NOTA DO CONSELHO FISCAL DA PETROS SOBRE A
DELAÇÃO PREMIADA DA JBS
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1. Na semana passada, recebemos a notícia
da delação premiada do Sr. Wesley Batista, um dos sócios da empresa JBS. Entre
os 17 itens da delação, consta a delação sobre o BNDES – Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social – e os fundos de pensão. O delator cita
especificamente a Funcef – Fundo de pensão dos trabalhadores da Caixa Econômica
Federal – e a Petros. Os nomes ligados à Petros citados na delação são de três
ex-presidentes, os Srs. Wagner Pinheiro de Oliveira, Luiz Carlos Fernandes
Afonso e Carlos Fernando Costa.
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2. A Petros emitiu comunicado aos
participantes e assistidos buscando demonstrar as iniciativas da atual Diretoria
Executiva em função das novas denúncias. Elas são importantes para investigar e
apurar responsabilidades com o objetivo de tentar ressarcimento dos prejuízos
que tenham ocorrido. E também para evitar que episódios semelhantes possam
ocorrer no futuro.
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3. A comprovação das irregularidades cometidas contra a Fundação é necessária e indispensável para que os desdobramentos das investigações – externas e internas – ora em curso possam ser favoráveis. Por esse motivo, a delação premiada feita pelo dono da JBS precisará ter continuidade com as investigações que os órgãos públicos deverão realizar.
3. A comprovação das irregularidades cometidas contra a Fundação é necessária e indispensável para que os desdobramentos das investigações – externas e internas – ora em curso possam ser favoráveis. Por esse motivo, a delação premiada feita pelo dono da JBS precisará ter continuidade com as investigações que os órgãos públicos deverão realizar.
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4. O Conselho Fiscal da Petros está acompanhando todas essas iniciativas tomadas pela Fundação. No entanto, as irregularidades que temos verificado ao longo dos últimos anos não se resumem à JBS e o que está sendo delatado nesse momento. A Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) informou que essas irregularidades cometidas nas entidades Funcef e Petros já haviam sido objetos dos autos de infração nº 44011.000101/2016-01, em 4/3/2016, e nº 44011.000378/2017-14, em 11/1/2017, respectivamente. Segundo a Previc, à época da lavratura dos autos, as representações foram encaminhadas para o Ministério Público Federal e as investigações prosseguem sob sigilo.
4. O Conselho Fiscal da Petros está acompanhando todas essas iniciativas tomadas pela Fundação. No entanto, as irregularidades que temos verificado ao longo dos últimos anos não se resumem à JBS e o que está sendo delatado nesse momento. A Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) informou que essas irregularidades cometidas nas entidades Funcef e Petros já haviam sido objetos dos autos de infração nº 44011.000101/2016-01, em 4/3/2016, e nº 44011.000378/2017-14, em 11/1/2017, respectivamente. Segundo a Previc, à época da lavratura dos autos, as representações foram encaminhadas para o Ministério Público Federal e as investigações prosseguem sob sigilo.
Denúncia do Conselho Fiscal à Previc e
ao MPF
5. Os três ex-presidentes citados na
delação premiada da JBS estão envolvidos em outras investigações, tais como:
Invepar, Itausa, FIP PCH, Litel, Sete Brasil, entre outras. E faziam parte também
da relação de gestores da Petros que foi encaminhada como Denúncia do Conselho
Fiscal da Petros, tanto à Superintendência Nacional de Previdência Complementar
(Previc), como ao Ministério Público Federal, como já divulgamos anteriormente.
Essas denúncias feitas pelo Conselho Fiscal envolvem investimentos desde o
setembro de 2002 e totalizam cerca de R$ 2 bilhões. Ao final desse comunicado,
listamos todos os fundos de investimentos e ativos relacionados na Denúncia realizada
pelo Conselho Fiscal.
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A Necessidade de Transparência na Gestão
A Necessidade de Transparência na Gestão
6. Essas denúncias só foram possíveis
graças à proposta aprovada no Conselho Deliberativo da Petros de realização de
uma auditoria nos investimentos provisionados à perda, por iniciativa dos
conselheiros Paulo Brandão e Silvio Sinedino.
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7. A Diretoria da Petros, exercida então pelo Sr. Carlos Fernando Costa, não cumpriu a decisão de realização da auditoria, contratando a empresa E&Y para realizar somente uma verificação de conformidade legal (compliance), nos investimentos citados. Felizmente, a E&Y foi além do solicitado e seu extenso relatório foi a base da Denúncia realizada pelo Conselho Fiscal da Petros.
7. A Diretoria da Petros, exercida então pelo Sr. Carlos Fernando Costa, não cumpriu a decisão de realização da auditoria, contratando a empresa E&Y para realizar somente uma verificação de conformidade legal (compliance), nos investimentos citados. Felizmente, a E&Y foi além do solicitado e seu extenso relatório foi a base da Denúncia realizada pelo Conselho Fiscal da Petros.
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Novas irregularidades cometidas já durante as investigações
Novas irregularidades cometidas já durante as investigações
8. Posteriormente, a Petros constituiu
cinco Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDCs) para recuperar os
valores desses ativos. Ao analisar sua constituição, o Conselho Fiscal percebeu
que uma das instituições financeiras denunciadas à Previc havia sido contratada
para administrar esses FIDCs.
