Na reunião ordinária do Conselho Deliberativo da PETROS realizada no final do mês de janeiro tivemos a apresentação dos resultados dos investimentos da Entidade pela sua Diretoria Executiva.
O resultado consolidado da PETROS foi de 15,66%, superando em 3,1 % a meta atuarial. Meta atuarial é o resultado que deve ser alcançado pelos investimentos dos planos previdenciais para garantia dos benefícios contratados. A meta
fixada foi IPCA + 6%, o que resulta num total de 12,19%.
PLANO PETROS SISTEMA PETROBRÁS OBTÉM RENTABILIDADE DE 17,03%
A
rentabilidade alcançada pelos investimentos que compõem as reservas técnicas
por Plano está demonstrada no quadro abaixo. Destaque para a rentabilidade do
Plano do Sistema Petrobras alcançando um excelente resultado de 17,03% e superando com folga os 12,19%
da meta atuarial.
Entretanto, a
rentabilidade de 10,41% obtida pelos investimentos que compõem as Reservas Técnicas
do Plano Petros 2, não foi suficiente para cobrir a sua meta atuarial. Isto também
aconteceu com os investimentos dos outros planos, inclusive os BD patrocinados
por empresas privatizadas. Há, portanto, igualmente a necessidade de
recomposição dos investimentos desses planos, objetivando o resultado mínimo
estipulado pelo Conselho Deliberativo da Entidade.
A diferença a
maior obtida pelos investimentos do Plano do Sistema Petrobras, ocorreu
justamente pela recomposição dos tipos de investimentos e operações com sucesso.
Obtivemos resultados importantes, que se expressaram tanto na renda variável
como em Fundos de Investimentos de maior risco. Inclusive nos indicados por
Bancos que sofreram intervenção ou faliram, nos quais não ocorreu nenhum
prejuízo no exercício findo. Vamos continuar acompanhando.
NTNs FORAM O DESTAQUE DE 2012
O destaque
maior dos investimentos em 2012 foram as operações possibilitadas pela troca
dos títulos do governo tipo NTN- B, com a mudança de marcação de “a vencimento”
para “a mercado”, o que permitiu operações favoráveis aproveitando as boas
oportunidades do mercado. Chamamos especial atenção para esta modalidade de
investimentos, que não era permitida anteriormente pela característica dos
títulos que possuíamos. Com a troca dos títulos, abriu-se uma nova oportunidade.
Alguns
companheiros, por desconhecimento talvez, raciocinam os investimentos nos
títulos públicos como renda fixa. Esta compreensão é imprecisa, visto que agora
a negociação dos títulos no mercado possibilita ganhos financeiros
diferenciados, tendo como piso a taxa nominal de juros do papel, desde que o
levemos ao vencimento. Foi o que aconteceu este ano de 2012, com um retorno de
35,19%. Obviamente, esta situação foi sazonal, permitida pela turbulência na
economia e pela decisão do Governo Federal em reduzir as taxas de juros
praticadas em nosso país. Esta situação poderá ou não se repetir, a depender da
conjuntura econômica. Vamos acompanhar atentamente.
A tabela
abaixo mostra que no ano, a composição dos investimentos teve um aumento no
valor de R$ 8,6 bilhões.
Como se vê, no acumulado no ano a rentabilidade global ficou em 15,66% gerando uma rentabilidade de 3,10% maior que a meta atuarial, Esta diferença em termos de resultado financeiro é equivalente a R$ 2 bilhões.
NECESSIDADE DE ATENÇÃO CONSTANTE
O resultado
alcançado pelo Plano PETROS Sistema Petrobrás, repetimos, não foi atingido
pelos demais planos administrados pela PETROS. Isto se deu tanto nos planos BD
(de benefício definido) das privatizadas, como nos planos CDs (de contribuição
definida), patrocinados e instituídos, como também nos planos CVs (de
contribuição variável), incluído aí o Plano PETROS 2. Embora alguns tenham
superado o índice CDI (Certificado de Depósito Interbancário), que é a taxa
real praticada nas operações entre as instituições financeiras, como foi o caso
do Plano PETROS 2. Alertamos que atingir resultados abaixo da meta atuarial
compromete o valor dos benefícios que serão pagos ao futuro assistido. Como são
planos de contribuição definida (ou variável), não ocorre o chamado déficit,
mas há achatamento nos benefícios futuros.
Os resultados
atingidos, no entanto, confirmam a opinião que sempre expressamos de que as
reservas matemáticas do PLANO PETROS SISTEMA PETROBRÁS têm cobertura suficiente
que garante o pagamento dos benefícios, com o patrimônio com uma rentabilidade
condizente. Apesar de todas as dificuldades que teremos para atingir a meta
atuarial daqui para frente com a manutenção da taxa de juros em valores mais
baixos e os maiores riscos aos quais teremos que nos expor.
O que reforça
a necessidade de atenção constante com o comportamento conjuntural da economia
para o Conselho Deliberativo definir, inclusive correções nas diretrizes para
manter os excelentes resultados alcançados para todos os grupos de investimentos
por Plano administrado.
CRÍTICAS À FORMAÇÃO DAS RESERVAS
MATEMÁTICAS SE MANTÉM
Desejamos
registrar, entretanto, que não estamos de acordo com o resultado do exercício
(vide gráfico abaixo) no que concerne à comparação destes investimentos que
representam as reservas constituídas, tanto com relação ao resultado global,
quanto no particular com relação ao Plano do Sistema Petrobras - BD,
comparando-as com as respectivas reservas matemáticas.
