sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

O trabalho nunca parou

O trabalho nunca parou

Data: 11/02/2015 
Autor: Ronaldo Tedesco

O novo presidente da Petrobrás, Sr. Aldemir Bendine, nos saudou a todos os funcionários da companhia dizendo que o trabalho já começou. Começou mal. Os petroleiros já trabalham muito. E há muito tempo. Não esperamos a chegada do novo presidente, nem a saída da anterior para trabalhar. Ao contrário, enquanto a companhia vinha sendo atacada na mídia, nós estávamos trabalhando.

Como o senhor sabe, em maio deste ano a companhia receberá pela terceira vez em sua historia o prêmio Offshore Technology Conference, OTC, em reconhecimento ao conjunto de tecnologias desenvolvidas para a produção da camada pré-sal. Um tricampeonato inédito na indústria do petróleo mundial. Para quem é do ramo, é um feito e tanto. Além disso, novas acumulações de óleo foram descobertas no pós-sal da Bacia de Campos, tudo isso com as refinarias da companhia todas operando com o máximo de produtividade.

Seguimos, portanto, impulsionando o Brasil nesta crise que se prolonga, encarando a baixa dos preços do petróleo no mercado mundial, que compromete as metas para as novas descobertas relativas ao pré-sal. Mas que, contraditoriamente, alivia o sufoco do congelamento dos preços dos combustíveis a que estamos submetidos.

Como se vê, os petroleiros já estavam trabalhando e continuarão a trabalhar, apesar das indicações políticas, apesar das denúncias de corrupção, apesar de serem os únicos até agora que estão pagando o pato pelas denúncias que vazam cotidianamente na mídia.

Fomos nós que deixamos de receber a antecipação de nossa parcela na participação de lucros e resultados na companhia. Que, aliás, continua com lucros e resultados fabulosos, graças ao nosso trabalho incansável. Trabalho este cada dia mais perigoso, com acidentes que mantém níveis de frequência e gravidade alarmantes, vitimando petroleiros contratados diretos e indiretos. Trabalhadores estes que enfrentam as arbitrariedades das empresas contratadas que ficam sem pagar direitos e salários aos seus funcionários, como no Comperj, sem que nada lhes aconteça.

Nós, petroleiros, vivemos cercados pelas cobranças de governança que têm sido sistemáticas para os de baixo, os que trabalham. Mas que não atingem aos gerentes e diretores.

Não queremos ser desagradáveis ao Sr. Bendine. Nem ao novo diretor de Governança, Risco e Conformidade, Sr. João Adalberto Elek Junior. Mas saibam ambos que precisamos urgentemente que a relação de confiança entre os trabalhadores petroleiros e a alta cúpula da companhia seja restabelecida. Não suportaremos qualquer tolerância com corruptos e corruptores. Esta é a Petrobrás. O trabalho e a luta dos petroleiros, como sempre, continuam.

* Ronaldo Tedesco é Diretor da Aepet e Conselheiro Fiscal da Petros

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