dos fundos, mas como serão os investimentos. Para ele, o fundo terá que ter responsabilidade e evitar investimentos diretos que possam trazer risco ao dinheiro do servidor e da União.
- O fundo vai fazer a aplicação onde bem entender ou vai contratar alguém para fazer essas aplicações? - pergunta.
Ele explica que primeiro serão criadas as entidades fechadas de previdência complementar (Funpresps), com a composição de conselho deliberativo, conselho fiscal de diretoria-executiva conforme todas as regras existentes.
- São dois momentos diferentes. Há a criação da entidade, que vai receber aportes, tanto da União como dos servidores. A discussão está, até certo ponto, sobre como será a gestão dos ativos. Se for aplicar em títulos públicos, não há necessidade de contratar uma instituição. Mas não recomendo investimento direto em hotéis ou empresas, por exemplo - diz Caetano.
Ex-líder do PSDB na Câmara, o deputado Duarte Nogueira, diz que o partido quer aprovar o projeto - até porque em São Paulo foi aprovado um regime baseado no texto original do governo, mas ele critica mudanças.
- Queremos votar o Funpresp, mas queremos salvaguardas e evitar o critério político.
O líder do PT, o deputado Paulo Teixeira (SP), destaca a importância da gestão paritária e reconhece que o partido "foi contemplado" com a defesa dessa ideia.
O discurso do Ministério da Previdência é que o fundo será fiscalizado assim como os demais e que terá que cumprir a legislação existente.
As aposentadorias dos servidores públicos da União consumiram em 2010 R$ 73,2 bilhões, valor que subiu para cerca de R$ 85,6 bilhões em 2011, segundo as últimas projeções do Ministério da Previdência. O rombo está na casa dos R$ 60 bilhões. 

sexta-feira, 2 de março de 2012

Alerta do Dr. César Vergara

Prezados,

Venho por meio desta esclarecer que O PRAZO DECADENCIAL QUE SE EXPIRA EM 25 DE MARÇO DE 2012 diz respeito exclusivamente à AÇÃO DE REPETIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO RELATIVO À COBRANÇA DO IMPOSTO DE RENDA INCIDENTE SOBRE O VALOR MONETÁRIO pago aos repactuantes (ART. 168 DO CTN).
No que diz respeito à ANULAÇÃO DA REPACTUAÇÃO é possível afiremar que a decadência ocorrerá SOMENTE EM NOVEMBRO DE 2012 (ART.178 do CC). De fato,  recomendamos que os interessados ingressem com a ação de anulação da repactuação antes de 20 DE NOVEMBRO 2012 e COM A AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO antes de 25 DE MARÇO DE 2012, sob pena de verem declarada a decadência de seu direito.

Atenciosamente,

CÉSAR VERGARA DE ALMEIDA MARTINS COSTA   

VERGARA MARTINS COSTA, TROGLIO E SANVICENTE SOCIEDADE DE ADVOGADOS


Praça Mahatma Gandhi n. 02 – conj. 923/924 – Centro – Rio de Janeiro – RJ – CEP.20031-100 tel.: (021) 22402115     
Rua dos Andradas, 1137, conj. 805/807 – Centro – Porto Alegre – RS – CEP. 90020015 tel.: (051) 30282366        - 30282066
Rua Martinico Prado, n.26, conj. 195 - Bairro Santa Cecília - São Paulo/SP – CEP.01224-010 tel.: (011) 23730999

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Prestando Contas do Mandato


A revisão das alíquotas de contribuição e a luta pelo fim do teto para os Pós-82


Entre as tarefas do mandato de conselheiro deliberativo eleito da PETROS, temos desenvolvido duas em especial que vão aos poucos descortinando novidades aos participantes, quais sejam: a luta para a unificação das alíquotas de contribuição (11 e 14,9%) e o fim do teto para os pós-82. Ambas as batalhas são árduas, e foram abandonadas pela FUP e seus representantes. Mas temos obtido algum sucesso que gostaríamos de compartilhar com os participantes.