A
representação gráfica acima nos mostra um quadro positivo de superávit
técnico, tanto para o conjunto, quanto para o Plano do Sistema
Petrobras – BD. Mas para este em particular, que tem a maior influência no
resultado geral, não concordamos com as premissas usadas para o cálculo das
reservas matemáticas. E não aceitamos o valor do patrimônio capitalizado,
porque existe em andamento a cobrança do restante da dívida. Principalmente no
que concerne ao débito correspondente ao prejuízo causado ao patrimônio
coletivo dos participantes, em razão da adoção da aposentadoria antecipada,
chamada de “sopão”, pelas patrocinadoras. Tal prejuízo foi calculado e cobrado
por administração passada. Prova desta dívida líquida e certa é demonstrada no
laudo da perícia judicial juntada aos autos da ação civil pública que corre na
18ª Vara do Fórum do Rio de Janeiro, cujo trecho destacamos a seguir:
"Antecipação
de despesas com pagamento de benefícios e redução de receitas decorrentes dos
programas de incentivo à aposentadoria: R$ 2,350 bilhões;"
Com relação
às premissas solicitamos, mas até apresente data não nos informaram, que sejam
as reservas matemáticas avaliadas com a utilização de moderna Tábua de
Sobrevivência Bidimensional. Esta tábua teve seu esboço concluído pelo prof.
Rio Nogueira no ano em que faleceu (2005) e foi revista pelo prof. Kaizô
Beltrão, da Fundação Getúlio Vargas. A Tabela de Mortalidade Bidimensional já
foi apresentada pelo Professor Kaizô na SUSEP, PREVIC, 33º Congresso Brasileiro
dos Fundos de Pensão, Congresso Brasileiro e Pan Americano de Atuária e
Congresso da Ancep.
A
originalidade da tábua bidimensional do professor Rio Nogueira está relacionada
primeiramente à utilização de dados de uma entidade brasileira de previdência
privada – a PETROS. O professor Kaizô afirma: “São muito poucas as tábuas
existentes baseadas em experiências nacionais e nenhuma leva em conta um
período tão longo de dados e uma população tão expressiva quantitativamente”
Nossa
exigência na utilização deste recurso moderno e autêntico por ter sido
elaborado com base em dados do próprio histórico de sobrevida dos petroleiros,
é porque queremos que as reservas matemáticas necessárias para garantir nossos
direitos sejam calculadas com maior precisão. Sabendo que, com isso, o atual
superávit técnico vai se reduzir bastante e, assim, tornar mais evidente a
necessidade da cobrança dos valores que nos devem, principalmente porque a
redução gradual dos juros atuariais já está promovendo déficit como ocorreu no
mês de dezembro passado.
Além disso,
não vamos aceitar, caso não nos provem o contrário, que há também a necessidade
da apuração clara da influência do cálculo separado das reservas matemáticas
dos Pré-70 (conforme abaixo demonstrado), em face da existência da paridade
contributiva ora existente entre patrocinadoras de um lado e
participantes+assistidos de outro.
Trata-se de
um Plano BD fechado e, portanto, em processo natural de extinção, o que não nos
permite projetar superávit técnico conjuntural que não seja real.
Em hipótese
alguma isto acarreta receio com relação a déficit de caixa, porque as projeções
de fluxo de caixa para os próximos 30 anos, apurado pelo sistema informatizado
ALM, nos fornece meios para visualizar ausência de problema para os próximos
anos e a forma adequada de executarmos os desinvestimentos para garantir essa
tranqüilidade.
O que não
podemos aceitar é a existência de superávit em cuja base de cálculo da parte
dos ativos exista apenas escriturada “promessa de pagamento de parte da dívida apurada
por perícia judicial” e não o provisionamento da total. E, ainda, considerando
a hipótese inaceitável de que parte da contribuição das patrocinadoras na forma
paritária abriga parte do compromisso assumido com os Pré70. Nessa mesma linha
não aceitamos que os cálculos sejam feitos desconsiderando que para os não
repactuados as reajustes anuais têm que ser iguais aos reajustes dos
ativos.
De qualquer maneira,
nossas críticas têm sido fundamentadas e registradas sistematicamente, todos
estes anos, impossibilitando qualquer argumentação de desconhecimento destes
fatos. Ao mesmo tempo em que seguimos cobrando judicialmente nossos direitos.
O que não nos impede
de comemorar os bons resultados que obtivemos nos investimentos de 2012, no caso do Plano Petros do Sistema Petrobrás. Sem perder de
vista as dificuldades decorrentes da redução da taxa de juros que têm forte
influência na rentabilidade, o que impactou nos resultados dos demais planos.
Assinam este documento os seguintes Conselheiros da PETROS eleitos pelos participantes:
Agnelson Camilo
Emídio Rebelo Filho
Epaminondas Mendes
Fernando Siqueira
Paulo Brandão
Ronaldo Tedesco
Silvio Sinedino
Muito bom e claro.
ResponderExcluirObrigado !
Lindolfo
Poderiam o senhores conselheiros nos explicar o que levou a PETROS a participar da LITEL ?
ResponderExcluirDizem que foi interferência do Planalto? É verdade?
Porque os preços das ações estão precificadas nos balanços de 2012 tão diferentes , PREVI, FUNCEF,PETROS e FUNCESP?