Balanço das eleições da Petros 2017
As eleições da Petros deste ano
terminaram com a vitória das duplas Ronaldo Tedesco/Marcos André para o
Conselho Deliberativo (CD) e Vânia Mattos/Cardoso para o Conselho Fiscal (CF).
O grande ausente nesse processo, no entanto, foi o eleitor. De cerca de 140 mil
participantes e assistidos, menos de 14% dos eleitores votaram, perfazendo
pouco mais de 19 mil votantes.
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A baixa participação dos
participantes e assistidos da Fundação na escolha de seus representantes junto
aos conselhos é preocupante na medida em que a Petros passa por um dos momentos
mais graves de sua história. Um déficit técnico da ordem de R$ 26 bilhões no
Plano Petros do sistema Petrobrás (PPSP) e investimentos que estão envolvidos
em denúncias de má gestão ou corrupção parecem não ter sido suficientes para
que participantes e assistidos da Fundação quisessem exercer o direito de escolher
seus conselheiros.
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As eleições aconteceram em um
momento de crise das representações. O país todo está questionando a legitimidade
de seus representantes políticos. Presidentes, parlamentares e juízes, nenhuma
figura pública está fora das críticas morais e éticas que tomam conta dos
debates, muitos acalorados, sobre o futuro do Brasil.
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No campo dos trabalhadores, sindicatos,
associações e lideranças são questionados da mesma forma. Um espaço se abre
para as candidaturas e lideranças sem um compromisso histórico com as lutas
coletivas dos trabalhadores. Se por um lado, é importante que as entidades
sejam cobradas e questionadas, não acreditamos que as representações por fora
das organizações dos trabalhadores possam manter seu caráter de independência
frente às pressões existentes na luta em defesa dos interesses dos
participantes e assistidos. Não há independência na representação dos conselhos da Petros. Ou se atua a favor
das patrocinadoras ou se atua a favor de participantes e assistidos.
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O esvaziamento dessas eleições deve ser objeto de profunda
avaliação por parte de todos nós, afinal de contas somos mesmo os donos da Fundação
ou vamos abdicar do nosso direito de comando e controle deixando que a Petros
continue a ser gerida como um quintal da Petrobrás?
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CD: Vitória da
chapa apoiada pela FNP/FENASPE/GDPAPE
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A crise de representatividade,
porém, não impediu a vitória de Ronaldo Tedesco/Marcos André para o CD, na chapa
apoiada pela Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) e a Federação Nacional
das Associações de Aposentados, Pensionistas e Anistiados dos Sistemas
Petrobrás e Petros (FENASPE). A votação obtida por essa chapa reflete a
pulverização das candidaturas independentes ao CD e o trabalho incansável
realizado pelos atuais conselheiros eleitos que mantêm
independência dos governos e partidos políticos.
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São 14 anos recomendando a
rejeição das contas da Petros. Durante o mandato
de Ronaldo Tedesco/Marcos André no Conselho Fiscal da Fundação houve intenso trabalho de
esclarecimento dos pontos controversos das demonstrações contábeis que
resultou na unanimidade entre os
membros do CF na recomendação da rejeição das contas da Petros.
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Essa rejeição unânime colocou a discussão sobre os
problemas da Fundação em outro patamar. Houve uma elevação do conceito do
“Conselho Fiscal da Petros” frente às patrocinadoras e aos órgãos de
fiscalização. O debate técnico dos conselheiros eleitos passou a ser
considerado como um diferencial institucional.
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A ponto de a Petrobrás
reconhecer junto à SEC (a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA) a
inconsistência do cálculo do passivo atuarial dos seus planos administrados
pela Petros. Esse apontamento é feito há 14 anos pelos conselheiros eleitos.
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E possibilitou também a cobrança
de duas dívidas da Patrocinadora Petrobrás para com o PPSP (contribuições sobre
RMNR de setembro de 2007 a agosto de 2011 e regresso das ações judiciais),
episódios históricos para a Fundação, que desde meados da década de 1990 não cobrou
qualquer dívida à Petrobrás. Nesse sentido, se justifica o apoio do Grupo de
Defesa dos Participantes da Petros (GDPAPE) à candidatura de Ronaldo Tedesco/Marcos
André ao CD da Petros, num trabalho unitário de formulações técnicas para essa
estratégia comum.
