sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Respostas de Ronaldo Tedesco a jornalista de O Globo


Respostas de Ronaldo Tedesco a jornalista de O Globo

Publicado originalmente no site da AEPET (www.aepet.org.br)
Data: 05/02/2015 
Autor: Ronaldo Tedesco
Veja a seguir as respostas do diretor de Comunicações da AEPET, Ronaldo Tedesco, que é conselheiro da Petros eleito pelos funcionários, ao jornalista Rennan da Rocha Setti, de O Globo.

Perguntas de Rennan da Rocha Setti:

1) Quais riscos as investigações em curso podem trazer para o patrimônio e a rentabilidade da Fundação?

2) Os participantes estão preocupados? 

3) Há risco de ser necessária uma contribuição complementar dos participantes e mesmo da patrocinadora?  


Respostas de Ronaldo Tedesco

A percepção dos participantes da Petros com relação às investigações da Lava-Jato e da própria Petrobras é de muita preocupação. Vários participantes têm perguntado sobre a possível participação de executivos da fundação em esquemas de corrupção.

Há uma série muito grande de negócios da Petros que temos buscado investigar (na medida que podemos investigar, pois o conselho fiscal tem poderes muito limitados para investigar este tipo de coisa, visto que só temos uma visão de uma das pontas dos negócios da Petros).Há muita preocupação do Conselho fiscal atual com os negócios do crédito privado que, até julho de 2014 acumulavam provisionamento para perdas na ordem de R$ 600 milhões. Praticamente toda a carteira de privado está contaminada por estas perdas. Envolvem ativos como Galileo, Panamericano, Banco Morada, Cruzeiro do Sul etc.

Há também o problema, que já falei com você a respeito, relativo a utilização dos fundos de pensão estatais para financiamento das obras de infraestrutura do atual e dos governos anteriores.Como o setor privado não costuma investir em nosso país, muito menos em infraestrutura, somente a União - através de seus bancos (BNDES, BB e CEF) ou empresas (como a Petrobrás, Eletrobrás etc.) - faz em parceria com os fundos de pensão (Petros, Previ, Funcef, Postalis, Real Grandeza etc.) estes investimentos. Sob a forma de FIPs ou SPEs, estes investimentos têm sido outra dor de cabeça para os participantes e os conselheiros eleitos da Petros (além do Conselho Fiscal). Podemos citar Belo Monte, Sete Brasil, entre muitas outras mais.

Não creio que as investigações por si tragam algum "novo" risco, além do risco de imagem, que pode ficar abalada. Os riscos são os mesmos que já enfrentamos atualmente.

Em relação ao risco de ser necessária uma contribuição complementar dos participantes e mesmo da patrocinadora, você deve estar se referindo ao déficit que os fundos de pensão estão vivenciando e a Petros não foge à regra. A legislação prevê que após 3 anos consecutivos de déficit, a entidade deve tomar alguma atitude. Vamos aguardar o balanço anual para verificar como ficará, mas a tendência é que esta situação não se reverta. As bolsas de valores estão derretendo e isto influencia diretamente a rentabilidade dos fundos de pensão. Em novembro, era da ordem de R$ 7 Bi, o que configura uma situação grave e preocupante. Mas em dezembro há sempre uma nova precificação de ativos que pode alterar estes valores.

Atenciosamente,
Ronaldo Tedesco

Nenhum comentário:

Postar um comentário