Plano Petros BD – Equilíbrio Técnico – parte 1
Um texto de
Ronaldo Tedesco e Silvio Sinedino*
Prezados participantes da Petros,
1.
A
Diretoria Executiva da Petros está divulgando as Demonstrações Contábeis da
Entidade, por plano de benefício e a consolidada. A situação de dois planos de
benefício está preocupante, a saber: o Plano Petros do Sistema Petrobrás e o
Plano Petros Ultrafértil.
2.
Em
função de demandas de participantes, preocupados com a situação de seu fundo de
pensão, os conselheiros Ronaldo Tedesco e Silvio Sinedino estão apresentando
esta série de três textos abordando os diversos aspectos que envolvem este
complexo assunto.
3.
Sobre
o Plano Petros Ultrafértil não vamos nos estender no momento, pois o assunto já
foi objeto de palestra dos conselheiros eleitos pelos participantes no início
do mês de março na ASTAUL, a associação representativa dos interesses dos
participantes, em Santos, São Paulo. Nesta palestra discutimos a questão do
equacionamento do déficit deste plano que deve ser realizado em breve, tendo em
vista que o plano apresenta neste momento déficit da ordem de 20%. Mas as
razões de fundo deste processo são semelhantes às que encontramos em relação ao
Plano Petros do Sistema Petrobrás.
4.
A
situação do Plano Petros do Sistema Petrobrás – o Petros BD, como chamamos– é
também da mesma forma preocupante. Embora ainda não esteja colocada de imediata
a questão do equacionamento do plano, nosso entendimento é que os resultados do
ano que vem não poderão reverter a tendência de um terceiro ano com déficit
técnico. Isto obrigará a realização do equacionamento.
5.
A
legislação da previdência complementar é taxativa neste sentido. Se o plano
apresentar déficit técnico superior a 10% num ano ou déficit técnico
consecutivo por 3 anos, há que se realizar o equacionamento do plano. A
perspectiva, portanto, é que tenhamos que proceder ao equacionamento do Plano
Petros BD após o próximo exercício. Esta possibilidade trouxe a todos uma
grande preocupação e intranquilidade. As diversas opiniões sobre as origens do
déficit técnico da Petros são dadas, muitas vezes sem uma clareza maior da
profundidade dos problemas.
6.
Como
o assunto é muito extenso, buscamos realizar uma série de textos que tratam dos
diversos aspectos deste assunto, buscando ajudar numa compreensão comum dos
problemas enfrentados.
7.
Nesse
primeiro texto vamos analisar algumas dos equívocosque andam sendo ditos por aí
e as razões da situação atual de déficit financeiro do plano Petros BD.
Antes
das razões, os equívocos
8.
Antes
de apresentarmos nosso entendimento sobre as razões desta situação, temos
ouvido e lido muitos textos de “especialistas” que apontam muitas bobagens
sobre o tema.
9.
A
principal delas, entendemos, é a falácia da FUP deque o processo de repactuação
do Plano Petros BD e sua pretensa Separação de Massas (leia-se cisão de planos)
garantiria ao nosso plano uma “estabilidade eterna”. Não existe esta
possibilidade de “estabilidade”, muito menos “eterna” como quiseram vender os
companheiros da FUP aos participantes e assistidos. Neste momento, como em
todos os demais fundos de pensão do país, a Petros está tendo que debater,
tanto no Petros BD como no Petros Ultrafértil, a mesma questão do
equacionamento. Isto bastaria para desmitificar a falácia do “plano estável”.
10.
Esta
falácia da estabilidade do Plano Petros BD somente serviu aos propósitos da FUP
para enganar os participantes e incentivá-los a repactuar seus direitos no
plano em 2007 e 2008, causando perdas importantes aos mesmos. Esta perda de
direitos apresentará sua conta para os participantes na medida em que o tempo
se fizer senhor da razão.
11.
A
previdência complementar nada mais é que a privatização de uma parte da
previdência pública, que o Estado Brasileiro não quer manter para os
trabalhadores. O Estado mantém um teto de pagamento que hoje está em R$
4.390,24. O excedente deste valor foi privatizado sob a forma de fundos de
pensão privados ou de planos de capitalização. Com isto, parte importante da
reserva de poupança dos trabalhadores para a sua velhice fica colocada aos
sabores do mercado financeiro e das bolsas de valores. É exatamente isto que
estamos vendo: nossos benefícios estão sendo ameaçados pelos humores do
mercado.
