Um artigo de Paulo Brandão*
Prezados Participantes e Assistidos da PETROS.
O projeto da criação do empreendimento Sete Brasil tem como objetivo a
construção específica de navios sondas para atuar na produção de petróleo
existente no Pré-sal e visa, também, a geração de empregos no país e proteção à
indústria brasileira pelo uso de material de procedência nacional. Contou com a
participação de Bancos, Fundos de Pensão de base estatal e de base privada e de
outras empresas de capital nacional e estrangeiro.
O maior acionista, o Banco BTG
PACTUAL, é investidor tradicional em negócios bem sucedidos e, da mesma forma
que BRADESCO e SANTANDER, conta com equipe de especialistas em análise de
investimentos.
Informamos adiante, para esclarecimento e entendimento da composição do
investimento e estágio da execução das construções das sondas e do planejamento
para manutenção do sucesso do empreendimento, em face dos problemas causados
pela situação financeira da contratante PETROBRAS, em virtude das consequências
do que foi apurado pela operação Lava Jato.
Sete Brasil Part. S.A.:
A Companhia tem por objetivo a
gestão de portfólio de ativos de exploração do setor de óleo e gás, com o
propósito de contratar a construção, operar e/ou afretar ativos de exploração de
petróleo em águas ultraprofundas e tem atualmente como único cliente a
Petrobras.
FIP SONDAS:
Veículo de investimento do capital social da Sete Brasil.
Ø
Gestor e Administrador: Caixa Econômica Federal;
Ø
Capital Comprometido pelos quotistas: R$ 7,9
bilhões;
Ø
Patrimônio atual: R$ 6,9 bilhões (avaliação
econômico-financeira independente maio/2015);
Ø
Prazo de Duração: 20 anos, sendo 10 anos de
investimento e 10 anos de desinvestimento, prorrogáveis, ao final, ano a ano; e
Ø Auditor: PricewaterhouseCoopers
(PwC) Auditores Independentes.
Relação dos atuais quotistas do
FIP Sondas, acionista da Sete Brasil o qual detém 95% do capital da Companhia,
sendo os demais 5% pertencentes à Petrobras.
BTG Pactual, Petros, Funcef,
FI-FGTS, Santander, EIG, Petrobras, Luce, Bradesco, Valia, Previ e Lakeshore.
Em relação ao cronograma
físico-financeiro das obras, cumpre destacar que, devido aos problemas supra
mencionados, a evolução da construção junto aos estaleiros encontra-se abaixo
do projetado, porém, o avanço financeiro, quer seja, os pagamentos realizados
aos estaleiros, encontra-se ainda mais defasado em relação ao planejado.
Plano de Reestruturação Sete
Brasil:
Ø
Desde o final de 2014, uma série de eventos vem
impactando negativamente o andamento dos negócios da Sete Brasil,
principalmente relacionado às investigações da Operação Lava Jato, que levaram
o BNDES a interromper as negociações para a concessão do financiamento de longo
prazo (fev/15).
Ø
Como consequência, os credores de curto prazo,
em fevereiro de 2015, não aprovaram a extensão das dívidas, o que levou a Sete
Brasil ao estado de inadimplência no montante de mais de USD 4,0 bilhões
(Debêntures e Empréstimos-Ponte).
Ø
Para evitar a execução destas dívidas, a Sete
Brasil celebrou, em 31/03/2015, o Instrumento de “Standstill”, o qual
estabelece que até 29/06/15, os credores não poderão tomar qualquer medida ou
exercer qualquer direito decorrente das dívidas atualmente existentes contra a
Companhia ou suas subsidiárias, objetivando a definição de um Plano de
Reestruturação da Companhia.
A estruturação do Plano de Reestruturação possui
com expectativa os seguintes pilares:
Estratégicos:
·
Redução do número de sondas, em linha com a
capacidade atual de financiamento e a necessidade do cliente Petrobras.
·
Deverá ocorrer uma negociação direta com a
Petrobras para identificar a quantidade e os prazos exigidos e demandados, o
que poderá alterar o cronograma proposto no plano de reestruturação.
Financeiros:
·
Estrutura de capital adequada ao fluxo de caixa
operacional da Companhia, captação de dívidas de longo prazo, para fazer frente
aos investimentos, bem como alongamento das dívidas atuais.
Operacionais:
·
Alteração do modelo societário para viabilizar o
plano de reestruração da Companhia, podendo a Sete Brasil passar a operar diretamente
as sondas.
Principais objetivos do Plano de Reestruturação :
1. -Redução dos riscos de
financiamento, construção, operação e execução do projeto, por meio da
diminuição do número de variáveis e parceiros envolvidos e da simplificação de
sua estrutura;
2. -Garantia da financiabilidade
de um projeto reduzido, com plano de investimento mais adequado à
disponibilidade de “funding” e necessidades da Petrobras;
3. -Fortalecimento da estrutura
de capital e reperfilamento dos passivos de curto prazo, de modo a adequar o
pagamento dos passivos financeiros ao fluxo de caixa e disponibilidades de
curto prazo;
4. -Pagamento dos passivos junto
aos estaleiros e retomada da construção das sondas;
5. -Garantia de rentabilidade
mínima que possibilite a captação de novos recursos próprios e, eventualmente,
com novos acionistas.
6. -Redução do risco de construção, concentrando os recursos
disponíveis nos estaleiros de melhor performance;
7. -Adequação do início dos
Contratos de Afretamento com o novo cronograma de entrega dos Contratos de EPC;
e
8. -Ajuste do modelo de negócios
da Companhia, a qual passará a operar suas unidades e, com isso, reduzir
custos, permitir maior agilidade na implementação do Plano e na tomada de
decisões.
Cabe ressaltar que a efetivação deste
Plano depende da aprovação das diversas partes envolvidas, como: Credores,
Estaleiros, Petrobras e Acionistas (Sete Brasil e Operadores), sendo certo que,
a viabilização da quantidade de variáveis envolvidas no Plano de Reestruturação
irá requerer enorme esforço adicional, com negociações específicas e
individuais.
O fato real que não se pode
entender diferente é o esforço de todos os investidores na solução do problema
causado pelo esquema de corrupção que levou a Petrobras a ter que refazer
drasticamente seu Plano de Negócios.
Exatamente por essa razão o
Governo que incentivou a criação do empreendimento para manter atuante a
indústria de construção naval nacional e a Petrobras para a execução da sua
obrigação legal como operadora única da exploração do Pré-sal, tem a obrigação
de participar efetivamente para o sucesso do projeto, inclusive mantendo o
financiamento através do BNDES e inclusão como prioridade no Plano de Negócios
da Petrobras.
* Paulo Brandão é Presidente da Fenaspe e Conselheiro
Deliberativo da Petros.
Clique aqui para acessar o video do depoimento de Paulo Brandão na CPI da Petrobrás no dia 30/06/2015.
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