CARTA ABERTA DOS CONSELHEIROS ELEITOS AOS PARTICIPANTES DA PETROS
Na semana passada os jornais
publicaram matérias sobre a renúncia em caráter irrevogável, do Diretor
Maurício França Rubem do cargo de Diretor de Seguridade da Petros, após 12 anos
na Entidade. Em meio a tantas denúncias sobre o envolvimento das investigações
da Operação Lava-Jato na Petrobrás com as operações financeiras na Petros, o
questionamento entre participantes é crescente. A falta de informações leva a
fazer ilações sobre os membros da diretoria executiva da entidade e até mesmo sobre
os conselheiros deliberativos e fiscais.
O fato que temos até agora é apenas
e tão somente a renúncia do diretor Maurício Rubem. Não há, que saibamos, quaisquer
provas, até o momento, de envolvimento dos atuais diretores da Petros com as denúncias
de corrupção. Na verdade, seria uma notícia muito ruim este tipo de impropriedade
envolvendo diretores ou conselheiros da Petros. Nenhum participante sério gostaria
de ver nosso fundo de pensão nas páginas dos jornais,envolvidos em tramas de
corrupção.
A Luta em Defesa dos Participantes - Ao longo dos anos, inúmeras
e profundas divergências políticas e técnicas com a atual e as anteriores
diretorias da Petros vêm sendo demarcadas pelos conselheiros eleitos por
indicação do CDPP (Comitê em Defesa dos Participantes da Petros) que reúne e
unifica a atuação das associações ligadas à Fenaspe (Federação Nacional das
Associações de Aposentados, Pensionistas e Anistiados do Sistema Petros e
Petrobrás) com os sindicatos ligados à FNP (Federação Nacional dos Petroleiros)
e outras entidades independentes.
Podemos citar diversas batalhas que
travamos, desde a cobrança das dívidas da Petrobrás para com o nosso plano; o
fechamento ilegal do Plano Petros do Sistema Petrobrás, abalando o direito de
milhares de novos funcionários da Petrobrás; a repactuação dos direitos do
mesmo plano, impondo perda de direitos; a assinatura do Acordo de Obrigações
Recíprocas, perdoando parte significativa das dívidas da Petrobrás e promovendo
um “possível” pagamento de longuíssimo prazo com vencimento previsto em 2028; a
criação do Plano Petros 2, na modalidade CV (contribuição variável) promovendo
nova dilapidação de direitos dos novos funcionários; o multipatrocínio, com
financiamento indevido e ilegal da administração dos novos planos através da
utilização dos recursos do fundo administrativo do Plano Petros do Sistema
Petrobrás e do Plano Petros 2; a aquisição de diversos ativos que temos
denunciado como prejudiciais à Fundação, em especial relativas aos
investimentos em infraestrutura em “parceria” com o Governo Federal; o
provisionamento para perdas de grande parteda carteira de crédito privado da
Entidade; encaminhamentos equivocados na retirada de patrocínio de diversos
planos, notadamente, no momento, a retirada dos Planos Petros Braskem, Copesul
e PQU; a negativa sistemática em garantir a disposição constitucional de
paridade na gestão da Entidade através de eleições para Diretor de Seguridade e
Diretor de Administração; a recusa em pautar assuntos referidos pelos
representantes dos participantes; o abandono das melhores práticas de gestão e
um número extravagante de denúncias e consultas encaminhadas pelos conselheiros
eleitos e pelo Conselho Fiscal da Petros aos órgãos fiscalizadores (Previc,
CVM, Ministério Público, Parlamentares etc.).
Em todas estas batalhas estivemos
em lados opostos aos atuais diretores, que contaram com o apoio incondicional
da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e do conselheiro traíra e
irresponsável que representa os interesses daquela federação, apoiando a patrocinadora
Petrobrás no conselho deliberativo da Petros.
Apesar de nossa vigilância
permanente na atividade de fiscalização nos conselhos da Petros, não podemos
citar, sem sermos levianos, quaisquer relacionamentos indevidos de Diretor
Maurício Rubem com atividades imorais relativas às denúncias que hoje estão
sendo apuradas pela Polícia Federal.