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Não podemos deixar de citar o apoio dos companheiros do Sindmar e do Sindiquímica Caxias, cuja atuação sempre em sintonia com os conselheiros eleitos tem trazido uma unidade fundamental na defesa dos direitos de participantes e assistidos da Transpetro e de empresas privatizadas do ramo petroquímico.
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Não podemos deixar de citar o apoio dos companheiros do Sindmar e do Sindiquímica Caxias, cuja atuação sempre em sintonia com os conselheiros eleitos tem trazido uma unidade fundamental na defesa dos direitos de participantes e assistidos da Transpetro e de empresas privatizadas do ramo petroquímico.
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CF: Derrota das organizações dos trabalhadores
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Todos esses apoios, no entanto, não foram
suficientes para permitir a vitória da chapa composta por Agnelson
Camilo/Adaedson Costa, apoiada pela FNP/FENASPE, ao Conselho Fiscal. O fato de
não haver pulverização de candidaturas independentes a este conselho, foi
decisivo.
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Deve-se incluir na
análise que a candidatura de Arthur Ferrari/Fernando Maia (chapa apoiada pela
Federação Única dos Petroleiros - FUP) retirou uma boa parte dos votos de
Agnelson/Adaedson, visto que Arthur Ferrari rompeu com a FNP às vésperas do
processo eleitoral.
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Apesar de ter mantido o discurso
de ética como estratégia eleitoral, como candidato da FUP cometeu o deslize
ético de sequer avisar seus possíveis eleitores de que havia mudado de ideia e que
não apoia mais as teses e iniciativas da FNP/FENASPE. Esse comportamento não
ajudou a esclarecer aos eleitores quais seriam suas posições, caso fosse
eleito.
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Não por acaso, acabou o processo eleitoral sem que o candidato da FUP aceitasse
realizar um debate de suas propostas para a defesa dos interesses dos
participantes e assistidos, visto que com a FUP, agora deverá defender a
divisão do PPSP (cisão do nosso plano) e a falsa ideia de que não existem
dívidas das patrocinadoras a serem cobradas (a FUP nunca cobrou quaisquer
dívidas quando esteve à frente da Petros com seus diretores nomeados pela
Petrobrás).
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A Federação Única dos Petroleiros
(FUP), aliás, foi mais uma vez a grande derrotada no pleito eleitoral da
Petros. Seu papel frente à Fundação foi objeto de um balanço duro de participantes
e assistidos. A FUP teve um papel decisivo na escolha dos dirigentes da Petros
responsáveis, não somente pelos maus investimentos e envolvidos em diversas
denúncias de corrupção, como também da má gestão do passivo atuarial da
Fundação.
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O próprio candidato da FUP ao
Conselho Deliberativo afirmou que a Petros funcionou sempre como um “puxadinho”
do RH da Petrobrás. Essa gestão pró-patrocinadora Petrobrás e pró-mercado à
frente da Petros desaguou no déficit técnico de R$ 26 bilhões no PPSP e na
situação atual da imagem da nossa Fundação, questionada por participantes e
assistidos. Ainda assim, a FUP consegue se manter como liderança de uma camada
importante de participantes e assistidos que deposita sua confiança naquela
federação.
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Neste contexto não pode ser esquecido o papel melancólico
nas eleições que coube à AMBEP, maior associação de petroleiros ativos e
aposentados, que, não foi capaz de assumir uma posição de liderança no processo,
discutindo com suas congêneres quais os melhores candidatos para defender os
interesses de participantes e assistidos na Petros. Isto sem dúvida contribuiu
para o esvaziamento das eleições.