A unificação das alíquotas de contribuição (11 e 14,9%)



Sobre a primeira batalha é preciso explicar aos companheiros o histórico de nossa atuação. Foi compromisso de campanha a luta pela unificação das alíquotas de contribuição. Um dos primeiros documentos que protocolamos junto à presidência do Conselho Deliberativo para que fosse pautado e discutido o assunto. Não obtivemos êxito nesta tarefa ao longo dos dois primeiros anos. Apesar da aparente simpatia para com a demanda apresentada pelos participantes, os conselheiros indicados e o presidente do Conselho não esboçaram qualquer iniciativa para apoiar a medida.



Nosso pleito: um estudo atuarial que possibilitasse a revisão das alíquotas de contribuição. Na década de 1990, houve estudo semelhante para possibilitar que o reajuste praticado aos assistidos (referente aos índices de setembro e que só eram aplicados em maio do ano seguinte). Era uma época de hiperinflação e a demanda dos nossos companheiros assistidos era muito forte. Por isso mesmo, errado ou certo – não vamos entrar no mérito agora – a diretoria da PETROS naquele momento decidiu por aplicar a nova alíquota para todos que não se manifestassem. Isto provocou uma grande confusão, pois muitos desavisados não puderam optar. Como beneficiava a maioria na época, não houve gritaria. O incômodo se deu anos depois. Após mais de 20 anos, a inflação se encontra domada. E o mês de reajuste do INSS, que era maio, passou a ser janeiro. Por que não revisar a alíquota novamente?



Quase dois anos após nossa primeira solicitação, e depois de outros pedidos e gestões, conquistamos um estudo atuarial que comprova a nossa tese e possibilita conforto para a aprovação da proposta no Conselho Deliberativo da PETROS.



Ainda estamos em fase de estudos técnicos, mas a chance de vermos aprovada esta demanda histórica dos participantes é muito maior do que no início do mandato em 2009. Quero crer que precisamos ainda pressionar o Conselho Deliberativo com manifestações claras dos participantes pelo atendimento e aprovação de nossa proposta.



Sobre o fim do teto de contribuição para os Pós-82




Do mesmo modo, estamos imbuídos em resolver a pendência do teto de contribuição dos Pós-82. Há uma forte pressão nossa para que este debate se dê no Conselho Deliberativo, sem obtermos sucesso até o momento. Entramos – Yvan Barretto, Paulo Brandão e eu – com uma ação judicial para obrigar o Presidente do Conselho a atender o pedido de pautar o debate no Conselho. Veja bem: pautar o debate. Há a recusa em debater.



Aguardamos os desdobramentos jurídicos. Ao mesmo tempo vamos viabilizar em breve um abaixo assinado entre os participantes ativos para ampliar nossa força política.



É importante enaltecer o trabalho dos demais companheiros conselheiros: Yvan Barretto de Carvalho (cujo mandato terminou ano passado, mas segue nos acompanhando sempre de perto) Paulo Teixeira Brandão, Fernando Siqueira, Silvio Sinedino, Epaminondas Mendes, Emídio Rabelo e Agnelson Camilo. Todos têm sido uma fortaleza nos encaminhamentos conjuntos e unitários para avançarmos nossas conquistas.

Ronaldo Tedesco Vilardo
Conselheiro Deliberativo da PETROS eleito pelos participantes

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Sobre a privatização dos aeroportos e a participação da PETROS


