quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Eu sou petroleiro


Eu sou petroleiro

Um artigo de Ronaldo Tedesco

Eu sou petroleiro. Há um ano, três décadas, não importa. Sou petroleiro daqueles que passa óleo pelas veias. Meu coração bombeia petróleo e bate mais forte quando um novo recorde é batido, em terra ou no mar.

Quase fui para a CTI. Não que não tivesse idéia de que ratazanas infestavam a companhia e sangravam dela, não só o dinheiro, mas nossa dignidade. Na década de 1990 havia enfrentado os tucanos que se aboletaram nos cargos de direção e gerência da companhia. E eu sabia que eles tinham sido mantidos pelos petistas e seus aliados, que não os denunciaram, mas os acolheram. Não tinha como dar certo.

Ver a empresa desnuda, manchando nossa história, tem sido dureza. Vejo estes dias com vergonha e pesar. Vendilhões da pátria se arvorando defensores da moral e da nossa empresa é de lascar.

A preocupação foi ter dado espaço para transformarem a Petrobrás em outra empresa, voltada a servir o capital internacional, sem compromisso com a pátria, com a soberania, com os brasileiros. E, claro, fico preocupado também com meu emprego. Nunca vi estes vendilhões defendendo emprego de ninguém.

Não tenho dúvidas que vamos sair desta. Em meio a todas as denúncias e o sangue babando das bocas dos abutres, não deixamos de produzir e nos superar. Até por que, nesta confusão toda, os petroleiros ainda não se fizeram ouvir, amarrados pelos compromissos que muitas de nossas lideranças mantém. Apesar de tudo. É lamentável. Mas ainda há tempo.

Vai ser preciso a coragem e a força de um petroleiro – ou de todos – para que as saídas desta crise se imponham. Varrer para fora corruptos e venenosos disfarçados. Fazer com que a governança, que existe para os que produzem, valha também para os tais gestores. Ter coragem de promover uma recompra de ações que retome, em novo patamar, o caráter nacional da companhia. Abrir os livros e as contas para que o povo brasileiro controle os destinos de sua maior empresa. Garantir a Petrobrás como única produtora do pré-sal (não só operadora), mantendo nossas riquezas minerais sob o controle do povo organizado através de uma Petrobrás livre das ratazanas e dos políticos nomeados.

Não desejo pouco. Desejo tudo de bom. Se for necessário, vamos fazer valer o que precisa. Nós enfrentamos e derrotamos a descrença dos udenistas, o exército na ditadura, os tucanos da Petrobrax, os que não acreditavam no pré-sal, na produção off-shore e no Brasil. Não serão abutres e ratazanas que tomaram de assalto esta empresa que vão nos amedrontar. 2015 ainda não começou.

* Ronaldo Tedesco é Conselheiro Fiscal da Petros gestão 2013/2017 e Diretor de Comunicação da AEPET


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