Apurações devem ir até o fim - É bem verdade que o poder de
investigação que temos é extremamente limitado, tanto no conselho deliberativo
como no conselho fiscal. Podemos averiguar as operações somente em relação às
atividades da Petros, sem poder comprovar nada relativo aos demais atores
envolvidos. Assim, para a tranquilidade de todos, é muito importante que as
investigações tenham continuidade e sejam levadas a cabo. Não poderemos nem
vamos suportar corruptos e corruptores em nossa Entidade.
As diversas origens da atual crise - No entanto, estas
divergências internas na Diretoria Executiva da Petros não vêm de hoje e estão
se acumulando há meses. Desde a reestruturação realizada a partir do Plano de
Cargos e Salários, com o descolamento da remuneração dos diretores para fora da
folha de pagamento dos funcionários, temos visto os membros da diretoria em
rota de colisão. Este processo é acompanhado pelos funcionários que ocupam
cargos de gerência na Entidade.
A Petros tem uma folha de pagamento
modesta para a importância que tem no sistema de previdência complementar.
Entre os principais desafios está a situação dos empregados na área de
investimentos, que sofre com um rodízio muito grande.Para tentar amenizar esta
situação é comum que gerentes assumam cargos de conselheiros administrativos ou
fiscais em ativos que a Petros participa, complementando com os valores
pró-labore recebidos por estes cargos, sua remuneração. Esta sistemática vinha
sendo questionada pelos conselheiros eleitos, que já propuseram, e não foi
aceito, que participantes e assistidos do fundo de pensão sejam nomeados
conselheiros nos ativos em que a Entidade possui participação, assim como é
feito com sucesso na PREVI.
Com a implantação do novo Plano de
Cargos e Salários, o presidente anterior, Luís Carlos Afonso, e o atual, Carlos
Fernando Costa, procuraram fazer uma concentração destes representantes em
conselhos beneficiando os gerentes da área de investimentos. E, é claro, para
dissabor generalizado das gerências das demais diretorias. Desde então a
polarização interna da Petros não parou de ser um elemento de crise da Entidade.
A disputa interna teve um momento diferenciado quando da saída do presidente
anterior e a posse do atual presidente. O então Diretor Administrativo e
Financeiro, Newton Carneiro da Cunha, passou a assumir a Diretoria de
Investimentos, a contragosto do atual presidente, que mantém uma postura
desrespeitosa desde então. A Diretora Administrativa e Financeira Helena
Kerr do Amaral colocou mais elementos de desconfiança nesta crise com sua
saída, até agora sem uma clareza dos motivosreais.
Parte importante desta disputa foi
a proposta de substituição dos diretores Maurício França Rubem e Newton
Carneiro da Cunha, respectivamente Diretores de Seguridade e de Investimentos,
que foi feita na reunião ordinária do conselho deliberativo da Petros emjaneiro
deste ano. Os dois diretores só souberam de suas substituições pela publicação
da pauta da reunião. O pior foi conhecer os nomes indicados para os
substituírem: tiveram o desprazer de verificar que eram seus parceiros da FUP,
Carlos Cotia, atual Ouvidor da Petros e Danilo Ferreira da Silva, suplente do
conselheiro traíra e atualmente ocupando o cargo de assessor do presidente da
Entidade. Todos os dois com currículosimpróprios para a responsabilidade dos cargos
de diretores a que foram indicados. Essa proposta gerou imediato repudio formal
ao presidente do conselho deliberativo da Petros, Diego Hernandes, por parte
dos Conselheiros Paulo Brandão e Silvio Sinedino.
A manobra só não foi adiante por
que a Presidente Graça Foster fora alertada e adiou a decisão. A Presidente
considerava que tais substituições num momento em que a Petros vem sendo
investigada pela própria Petrobrás e pelos órgãos públicos, poderia gerar um
entendimento de envolvimento dos dois diretores com as denúncias que estão
sendo apuradas.A iniciativa foi anulada naquele momento, mas a crise
institucional da Petros continuou e se aprofundou.