O Conselheiro Ronaldo Tedesco Vilardo enviou correspondência ao Presidente do Conselho Deliberativo da PETROS, Conselheiro Diego Hernandes sobre a participação da PETROS no processo de privatização dos aeroportos divulgada amplamente pela imprensa nacional.
Na mensagem foram relatados diversos questionamentos feitos pelos participantes a respeito do leilão de privatização dos aeroportos onde a PETROS tem sido citada como um dos "novos proprietários" do aeroporto de Guarulhos.
A participação do nosso fundo de pensão se deu através da empresa INVEPAR. Entretanto a matéria a respeito do assunto na página da PETROS na rede mundial de computadores traz informações confusas que precisam ser reparadas para melhor esclarecimento dos participantes. A mesma está reproduzida a mesma abaixo.
Segundo a mídia, a privatização envolveu um lance do Consórcio INVEPAR/ACSA de mais de R$ 16 Bilhões. Deste valor, nossa parte no investimento total chega a um valor acima de R$ 3, 5 Bilhões de nossos recursos financeiros. Apesar do novo Estatuto ainda não vigorar,  estabelecendo os novos limites de investimentos, a boa prática recente da Diretoria Executiva tem sido colocar os debates de ativos de montante superior a 1% do patrimônio total no colegiado do Conselho Deliberativo. Não foi o que sucedeu nesta oportunidade.
Os questionamentos e dúvidas formulados são de todo tipo, tais como:
a) Falta de transparência e de melhores definições sobre todo o negócio
b) Excessivo valor do lance ofertado e suas razões técnicas
c) Obrigatoriedade de realização de investimento adicionais
d) Dubiedade do governo de ser, ao mesmo tempo, parceiro dos novos proprietários, agente financiador e regulador da atividade
e) O aeroporto de Guarulhos é considerado como um dos mais caros do mundo
f) Termos do contrato de Concessão
g) Questões envolvendo o entorno da Concessão, shoppings, lojas, imóveis etc.
h) Por quê a Dietoria Executiva não submeteu aos Conselheiros Eleitos a realização desse negócio?
i) Qual o montante desembolsado pelo PETROS  nessa operação? Qual o formato do investimento e a perspectiva do desinvestimento?
Como pode se verificar, são muitas as questões que precisam ser esclarecidas. Sendo assim, foi requerida uma apresentação ao colegiado por parte da Diretoria Executiva na próxima reunião do Conselho Deliberativo.
Da mesma forma, foi solicitada revisão URGENTE da matéria confusa na página da PETROS na internet que não ajuda a esclarecer aos participantes.
Reprodução da matéria no site da PETROS:
Petros torna-se sócia do maior aeroporto do país
Publicada em 07/02/12

Com uma proposta de R$ 16,2 bilhões, o consórcio Invepar/ACSA ganhou a disputa pelo Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo, que foi leiloado nesta segunda-feira (6/2), na BM&FBovespa, capital paulista. O grupo que arrematou o maior terminal do país, com 30 milhões de passageiros por ano, tem participação acionária da Petros. O valor do lance final representa um ágio de 373,5% sobre o preço mínimo, para uma concessão de 20 anos. A concessão prevê que sejam investidos R$ 4,6 bilhões em melhorias do aeroporto, sendo que R$ 1,4 bilhão serão aplicados até a Copa do Mundo de 2014.

O consórcio vencedor do leilão do aeroporto de Guarulhos é formado pela Invepar – empresa de investimentos em infraestrutura que tem como acionistas os fundos de pensão Petros, Previ (Banco do Brasil) e Funcef (Caixa) – com 90% das ações – além da construtora OAS. A parceira Airport Company South África (ACSA) é a maior administradora de aeroportos da África do Sul, onde administra 11 terminais, além de um outro na Índia. Foram oito meses de estudos em que a Invepar, juntamente com os fundos de pensão, trabalhou intensivamente na análise do negócio para elaborar a proposta vencedora do leilão.

Para o presidente da Petros, Luís Carlos Afonso, a operação foi extremamente positiva para a Fundação e seus participantes. Ele aponta que após a concessão, a Invepar ganha uma nova envergadura, tornando-se uma empresa de grande importância para o país. Para Afonso, a Invepar firma sua vocação para investimentos em infraestrutura viária e transporte urbano, como rodovias e metrô. E agora, para completar, irá administrar o maior aeroporto brasileiro. “Todos esses investimentos são de longo prazo, com rentabilidade muito adequada ao nosso perfil de investidor. Este é um setor com gargalos para o desenvolvimento do país e, ao investirmos nele, o potencial de crescimento assegura uma rentabilidade importante para um fundo de pensão como a Petros”, declara.
Outros lances do leilão

Outros dois aeroportos foram leiloados e arrematados por grupos concorrentes: Juscelino Kubitschek (Brasília/DF) e Viracopos (Campinas/SP). Os três terminais têm prazos de concessão diferentes. São 20 anos para Guarulhos, 25 anos para Brasília e 30 anos para Viracopos. Juntos os três vão pagar R$ 24,5 bilhões pela concessão, 347% a mais do que o lance mínimo. A Infraero, empresa responsável pelos aeroportos no Brasil, terá participação de 49% nos três casos.

