Eu sou petroleiro
Um artigo de Ronaldo Tedesco
Eu sou petroleiro. Há um ano, três décadas, não importa. Sou
petroleiro daqueles que passa óleo pelas veias. Meu coração bombeia petróleo e
bate mais forte quando um novo recorde é batido, em terra ou no mar.
Quase fui para a CTI. Não que não tivesse idéia de que
ratazanas infestavam a companhia e sangravam dela, não só o dinheiro, mas nossa
dignidade. Na década de 1990 havia enfrentado os tucanos que se aboletaram nos
cargos de direção e gerência da companhia. E eu sabia que eles tinham sido
mantidos pelos petistas e seus aliados, que não os denunciaram, mas os acolheram.
Não tinha como dar certo.
Ver a empresa desnuda, manchando nossa história, tem sido
dureza. Vejo estes dias com vergonha e pesar. Vendilhões da pátria se arvorando
defensores da moral e da nossa empresa é de lascar.
A preocupação foi ter dado espaço para transformarem a
Petrobrás em outra empresa, voltada a servir o capital internacional, sem
compromisso com a pátria, com a soberania, com os brasileiros. E, claro, fico preocupado
também com meu emprego. Nunca vi estes vendilhões defendendo emprego de
ninguém.
Não tenho dúvidas que vamos sair desta. Em meio a todas as
denúncias e o sangue babando das bocas dos abutres, não deixamos de produzir e nos
superar. Até por que, nesta confusão toda, os petroleiros ainda não se fizeram
ouvir, amarrados pelos compromissos que muitas de nossas lideranças mantém. Apesar
de tudo. É lamentável. Mas ainda há tempo.
Vai ser preciso a coragem e a força de um petroleiro – ou de
todos – para que as saídas desta crise se imponham. Varrer para fora corruptos
e venenosos disfarçados. Fazer com que a governança, que existe para os que
produzem, valha também para os tais gestores. Ter coragem de promover uma
recompra de ações que retome, em novo patamar, o caráter nacional da companhia.
Abrir os livros e as contas para que o povo brasileiro controle os destinos de
sua maior empresa. Garantir a Petrobrás como única produtora do pré-sal (não só
operadora), mantendo nossas riquezas minerais sob o controle do povo organizado
através de uma Petrobrás livre das ratazanas e dos políticos nomeados.
Não desejo pouco. Desejo tudo de bom. Se for necessário,
vamos fazer valer o que precisa. Nós enfrentamos e derrotamos a descrença dos udenistas,
o exército na ditadura, os tucanos da Petrobrax, os que não acreditavam no
pré-sal, na produção off-shore e no
Brasil. Não serão abutres e ratazanas que tomaram de assalto esta empresa que
vão nos amedrontar. 2015 ainda não começou.
* Ronaldo Tedesco é Conselheiro Fiscal da Petros gestão 2013/2017 e Diretor de Comunicação da AEPET
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