12.
Mas
há também outras vertentes de leituras deste processo que preocupam os
participantes e assistidos e que, para nós, representam tanta
irresponsabilidade quanto a já demonstrada pelos fupistas.Exemplo disto são as
comparações que alguns companheiros fazem entre a situação do nosso plano e a
situação do AERUS, fundo de pensão dos companheiros das empresas de aviação.
13.
O
Governo Collor quando assumiu fez o desserviço de amputar o plano de custeio
(leia-se receitas) do plano AERUS, cuja parte significativa vinha de uma
percentual de 3% das passagens aéreas. As empresas patrocinadoras disseram que
bancariam este corte de custeio. Mas na verdade o AERUS serviu de agente
financeiro das empresas de aviação, cujas garantias eram os equipamentos e
aeronaves das empresas patrocinadoras. Sem patrimônio e engolindo os papagaios
das patrocinadoras, o AERUS chegou ao ponto que vemos hoje. Situação
completamente diferente da Petros e do nosso plano, cujo patrimônio é real,
baseado em participação real em diversos ativos no setor produtivo, além de uma
quantidade enorme de títulos públicos e participações em imóveis, empréstimos a
participantes etc.
14.
Para
estes companheiros que buscam apavorar os participantes e assistidos com suas
conclusões fatalistas, a totalidade dos investimentos da Petros é errada,
malfeita e devem ser desinvestidos imediatamente. Não importa, para estes
fatalistas se a venda dos ativos da Petros, neste momento possa significar a
realização desnecessária e indevida de um prejuízo. Para eles, ninguém sabe
nada, ninguém acompanha os investimentos, ninguém sabe investir, em resumo,
ninguém presta. Só eles.Por exemplo, estes companheiros defendem que a
participação da Petros em ações da Petrobrás seja vendida, o que é um duplo
absurdo: primeiro porque vendê-las agora significa realizar um enorme prejuízo
que não teria reversão mesmo com a recuperação da Petrobrás. Segundo porque, se
nós petroleiros não tivermos confiança no futuro da Petrobrás (e dos nossos
próprios empregos) quem terá?
15.
Agora
comemoram (??)por que a situação de déficit parece que enfim lhes daria razão
em seus argumentos. Podemos comparar seu discurso ao daquele senhor que olhou
uma menina de 3 anos e vaticinou: “aquela menina está grávida”. Aos sete,
novamente disse: “aquela menina está grávida”. Aos 13 anos, repetiu sua
profecia: “aquela menina está grávida”. Aos 17 anos, novamente afirmou: “aquela
menina está grávida”. Aos 23 anos, a menina, já mulher feita, se casa e,aos 27
anos, finalmente engravida de seu marido e o sujeito, prosa, anuncia: “Não
falei, eu estava certo o tempo todo: aquela menina está grávida”.
16.
Para
estes companheiros pedimos a todos muita paciência. Não representam mais que a
meia dúzia de fatalistas que os cercam. Suas irresponsabilidades, felizmente,
não têm qualquer incidência na realidade, pois somente se relacionam com os
teclados de seus computadores. Mas ao mesmo tempo, têm causado transtornos e
sofrimentosa milhares de aposentados e pensionistas que se aterrorizam com a
perspectiva da perda de seus benefícios.
17.
O
fato é que o nosso plano Petros BD apresenta grandes e graves problemas, mas a
maioria destes problemas nem se aproxima dos problemas apontados por estes “especialistas”.
São problemas de toda a ordem, mas que não colocam o plano Petros na “bola da
vez”, nem os participantes da Petros na fila dos desesperados.
18.
Provavelmente,teremosque
equacionar algum déficit técnico por força da legislação. As regras do setor
determinam que se o plano apresentar déficit por três anos consecutivos ou se o
déficit for maior do que 10% do patrimônio do plano, ele precisa ser
equacionado. Normalmente isso ocorre por meio de contribuições extras ao
plano.
19.
Mas
isto não significará que o plano está naufragando. O patrimônio da Petros é
consistente, investido em empresas de energia, telecomunicações, instituições
financeiras, nos setores produtivos e de infraestrutura, além de títulos
púbicos, imóveis etc. Há que se implementar adequações nas carteiras por plano,
como veremos adiante, mas o fluxo de caixa e o casamento do ativo e do passivo
do plano demonstram que não temos risco de solvência para os próximos 20, 30
anos.