Os três consórcios responsáveis pelos aeroportos deverão investir cerca de R$ 16 bilhões durante a concessão. As obras servirão para expandir terminais de passageiros, estacionamento de automóveis e as pistas de pouso e decolagem. Cerca de R$ 2,9 bilhões deverão ser desembolsados antes da Copa do Mundo de 2014. Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), os aeroportos de Guarulhos, Juscelino Kubitschek e Viracopos respondem por 30% do trânsito de passageiros no Brasil, por 57% das cargas e por 19% da movimentação de aeronaves.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Maia para sempre na luta dos petroleiros

Este mês de janeiro tivemos uma perda muito triste de um de nossos maiores defensores. Trata-se de um companheiro de lutas, um mestre dos ritos processuais jurídicos. O Doutor Luis Antônio Castagna Maia foi um dos pilares mais fortes da defesa dos direitos dos petroleiros.

Maia não foi apenas um advogado. Nem ao menos foi tão somente o melhor advogado previdenciário que os petroleiros jamais tiveram ou terão.

Maia foi um alicerce de moral e ética. Firmeza e tranquilidade. Força e determinação. Justiça e solidariedade.

Advogados de outras categorias, Maia esteve imbuído até a raiz dos cabelos com a defesa dos direitos dos trabalhadores. Sem meias palavras, era antes de tudo um pensador, um guerreiro dos tribunais, um companheiro de talento único e inigualável. E quanto mais o assunto se aprofundava, mais sua inteligência brilhante nos brindava com toda sua capacidade de tornar cristalino aquilo que nos parecia confuso.

A primeira vez que participei de uma plenária com ele, enquanto ainda era advogado a serviço da FUP, tive o desprazer de ouvir de um dirigente – que omitirei o nome – uma pergunta dirigida ao Dr. Maia. Eram tempos de definição da política da FUP sobre a repactuação e o AOR. E o tal dirigente lhe perguntou se a FUP orientasse uma defesa daquelas propostas que ele, já então, era contrário, se ele defenderia a favor.

Maia, com a simplicidade e a franqueza de sempre respondeu:

- Sou advogado contratado pela FUP. Sou pago para defender seus encaminhamentos. Assim o farei.

O argumento silencioso do dirigente era que a proposta então não seria tão ruim quanto o advogado dizia.

A vida e a luta demonstraram o contrário. A proposta já implantada de repactuação se demonstrou cada dia mais vil. E a FUP rescindiu o contrato do advogado, que não ficava a vontade em defender a tal proposta.

A vida e a luta demonstraram a firmeza de princípios morais e éticos do Maia.
Provavelmente, não fosse a firmeza do Maia, os petroleiros não saberiam a profundidade dos ataques aos seus direitos históricos. Foi ele um dos bastiões de nossa resistência contra o Acordo de Obrigações Recíprocas (AOR), a Repactuação, a Separação de Massas, o fechamento do Plano PETROS aos novos petroleiros, entre muitas outras batalhas.

Anos depois, estive em outra plenária na companhia do Maia. Indignado, Maia dizia:

-... Gostaria de saber qual a posição da Secretaria Nacional de Mulheres da CUT a respeito da proposta de previdência complementar defendida hoje pelos seus dirigentes. Uma proposta que possibilita ao homem retirar por sua vontade a pensão de sua esposa e filhos. Depois de décadas de luta pela igualdade de direitos, o que dirão as mulheres dirigentes cutistas agora?

E mais:

- ... Esta proposta não causará déficits jamais, por que sempre causará perdas nos benefícios dos aposentados. Esta é a essência da proposta defendida por eles, um ataque aos direitos dos trabalhadores ativos e aposentados...

A firmeza de argumentos e a coerência foram sempre uma marca expressiva do Maia. Mais do que isto, o brio e a força interior que sempre o diferenciaram, até o fim.

Maia, meu caro amigo, sua memória será sempre preservada pelos seus fiéis amigos e companheiros petroleiros. As homenagens que possamos lhe fazer sempre serão poucas.

Janeiro de 2012 nos rouba um amigo, um companheiro, um guerreiro que fará muita falta. Espero que possamos tirar de seus ensinamentos as lições necessárias para seguir sua luta e exemplo.