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Construir a Unidade para Cobrar as Dívidas
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O desafio colocado aos
representantes eleitos aos conselhos
da Petros e às suas entidades representativas é grandioso. A Petros estará
apresentando nos próximos dias o plano de equacionamento do déficit técnico do
PPSP. Essa conta não pode ser paga pelos participantes e assistidos. É
fundamental que a cobrança das dívidas que a Petrobrás mantém com o nosso plano
seja realizada para que
participantes e assistidos não tenham que pagar por aquilo que não é de sua responsabilidade.
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Não há como considerar que
conselheiros eleitos possam ser vitoriosos nessa batalha, sem que as entidades representativas dos
participantes e assistidos tomem essa luta como prioritária.
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Por esse motivo, o Sindipetro-RJ, uma das entidades
ligadas à FNP aprovou o chamado à construção de um Fórum Unificado de Luta pela
Cobrança das Dívidas com o Plano Petros. Todos aqueles sindicatos e associações
que representem participantes e assistidos da Petros devem participar para
discutir a coordenação das iniciativas hoje existentes. O sucesso dessas
iniciativas é fundamental para que participantes e assistidos não paguem por aquilo
a que não deram causa.
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As mentiras nas
eleições e também fora delas
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Ao longo do processo eleitoral,
tanto a FUP como algumas candidaturas “independentes” utilizaram o método da
calúnia e da difamação para buscar ganhar alguns votos de eleitores irritados e
mal informados. A principal mentira, que vem acompanhando a atuação dos
conselheiros eleitos que mantém independência dos governos e partidos políticos
ao longo dos últimos anos, é de que sua
atuação tem sido nula, ou ainda, favorável às últimas gestões.
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O fato, incontestável, é que
estivemos realizando denúncias fortemente documentadas sobre todas as gestões
que estiveram à frente da Petros nos últimos 15 anos. Foram mais de 70
investimentos cuja prática de gestão comprovadamente levou à prejuízos o nosso
patrimônio, encaminhados tanto à
Previc – órgão de fiscalização dos fundos de pensão, como ao Ministério Público
Federal, entre outros. Atuamos junto às entidades sindicais da FNP e
associações da FENASPE para o encaminhamento de ações judiciais em defesa dos
interesses dos participantes e assistidos. São inúmeras as ações para defesa
dos benefícios, retirada do limitador de pagamento (já conquistada ao final de
2015), cobrança de dívidas, fim do teto pós-82, etc.
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Essa atuação, repetimos, culminou
no início deste ano com a cobrança da dívida das contribuições sobre a RMNR e
do contingente judicial. Hoje vemos os representantes da FUP tentando sair bem
na foto, mas a história lhes reserva um papel triste nas lutas dos
participantes e assistidos da Petros.
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Itausa não é exceção
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A grande acusação aos conselheiros eleitos que mantêm
independência dos governos e partidos políticos foi nosso posicionamento em
relação à compra da participação em Itausa. Esse episódio está sendo
investigado dentro e fora da Petros. E nossa postura tem sido de tranquilidade,
pois, se é verdade que há diversos elementos que hoje comprovam a gestão, no
mínimo, equivocada da Petros nessa operação, também é verdade que não teríamos
condições de verificar as irregularidades no momento da aprovação do
investimento. O próprio líder dos nossos acusadores afirmou recentemente: “eu
também teria aprovado o investimento”. Tanto é verdade que, três meses após a
operação de aquisição de Itausa, o mesmo acusador assinou a rejeição das contas
da Fundação, sem escrever, na ocasião, uma linha sequer condenando a operação Itausa.
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Para nós, Itausa, repetimos, será
tratada como os demais investimentos irregulares da Petros, sem distinção ou
exceção.
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A defesa do Plano Petros 2
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Sempre dissemos, em primeiro
lugar, que o PPSP, plano original dos petroleiros é o melhor plano do mundo. A Petrobrás não desejou manter seus
compromissos com os petroleiros no nível que era até a década de 2000. E, com a
ajuda fundamental da FUP, realizou a repactuação do PPSP, e também a criação do
Plano Petros 2 (PP-2).