20.
Nada,
porém, deve nos fazer esquecer que temos graves problemas a serem enfrentados.
Estes problemas têm se aprofundado na medida em que a Previc, órgão fiscalizador
do Governo Federal, deixa de tomar as providências necessárias, embora mais que
alertados pelos conselheiros eleitos de todas as formas possíveis(políticas,
jurídicas, administrativas, institucionais etc.).
21.
Abaixo
vamos analisar os diversos matizes destes problemas. Em primeiro lugar, veremos
as razões do déficit. Depois estudaremos alguns dos principais problemas do
plano e, por fim, vamos expor algumas das principais medidas que estamos
tomando – os conselheiros eleitos da Petros por indicação do CDPP (Comitê em
Defesa dos Participantes da Petros) e as entidades associativas e sindicais que
os apóiam(Federação Nacional dos Petroleiros - FNP e seus sindicatos filiados e
a Federação Nacional das Associações de Aposentados, Pensionistas e Anistiados
do Sistema Petros e Petrobrás – FENASPE e suas associações) – para tentarmos
uma saída positiva aos participantes.
As
razões do déficit do Plano Petros BD
22.
Há
neste momento no Brasil uma situação de crise econômico-financeira de grandes
proporções. Com a contraofensiva dos Estados Unidos da América (EUA) para
enfrentar sua própria crise econômica, mundialmente expressa a partir de 2008,
com a crise imobiliária, e a situação agravante dos países do mercado comum
europeu, o Brasil navegava na “marolinha” da crise e viu a promessa do pré-sal
como redenção da pátria. A “marolinha” virou uma tsunami e o pré-sal de
salvador da pátria, pode virar um pesadelo se as medidas corretas não forem
implementadas.
23.
O
shale gás trouxe aos EUA uma
alternativa para os próximos anos, suplantando o verdadeiro sufoco energético
que os ameaçava. Com ele, os EUA conseguiram desferir uma contraofensiva
econômica para ganhar tempo e poder respirar. O resultado disto foi uma baixa
monumental nos preços do petróleo internacional que atingiu o patamar dos 50
dólares o barril.
24.
Em
última instância acaba atingindo os próprios EUA também, já que não foi
possível até o momento produzir shale gás
com custo de produção inferior a US$65/barril de óleo equivalente. Obviamente,
o EUA tem como interesse estratégico maior dificultar a vida de três dos seus
maiores inimigos, Irã, Rússia e Venezuela, que têm na produção de óleo a
vitalidade das suas economias. E atinge com isto o pré-sal e o Brasil.
25.
Com
isto, todo o esforço para um aumento significativo da produção de petróleo no
Brasil ficou travado por uma situação não prevista, visto que os analistas
privados e do governo apontavam sempre para o petróleo na ordem de US$
100/barril.
26.
A
situação econômica da Petrobrás provocou uma paralisação dos investimentos
previstos para o próximo período. Somadas a isto, as denúncias de corrupção
desembocaram numa crise política sem precedentes na história da república. A
Petrobrás está sendo cotidianamente atacada pelos privatistas, de olho nas
riquezas do pré-sal e no desmembramento da própria holding. Esta crise política e institucional agravou o quadro
econômico financeiro. O derretimento das bolsas de valores no mundo foi a nível
ainda piores no país, com o valor das ações da Petrobrás, Vale, entre outras,
despencando ou caindo a preços bem baixos.
27.
Tanto
os ativos de participação do nosso plano Petros BD, como as ações de giro, e
também os títulos públicos marcados a mercado estão sofrendo este efeito
conjuntural para o qual não vemos perspectivas de mudança no curto ou médio
prazo.
28.
Esta
situação, nunca é demais dizer, se repete nos demais fundos de pensão do país.
Mesmo a Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, com seu
fabuloso superávit que resiste até o momento aos contratempos conjunturais
(para isto o pagamento do BET - Benefício Especial Temporário - foi suspenso no
início do ano, suspendendo a distribuição do superávit da Previ), bem como os
demais fundos de pensão e seus planos de benefício, em menor ou maior escala,
vivenciam o mesmo drama. As ações derretem, comprometendo as “gorduras” que
mantinham ou levando os planos a vivenciarem déficit técnico.