Foi uma honra lutar ombro a ombro com o Doutor Castagna Maia.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Blog do Doutor Luis Antonio Castagna Maia

O INEXORÁVEL FELIZ ANO NOVO

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2011 Foi um ano indomado, rebelde. A quantidade de acontecimentos, de eventos, tragédias que mudaram o mundo foi enorme. Nada indica que 2012 será diferente, nesse aspecto. De bom, tivemos o Brasil a navegar de forma quase altiva no meio da crise. A cotação do dólar ainda está muito alta e a indústria nacional vem sofrendo com isso, e a taxa de juros ainda está castigando a economia e servindo de chamariz ao dinheiro externo especulativo.
Por outro lado, aqui, no Brasil, foi um ano de artimanhas. No caso Aerus, vimos o governo acenar o tempo todo com a possibilidade de acordo. Mais uma vez, meias palavras em elevadores, frases entrecortadas, a demonstrar o absoluto sigilo com que o tema estaria sendo tratado ou a molecagem de caráter de quem procurava disseminar boato. O mais curioso: a busca, por gente do governo, de passar mensagens ou recados por pessoas que não detêm mandato, representação formal para falar em nome dos participantes.
No ano de 2011, o governo Dilma demonstrou que desconhece previdência, particularmente previdência complementar. Deu o exato, idêntico andamento à previdência de FHC, que foi a mesma do governo Lula. Lamentável, porque em aspectos importantíssimos o governo Dilma se diferenciou, para muito melhor , do governo Lula. Agora, são vitimados os funcionários públicos, aí incluídos, médicos sanitaristas, dentistas da rede pública, juízes. Esse pessoal terá um teto, como o INSS, e a partir daí contribuirá em paridade com o governo para seu fundo. O problema está aí: não há qualquer paridade em relação aos salários da ativa, ou à média dos salários contribuição. Cada parte, funcionário público e governo, pagará até o teto, equivalente ao do INSS; acima disso, o governo se compromete a pagar entre 8 e 8,5% caso o trabalhador contribua com o mesmo montante. Onde está o problema? Nesse sistema, não existe, a rigor, déficit: tão somente ocorre a diminuição da aposentadoria. É nosso interesse, como cidadãos, que o nosso médico, que o fiscal do Ibama, que o fiscal do trabalho, que o juiz não tenham aposentadoria garantida integralmente, mas fiquem na dependência das flutuações de mercado? (flutuações? O que tem havido é desabamento!). Fiquemos por aqui.
Este, portanto, foi o ano que enfrentamos. E, graças a Deus, sobrevivemos. Foi um ano doído, de resistência, de perdas, de idas e vindas, de sofrimento.
2012 será um ano melhor. Muito melhor. Não porque os fatores externos se modifiquem — e seguramente vão se modificar, mas porque o que conseguiram fazer até agora foi forjar nossa esperança até o inquebrantável.
2012 será, sem dúvida, muito melhor. Acredite nisso, construa isso a partir do aprendizado que já tivemos.
dez 31 2011

“ENTRÉGUAS”

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entréguas
Pro Maia)
pois então chegamos
aos trinta e um de quando
amanhã será primeiro
os oxalás dezembram nossas sentinelas
trazem a todos algo assemelhado a uma fé
uma irmandade
só possíveis em tréguas curtas
como esta
o plano ainda é dominado pelas tropas inimigas
há muitos deles,
boatos trincheiros, fonemas velados,
mas pensaremos nisso amanhã
ou quando chegar a hora.
por então
ergueremos fôlegos as nossas taças,
mancharemos a cara de outro tinto
mastigando juntos o mesmo cadáver
nov 19 2011

“HEI DE VENCER”

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HEI DE VENCER!
Apolinário de Sousa
Hei de vencer! A vida é uma jornada
Onde o enfraquecer é covardia,
Hei de vencer! Eu sinto nesta estrada,
Invencível vontade que me guia
A toda essa caudal encapelada
Hei de opor uma heróica rebeldia,
Porque trago minh’alma encouraçada
Para vencer, galharda, esta porfia
Hei de vencer! Quem vive de ideais
Não retrocede às bruscas investidas
Das intempéries cegas e brutais
Apoio-me nesta ânsia de querer
E se a vida tivesse muitas vidas,
Eu haveria, em todas, de vencer!