Assistimos,
a partir do governo
interino de Michel Temer, um ciclo de retrocessos
socioeconômicos e culturais.
Há uma clara sinalização de ataque aos direitos dos
trabalhadores e das
trabalhadoras, e de desmonte das conquistas e avanços
arduamente alcançados
pela luta dos cidadãos comprometidos com uma sociedade justa
para todos.
A
extinção do Ministério da
Previdência, órgão responsável pela elaboração de políticas,
gestão e
fiscalização da previdência social no Brasil, é só mais uma
sinalização neste
sentido. Deixa claro e de forma inequívoca que o governo
interino não consegue
entender a previdência como política social e de distribuição
de renda. O
loteamento das atividades daquela instituição entre os
ministérios da Fazenda e
do Desenvolvimento Social e Agrário representa uma afronta aos
princípios
norteadores da seguridade social, consagrados na Constituição
Federal.
Essa
medida também afeta a
previdência privada, já que a Superintendência Nacional de
Previdência
Complementar (Previc), o Conselho Nacional de Previdência
Complementar e a
Câmara de Recursos da Previdência Complementar foram postos
sob o controle do
Ministério da Fazenda, sacrificando ainda mais o princípio
previdenciário dos
fundos de pensão. Tememos que a medida acelere o fim do
sistema fechado de
previdência complementar. Para
os 3,5
milhões de participantes dos fundos de pensão o impacto deverá
ser intenso.
Outro
duro golpe contra as
conquistas dos trabalhadores foi a aprovação pelo senado
federal de propostas
de alteração da Lei nº 108/2001: tratam-se dos PLS 388, do
senador Paulo Bauer
(PSDC-SC), 78, do senador Valdir Raupp (PMDB-RO) e
substitutivo do senador
Aécio Neves (PSDB-MG), que se transformou no PLP 268/2016 e
tramita em regime
de urgência na Câmara dos Deputados.
O
projeto de lei, se aprovado, retira
dos participantes a garantia de paridade com o seu
patrocinador nos conselhos
deliberativo e fiscal dos fundo de pensão constituídos por
empresas públicas, conforme
dispõe a lei nº 108/2001. Essa importante conquista,o direito
de eleger seus
representantes para fiscalizar e participar da gestão de seu
patrimônio é
duramente afetada pelas alterações propostas, transferindo para o mercado
a ocupação de
vagas retiradas dos trabalhadores. O critério de escolha dos
membros desses
conselhos se dá por meio de eleição direta pelos participantes
e da indicação
pela empresa.
A
proposta em discussão na Câmara
altera a composição dos conselhos, passando para dois
indicados, dois eleitos e
a inclusão de dois conselheiros ditos independentes, que
seriam contratados no
mercado. Prevê, ainda, a inclusão do Tribunal de Contas da
União como mais uma
instância de fiscalização.
Essas
propostas, dentre outras
contidas no projeto de lei, representam um inaceitável
retrocesso para o
sistema de previdência complementar. A composição dos
conselhos é resultado de
mais de três décadas de negociações entre trabalhadores e
empresas, que
reconhecidamente trouxe avanços para a transparência do
sistema. No que diz
respeito ao TCU, a relação dos fundos de pensão é privada, não
se justificando
a intervenção estatal.
A
inclusão de representantes do
mercado nas direções dos fundos de pensão deixa clara a
intenção de transferir
para bancos e seguradores os recursos dos participantes, hoje
em torno de R$
700 bilhões.
Diante
de tantas ameaças, as
entidades de representação dos trabalhadores vêm a público se
manifestar contra
mais este ataque a previdência pública e complementar e nos
manifestar contra a
tentativa do governo de dotar a previdência social a partir de
critérios
exclusivamente financeiros.
Não
aceitaremos retrocessos e
retiradas de direitos. Os trabalhadores e trabalhadoras não
permitirão o
desmonte do Estado e a supremacia do econômico sobre a
cidadania e a dignidade
da população brasileira.
Os
signatários desta carta se
manifestam:
a) Contra
a extinção do Ministério da
Previdência;
b) Contra
a aprovação do PLP 268/2015;
c) Contra
a unificação da Previc com a
Susep;
d) Em
favor da democratização da gestão
dos fundos de pensão
e) Em
favor da aprovação do PLP 84/2015
Anapar
– Associação
Nacional dos Participantes de Fundos de Pensão
Anabb
– Associação
Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil
Fenae
– Federação
Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica
Federal
Fenacef
– Federação
Nacional das Associações de Aposentados e Pensionistas da CEF
Federação
Nacional dos
Portuários
AACRT
– Associação dos
Aposentados da Companhia Riograndense de Telecomunicações
ABCF
– Associação dos
Beneficiários da CEMIG Saúde e Forluz
AEA/MG Associação dos
Eletricitários
Aposentados de Minas Gerais
Associação
dos
Aposentados e Pensionistas das CELESC – APCELESC
(Florianópolis – SC)
Fitratelp
– Federação
Interestadual dos Trabalhadores e Pesquisadores em Serviços
de Telecomunicações
Aaban
– Associação dos
Funcionários Aposentados do Banrisul
Fenapas
– Federação
Nacional das Associações Aposentados Pensionistas e
Participantes em Fundos de
Pensão do Setor de Telecomunicações
Afubesp
– Associação
dos Funcionários do Grupo Santander Banespa Banesprev e
Cabesp
FNU
– Federação
Nacional dos Urbanitários
FUP
– Federação Única
dos Petroleiros
Contraf
– Confederação
Nacional dos Trabalhadores em Instituições Financeiras
Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e
Região.
FENASPE-
Federação
Nacional das Associações de Aposentados, Pensionistas e
Anistiados do Sistema
Petrobras e Petros.
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