Os diretores Maurício e Newton
apresentaram ao Presidente do Conselho Deliberativo, Diego Hernandes, carta
solicitando providências em relação a diversos problemas de gestão que a
Entidade vinha enfrentando.
A Diretoria Executiva da Petros tem
obrigação estatutária de se reunir duas vezes por mês, ordinariamente, e tantas
quantas forem necessárias de forma extraordinária. Desde dezembro do ano
passado, só foram realizadas duas reuniões. O atual presidente também excluiu
da pauta todos os assuntos que julgou não serem urgentes, notadamente os
pautados pelos diretores Maurício e Newton. Os assuntos se acumulam na entidade.
Tudo isto sem que qualquer atitude prática tenha sido tomada pelo presidente do
conselho deliberativo, apesar das inúmeras provocações através de memorandos
que foram protocoladas pelos conselheiros eleitos Paulo Brandão e Silvio
Sinedino. E, como consequência, os Conselheiros Paulo Brandão e Silvio Sinedino
exigiram que o assunto fosse debatido pelo Conselho visando a substituição de
toda diretoria com eleição de dois diretores pelos participantes e assistidos,
mas a deliberação foi adiada para a próxima reunião a se realizar no dia 02 de
março.
A paralisia da Diretoria Executiva
chegou ao seu ápice com o episódio da Administração Especial pela Previc dos
Planos Petros PQU e Copesul, em retirada de patrocínio. A Previc meteu os pés
pelas mãos, contrariando a legislação vigente. A Diretoria contratou um parecer
jurídico externo que suporta a determinação da Previc e, com isto, abriu mão de
seu dever fiduciário, de proteger os interesses dos participantes e assistidos
da Petros. E desaguou na reunião da sexta-feira, véspera de carnaval, quando o
Diretor Maurício apresentou sua renúncia em caráter irrevogável. A diretoria
executiva da Petros se encontra resumida ao seu Presidente e ao Diretor de
Investimentos, Newton Carneiro, visto que o Diretor Maurício Rubem acumulava as
diretorias de Seguridade e de Administração e Financeiro.
Nossa proposta de saída desta crise: Mais transparência e mais democracia
- Não há motivos, portanto, para se preservar quaisquer dos
atuais diretores da Petros após todos estes episódios. Mesmo a permanência do
atual Presidente do Conselho Deliberativo da Petros, Diego Hernandes, poderá provocar
desconfiança de que poderemos seguir adiante com tranquilidade, visto sua
passividade e complacência com estes graves problemas de governança.
Diante disto tudo, e agravado pela
saída recente da presidente da Petrobrás e sua diretoria, com a nomeação do
novo presidente, Sr. Aldemir Bendine, os conselheiros eleitos da Petros estarão
apresentando mais uma vez à direção da Petrobrás a exigência da implantação imediata
da paridade constitucional na gestão através de eleições para os cargos de Diretor
de Seguridade e Diretor Administrativo, bem como a implantação imediata dos
comitês gestores por plano.
Tais propostas podem ser
imediatamente implantadas e não o foram até agora por influência política
indevida da própria FUP junto à Petrobrás e por complacência do atual
Presidente do Conselho Deliberativo da Petros.
Com estas propostas, trazendo mais
transparência e mais democracia ao nosso fundo de pensão esperamos poder
superar a crise política e institucional da Entidade, colocando novamente em
primeiro lugar os interesses dos participantes e assistidos da Petros.
Agnelson Camilo da Silva
Emídio Rebelo Filho
Epaminondas de Souza Mendes
Fernando Leite Siqueira
Marcos André dos Santos
Paulo Teixeira Brandão
Ronaldo TedescoVilardo
Silvio Sinedino
Prezados Conselheiros,
ResponderExcluirQual o melhor meio de comunicação com os senhores?
pode ser por e-mail:
Excluirptbrandao@gmail.com
ou
sinedino@yahoo.com
ou
pamimendes@bol.com.br
ou
ronaldotedesco@petros.com.br