29.
Esta
crise envolve elementos de toda a economia brasileira. Nunca é demais lembrar
que a economia do nosso país está sendo governada a partir do tripé neoliberal
que prioriza (1) a manutenção do ajuste fiscal que contempla um superávit
primário para garantia do pagamento da dívida, (2) o controle inflacionário e
(3) o controle das bandas cambiais. Com este preceito, o governo tem se
utilizado fortemente das taxas de juros através da taxa SELIC, o que encarece o
dinheiro e inibe os investimentos.
30.
Esta
política de caráter claramente neoliberal tem consequências graves em toda a
economia. As dosagens diferenciadas que os Governos Lula e Dilma vinham
administrando cobraram a conta agora, após anos de um processo duríssimo em que
parte importante do pré-sal foi leiloada sob a lei da partilha. A usura do
capitalismo internacional provou o gostinho e quer alijar a Petrobrás da participação
como operadora única do pré-sal. Aproveitando a crise institucional provocada
pelas denúncias de corrupção, os setores entreguistas do congresso travam uma
luta que inclui a possibilidade, ainda que remota, de um pedido de impeachment do atual governo.
31.
Diferentes
setores sociais se levantam nesta contenda, com o mês de março coroando o país
com duas mobilizações de ruas. A primeira no dia 13, com diversas manifestações
pró-governo e em defesa da Petrobrás. A segunda, no dia 15, um domingo, que levou
milhares às ruas contra o governo Dilma, mas com um caráter reacionário
estampado em cartazes e palavras de ordem, atacando, além do governo, minorias
sociais e com tons racistas, além de pedidos de volta da ditadura. Estas
mobilizações são expressões sociais do processo econômico que ficou estagnado
no último ano e se encontra contaminado com as denúncias de corrupção
envolvendo todas as esferas de poder.
32.
O
governo Dilma amargou índices importantes que não lhes dão qualquer refresco. O
principal deles é o Produto Interno Bruto do país (PIB). Em 2014, o PIB ficou
estagnado em + 0,1%, o pior resultado desde 2009, segundo o IBGE, quando a
economia recuou 0,2%. O setor de
serviços contribuiu para o crescimento, mas a indústria mostrou queda de 1,2%,
influenciada pela retração de 2,6% em construção civil e eletricidade e gás,
água, esgoto e limpeza urbana. "O desempenho foi influenciado pelo maior
uso das termelétricas, sobretudo a partir do segundo trimestre do ano",
segundo informou o IBGE. A despesa de consumo das famílias, que durante anos sustentou o
crescimento da economia, avançou menos do que em 2013: de 2,9% para 0,9%.
Tabela 1
33.
Com a queda da produção interna e da importação de bens de capital
(máquinas e equipamentos), os investimentos caíram 4,4% em 2014, a maior
retração desde 1999, quando a baixa havia sido de 8,9%. A contribuição negativa
ficou por conta dos investimentos, que tinham crescido 6,1% em 2013.
Tabela 2
34.
Em 2014, a taxa de investimento foi de
19,7% do PIB, abaixo do registrado em 2013, de 20,5%. Foi a menor desde 2009,
quando chegou a 19,2%. A taxa de poupança recuou de 17% em 2013 para 15,8% no
ano seguinte.
35.
Este
cenário da economia brasileira e da economia mundial não pode ser esquecido nas
análises que realizamos sobre o desempenho dos investimentos da Petros e do
nosso plano Petros BD. Mas obviamente há uma série de outras variáveis muito
importantes a serem consideradas. Apenas para exemplificar a profundidade da
crise econômica e como ela atinge diretamente a Petros, podemos citar a questão
específica da crise da Petrobrás, que não se refletiu apenas no valor de suas
ações no mercado.
36.
Para
além do processo especulativo das bolsas de valores que não refletem muitas
vezes a real situação dos ativos envolvidos, temos dois efeitos muito
importantes da crise provocada pela operação da polícia federal denominada
“Lava Jato”. O primeiro tem a ver com a precificação dos ativos da companhia,
que precisa ser revista sob a ótica do sobrepreço praticado, além dos valores
revelados nos processos de corrupção até agora. Esta reavaliação foi a gota
d’água para a saída de Graça Foster e de toda a diretoria da Petrobrás, que
encontrou valores da ordem de R$ 88 Bilhões que precisam ser revistos pela nova
diretoria, sob o comando de Aldemir Bendine.
