A
estratégia montada visando a transferência da Administração dos chamados Fundos
de Pensão, patrocinados por empresas estatais está avançando e o anunciado
Novo Plano para substituição do PPSP, e depois o Petros 2, pode estar nesta
trajetória.
O Equacionamento do Déficit Técnico
do Plano Petros do Sistema Petrobrás – PPSP, de absurdos R$ 28 bilhões, não
resolverá o problema do plano. Ao contrário, o problema somente se agravará e
tornará a vida dos participantes e assistidos do PPSP um inferno, dadas as
dívidas que os mesmos estão sendo obrigados a assumir para horar um compromisso
de contribuição extraordinária inviável.
Temos informado aos participantes da
Petros que esta situação não se deve somente à gestão – no mínimo – desastrosa
dos últimos anos. Trata-se também de uma iniciativa do atual Governo Federal,
levada a cabo pela atual gestão da Petrobrás e da Petros.
O objetivo não pode ser mais claro:
há um desejo incontrolável do atual governo de levar os quase R$ 900 bilhões
administrados pelas Entidades Fechadas de Previdência Complementar – EFPCs –
para serem geridos pelo setor financeiro privado. A intenção, ainda, é levar
adiante esse plano com planos do tipo de contribuição definida – CD – cujo
risco fica totalmente sob responsabilidade dos participantes e assistidos.
Para ilustrar de forma trágica essa
situação não precisamos ir longe. Na própria Petros, nesse momento, um Plano de
benefício superavitário, o Plano Petros Lanxess está sob a iniciativa de
transferência para outra Entidade, o MultiPensions Bradesco. Iniciativa essa da
Arlanxeo, que sucedeu à Lanxess no patrocínio do plano.
A Petros e sua atual gestão deveriam
ser os guardiões do patrimônio dos participantes e assistidos dos planos de
benefícios que administra. Para isso, como gestores, deveriam prezar pelos
contratos de longuíssimo prazo que são assinados por participantes e
patrocinadores 30 ou 40 anos antes.
O contrato dos participantes do Plano
Petros Lanxess é existente por todo esse tempo. Sobreviveu à privatização das
empresas estatais nas décadas de 1990 e 2000, através de uma cláusula que
garante a sua manutenção sob a gestão da Fundação Petrobrás de Seguridade
Social – Petros, a menos que patrocinadoras e participantes, em comum acordo,
decidam não mais permanecer sob a gestão da Fundação.
Não é o que está acontecendo. A
Arlanxeo, patrocinadora sucessora da Lanxess no Plano Petros Lanxess, contribui
com valores irrisórios com o plano hoje. Isso por que a maioria esmagadora dos
participantes do plano hoje são assistidos, permanecendo na ativa pouquíssimos
participantes que ainda demandam contribuição previdenciária para o Plano
Petros Lanxess. Não existe paridade contributiva nesse plano entre assistidos e
patrocinadora. Por isso, o compromisso financeiro da Arlanxeo é tão pequeno.
No entanto, esse compromisso pode
eventualmente ser maior do que o atual, no caso da existência de déficits
técnicos provocados pela concessão de reajustes nos benefícios acima do
previsto pelo plano, dada a existência do artigo 48, inciso IX, semelhante ao
existente no PPSP, que dá cobertura a existência dos reajustes de benefícios
aos assistidos.
Como o plano está superavitário, nem
mesmo a existência dessa cobertura seria uma justificativa para a saída do
plano da administração da Petros. E mesmo que fosse, a Petros poderia ainda se
utilizar de recursos não ortodoxos utilizados para a mitigação do efeito desse
artigo, como, por exemplo, utilizou com a repactuação do PPSP. Nada disso está
em pauta.
O compromisso com os assistidos do
Plano Petros Arlanxeo está sendo vilipendiado em função do plano do setor
privado da economia estar obstinado a colocar a mão nas economias dos
trabalhadores.
O reajuste concedido esse ano pela
patrocinadora aos seus funcionários – fora da data base – não foi repassado aos
participantes. A Petros faz a leitura que quer do regulamento para agradar a
patrocinadora e negar os direitos dos assistidos do plano. Nem mesmo o
recadastramento dos participantes e assistidos do Plano Petros Lanxess, que
está sendo feito para os demais planos administrados pela Petros está sendo
realizado.
Com uma carteira de investimentos da
ordem de R$ 1,1 bilhão, superavitária, indo para as mãos do Bradesco, a
patrocinadora talvez se veja contemplada com uma linha de crédito mais
apetitosa.
A própria Petros, em comunicado
recente aos participantes e assistidos do Plano Petros Lanxess, informou que,
do ponto de vista financeiro, há uma tremenda desvantagem na transferência de
administração do Plano.
A simples transferência do plano fará
com que o custeio administrativo do Plano Petros Lanxess salte dos atuais R$
352 mil para R$ 5,2 milhões por ano.
Portanto, essa transferência poderá
beneficiar a Patrocinadora, que poderá muito provavelmente, pela
praxe de mercado, acessar uma linha de crédito mais em conta, favorecerá
o administrador com o custeio administrativo do
plano, mas não acarretará nenhuma melhoria aos participantes e assistidos. Ao
contrário, perderão representação nos conselhos deliberativo e fiscal que são
nomeados na quase totalidade pelos banqueiros.
Não existe no momento, nenhuma
iniciativa dos gestores da Petros em lutar para manter o Plano Petros Lanxess
sob a administração da Fundação. Como guardiões do patrimônio, poderiam tomar
providências para que os contratos de longo prazo assinados pelos participantes
não virassem letra morta.
Viram as costas para a história da
Petros, viram as costas para os interesses que teriam que representar. Cumprem
a agenda dos entreguistas e privatistas que estão hoje no comando da nação.
A luta não terminou porque a
Diretoria do Sindíquimica Duque de Caxias, seus associados e os Conselheiros da
Petros Eleitos, todos unidos, continuam tentando reverter o processo.
Paulo Teixeira Brandão
Diretor
da APAPE e da AEPET
Prezados,bom dia!vejo que, cada participante precisa escolher pelo seu beneficio. Sabendo que esse acarretará num desconto maior, a Petros nao pode trocar como deseja. Sobre o déficit do PPSP, ps advogados que estão à frente do caso PPSP, nos sinalizou que a PETROS tem como equacionar a divida dos 28 bilhoes sem recorrer aos empregados. O que tem de verdade nisso?
ResponderExcluirPrezado companheiro Márcio, acreditamos que uma parte do deficit seja de responsabilidade exclusiva das patrocinadoras e é nessa linha que estamos atuando. Forte abraço, Ronaldo Tedesco
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