O trabalho nunca parou
Data:
11/02/2015
Autor: Ronaldo Tedesco
Autor: Ronaldo Tedesco
O novo presidente da
Petrobrás, Sr. Aldemir Bendine, nos saudou a todos os funcionários da
companhia dizendo que o trabalho já começou. Começou mal. Os petroleiros
já trabalham muito. E há muito tempo. Não esperamos a chegada do novo
presidente, nem a saída da anterior para trabalhar. Ao contrário,
enquanto a companhia vinha sendo atacada na mídia, nós estávamos
trabalhando.
Como o senhor sabe, em
maio deste ano a companhia receberá pela terceira vez em sua historia o
prêmio Offshore Technology Conference, OTC, em reconhecimento ao
conjunto de tecnologias desenvolvidas para a produção da camada pré-sal.
Um tricampeonato inédito na indústria do petróleo mundial. Para quem é
do ramo, é um feito e tanto. Além disso, novas acumulações de óleo foram
descobertas no pós-sal da Bacia de Campos, tudo isso com as refinarias
da companhia todas operando com o máximo de produtividade.
Seguimos, portanto,
impulsionando o Brasil nesta crise que se prolonga, encarando a baixa
dos preços do petróleo no mercado mundial, que compromete as metas para
as novas descobertas relativas ao pré-sal. Mas que, contraditoriamente,
alivia o sufoco do congelamento dos preços dos combustíveis a que
estamos submetidos.
Como se vê, os
petroleiros já estavam trabalhando e continuarão a trabalhar, apesar das
indicações políticas, apesar das denúncias de corrupção, apesar de
serem os únicos até agora que estão pagando o pato pelas denúncias que
vazam cotidianamente na mídia.
Fomos nós que deixamos
de receber a antecipação de nossa parcela na participação de lucros e
resultados na companhia. Que, aliás, continua com lucros e resultados
fabulosos, graças ao nosso trabalho incansável. Trabalho este cada dia
mais perigoso, com acidentes que mantém níveis de frequência e gravidade
alarmantes, vitimando petroleiros contratados diretos e indiretos.
Trabalhadores estes que enfrentam as arbitrariedades das empresas
contratadas que ficam sem pagar direitos e salários aos seus
funcionários, como no Comperj, sem que nada lhes aconteça.
Nós, petroleiros,
vivemos cercados pelas cobranças de governança que têm sido sistemáticas
para os de baixo, os que trabalham. Mas que não atingem aos gerentes e
diretores.
Não queremos ser
desagradáveis ao Sr. Bendine. Nem ao novo diretor de Governança, Risco e
Conformidade, Sr. João Adalberto Elek Junior. Mas saibam ambos que
precisamos urgentemente que a relação de confiança entre os
trabalhadores petroleiros e a alta cúpula da companhia seja
restabelecida. Não suportaremos qualquer tolerância com corruptos e
corruptores. Esta é a Petrobrás. O trabalho e a luta dos petroleiros,
como sempre, continuam.
* Ronaldo Tedesco é Diretor da Aepet e Conselheiro Fiscal da Petros
Nenhum comentário:
Postar um comentário