37.
O
outro efeito importante a ser considerado é o processo de desinvestimentos da
companhia que precisará enfrentar uma necessidade de fluxo de caixa da ordem de
US$ 11,7 Bilhões. Com isto, a Petrobrás está sendo
obrigada a revisar todo o seu planejamento estratégico previsto. Esta revisão
envolverá novas metas para a produção de petróleo e a exploração do pré-sal.
Com metas muito mais modestas, a direção da companhia trocou a autossuficiência
da produção até 2020 pela manutenção dos atuais níveis de produção no mesmo
período.
38.
Com
isto, uma série de investimentos que a Petrobrás tinha fomentado em diferentes
setores da economia sofrerá grandes reveses. Um deles, muito importante para os
participantes e assistidos da Petros é justamente a construção de sondas e
plataformas marítimas através da iniciativa da constituição da empresa Sete
Brasil.
39.
A
crise mundial e o preço do petróleo lá embaixo, fez com que diversas companhias
reduzissem de forma importante seus esforços produtivos. Há uma queda
substancial na demanda de sondas de produção. A informação dos custos da
Petrobrás indica uma redução de 6 a 9% no valor dos aluguéis de sondas. A Sete
Brasil também está envolvida na “Lava Jato”.
40.
A
empresa Sete Brasil foi um esforço de investimento que o Governo Brasileiro
fez, junto com a Petrobrás, envolvendo bancos, financiamentos do BNDES e os
fundos de pensão para construção de 29 sondas e navios-sondas nos próximos anos
no sentido de atender ao plano de exploração do pré-sal. A perspectiva deste
ativo hoje é bastante problemática. Contraditoriamente, neste momento de crise,
a Petrobrás já não demonstra mais interesse neste investimento. Portanto, neste
momento, nosso entendimento é que somente uma decisão de Governo poderá salvar
a Sete Brasil de um desastre.
41.
Obviamente
que este processo não impactará somente a empresa Sete Brasil. Há uma
expectativa grande no setor petroleiro em relação a manutenção ou não dos
contratos com as empresas terceirizadas que prestam manutenção ou que são
responsáveis pelas obras da Petrobrás em todo o país. Para além dos números
frios da economia, estamos falando da possibilidade de demissão de milhares de
trabalhadores terceirizados da Petrobrás que, provavelmente será acompanhada de
um novo plano de demissões voluntárias que poderá ser oferecido aos
trabalhadores contratados diretos da Petrobrás.
42.
Empresas
como a Lupatech, na qual a Petros fez aplicações vultosas, estão nesta lida
também, embora, neste caso, a crise só faz com que a situação seja ainda mais
complicada em função dos diversos problemas que a Lupatech vem enfrentando e
que são de origem da gestão financeira daquela empresa. Mas não somente ela. A
crise econômica se estende para além do setor petroleiro ou de energia.
43.
Um
exemplo importante para nossa compreensão foi a divulgação do balanço
financeiro do BNDES. Segundo a assessoria de imprensa do banco de fomento, a
instituição que, registrou um lucro no exercício de 2014 de R$ 8,59 Bilhões,
estimou perdas em função da desvalorização das ações da Petrobrás da ordem de
R$ 1 Bilhão, com uma queda de R$ 1,6 Bilhão no valor patrimonial. O próprio
banco alerta: “Mas é um montante potencialmente recuperável, à medida que se
valorizem os papéis da Petrobrás”. Ou seja, para podermos entender a situação
da Petros, precisamos entender a profundidade da crise mundial e do Brasil.
44.
Nos
próximos textos vamos abordar ainda outros temas importantes para esta
compreensão a partir de uma análise geral da carteira de investimentos da
Petros, da carteira de crédito privado, a questão das provisões matemáticas e
as providências que estamos tomando, os conselheiros eleitos da Petros sobre os
diferentes desafios colocados.
*
Ronaldo Tedesco é conselheiro fiscal da Petros e Silvio Sinedino é conselheiro
deliberativo da Petros, eleitos pelos trabalhadores para a gestão 2013/2017.
São também diretores da AEPET – Associação dos Engenheiros da Petrobrás. Ambos
são conselheiros certificados pelo ICSS – Instituto de Certificação dos
Profissionais de Seguridade Social.
Nenhum comentário:
Postar um comentário