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Da mesma maneira que defendemos contra o
fechamento do PPSP aos novos funcionários, orientamos a todos os novos
companheiros que entrassem no PP-2 e garantissem tanto o plano de previdência
(a Petrobrás manteve por cinco anos os novos funcionários somente com um seguro
de vida) como também o serviço passado pago pela companhia.
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Vimos que alguns candidatos
atacaram a rentabilidade do PP-2, dizendo que é menor que a poupança. Queremos
reafirmar que a rentabilidade do PP-2 está ainda distante do que pode ser, a
partir de uma gestão ativa dos investimentos do Plano, inclusive na renda fixa.
Mas o PP-2 é superavitário e tem rentabilidade acima da meta atuarial do PPSP
(que é utilizada como referência na Petros para nosso acompanhamento técnico).
Há muita coisa errada na Petros e ainda muito a se fazer, mas não podemos
concordar com críticas sem fundamento, que levam somente desesperança aos
participantes da Fundação, o que também pode explicar parte do esvaziamento das
eleições.
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Acusações morais e éticas
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Outro infeliz boato que os
candidatos desesperados lançaram foi de que Ronaldo Tedesco havia sido
advertido pela Petros por divulgar documentos confidenciais.
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Os conselheiros eleitos
divulgaram o parecer do Conselho Fiscal sobre as contas da Fundação. Essa
divulgação foi em abril, após a assinatura do parecer por unanimidade. A Petros
teima em manter participantes e assistidos sem informações por meses à fio. Em
2015-2016 os participantes ficaram sem informações de novembro de 2015 a junho
de 2016. Sete longos meses sem que o Conselho Fiscal pudesse exercer seu papel
e sem que participantes e assistidos tivessem conhecimento dos números da
Petros.
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Nesse ano, a Diretoria da Petros
manteve participantes e assistidos da Fundação sem conhecimento dos números
desde novembro de 2016 até o final do mês de maio, apesar da patrocinadora
Petrobrás receber essas informações muito antes. Esse é o grande problema de
governança da Fundação. Os seus donos – os participantes e assistidos – não
podem ficar sem conhecer as informações fundamentais para poderem acompanhar o
seu patrimônio. Não há qualquer problema em divulgar o parecer do Conselho
Fiscal. Há muitos problemas em trancar os resultados da Petros a sete chaves,
longe dos olhos dos seus donos, os participantes e assistidos. A ética é o
critério da verdade.
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Sem União não há solução
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Se o esvaziamento das eleições
enfraquece a defesa dos nossos interesses na Petros, não podemos perder a
oportunidade de avaliar as suas causas, e a partir desse diagnóstico fazermos,
todos, nossas autocríticas e mudarmos nossos tratamentos recíprocos. Lembrando
que enquanto trabalhadores, nossa União é o que nos garantirá chegar a bom
porto.
Pois é Tedesco, os donos do Plano, seja PPSP ou PP2, continuam assinando um cheque em branco para a empresa a medida em que deixam de participar de um processo importante como este, de escolha direta dos seus representantes nos conselhos. Estranho foi a postura do candidato Fernando Ferrari, que apoiava a luta da FNP e passou para o lado da FUP. Quanto a esta, a FUP, você pode esquecer, o interesse deles é o poder e não os interesses dos ativos e beneficiários, já foi, num passado muito distante, basta lembrarmos que ela se uniu a empresa para implantar o PP2 e de troco ainda patrocinar a separação de massas. Em nenhum momento ela se posicionou contra as ingerências cometidas contra o Plano, muito pelo contrário, assinou embaixo de tudo o que foi feito, o único senão, que tem sido por ela cobrada é quanto a decisão de compra das ações da Itaúsa, porém este investimento pelo que vocês informam, está sendo investigado da mesma maneira que os demais, somente após a conclusão destas investigações é que poderemos saber se houve ou não ilícitos quando da sua realização. Em vista do exposto, pela sua vitória, eu só posso te dizer, toca o barco companheiro, influencie positivamente os seus pares para que sejam ajuizadas as ações para a cobrança à Petrobras do que seria dela a responsabilidade e não dos associados do Plano.
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