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9. A atual Diretoria Executiva da Petros reabriu a Comissão de Investigação e Apuração (CIA) que investigou o episódio e constatou uma série de irregularidades ocorridas na constituição dos FIDCs. A decisão da Petros, a partir dos resultados dessa investigação e da apuração dos responsáveis é abrir processo judicial e também informar aos órgãos de regulação e fiscalização governamentais.
9. A atual Diretoria Executiva da Petros reabriu a Comissão de Investigação e Apuração (CIA) que investigou o episódio e constatou uma série de irregularidades ocorridas na constituição dos FIDCs. A decisão da Petros, a partir dos resultados dessa investigação e da apuração dos responsáveis é abrir processo judicial e também informar aos órgãos de regulação e fiscalização governamentais.
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O Passivo Atuarial também precisa ser investigado
O Passivo Atuarial também precisa ser investigado
10.
Além
dessas iniciativas relativas aos ativos da Petros, há 14 anos as Demonstrações
contábeis anuais da Fundação não tem sido aprovadas pelo seu Conselho Fiscal,
em função, entre outros motivos, por: utilização inapropriada e sem registro
contábil dos recursos administrativos dos Planos Petros do Sistema Petrobrás
(PPSP) e Plano Petros 2 (PP-2), pelos demais planos administrativamente
deficitários; inconsistência da base de dados e das premissas utilizadas para
formação do passivo atuarial dos planos de benefício definido; inconsistência e
falta de auditoria especial dos Termos de Compromissos Financeiros (TCFs).
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Cobrar as dívidas para evitar a insolvência do PPSP
Cobrar as dívidas para evitar a insolvência do PPSP
11.
O
Conselho Fiscal tem sido incansável em repetir que, para além dos problemas
encontrados nos ativos da Fundação e das denúncias de corrupção que possam
envolver gestores da Fundação, é decisivo para os participantes e assistidos da
Petros a realização da cobrança dos valores de responsabilidade das patrocinadoras
dos planos administrados pela Fundação.
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12. Em especial, no Plano Petros do Sistema Petrobrás (PPSP), as seguidas alterações na política de Recursos Humanos da Petrobrás e da BR Distribuidora (PIDV, PCAC, RMNR, aceleração de carreiras etc.) provocaram alteração significativa do fluxo de caixa e/ou crescimento acima do esperado do Passivo Atuarial do plano, que hoje apresenta um déficit técnico da ordem de R$ 27 bilhões. Os valores referentes a essas alterações nas patrocinadoras são de responsabilidade das mesmas e não têm sido calculados e nem cobrados pela Petros.
12. Em especial, no Plano Petros do Sistema Petrobrás (PPSP), as seguidas alterações na política de Recursos Humanos da Petrobrás e da BR Distribuidora (PIDV, PCAC, RMNR, aceleração de carreiras etc.) provocaram alteração significativa do fluxo de caixa e/ou crescimento acima do esperado do Passivo Atuarial do plano, que hoje apresenta um déficit técnico da ordem de R$ 27 bilhões. Os valores referentes a essas alterações nas patrocinadoras são de responsabilidade das mesmas e não têm sido calculados e nem cobrados pela Petros.
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13. Somente recentemente houve iniciativas ainda muito tímidas de cobrança às patrocinadoras. Essa situação explica boa parte do valor do déficit técnico do PPSP e também o déficit técnico de pelo menos dois outros planos administrados pela Petros (Plano Petros Ultrafértil e Plano Petros Lanxess). A responsabilidade desses gestores é também na precificação do passivo atuarial, impactando decisivamente o déficit técnico.
13. Somente recentemente houve iniciativas ainda muito tímidas de cobrança às patrocinadoras. Essa situação explica boa parte do valor do déficit técnico do PPSP e também o déficit técnico de pelo menos dois outros planos administrados pela Petros (Plano Petros Ultrafértil e Plano Petros Lanxess). A responsabilidade desses gestores é também na precificação do passivo atuarial, impactando decisivamente o déficit técnico.
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Governo muda de ideia e provoca prejuízos aos fundos
Governo muda de ideia e provoca prejuízos aos fundos
14.
Investimentos
do Governo Federal em empreendimentos realizados junto com os fundos de pensão,
como Sete Brasil e Belo Monte, por exemplo, deixaram a Petros extremamente
exposta a prejuízos provocados pela retirada do financiamento do BNDES. É injusto que déficits provocados pela
alteração da política governamental sejam equacionados por participantes e
assistidos.
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Fim da utilização inapropriada do Fundo Administrativo do PPSP e do PP-2
15.
Por
último, e não menos importante, o projeto de ampliação da Petros como
instituição administradora de planos de previdência tem sido mantido pela
Fundação através da utilização inapropriada dos recursos administrativos de
dois planos: o Plano Petros do Sistema Petrobrás (PPSP) e o Plano Petros 2
(PP-2).
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16. A utilização dos recursos do PPSP e do PP-2 compromete decisivamente o futuro da Petros, visto que no PPSP as pensionistas não têm previsão de contribuição com o Fundo Administrativo e no PP-2, os assistidos também não o fazem. Essa utilização do Fundo Administrativo foi implantada nas gestões dos Srs. Wagner Pinheiro de Oliveira, Luiz Carlos Fernandes Afonso e Carlos Fernando Costa à frente da Petros. Mais uma vez, contra a recomendação do Conselho Fiscal da Fundação. A atual Diretoria Executiva informou ao Conselho Fiscal que finalmente, após cinco anos do parecer da Previc, está em andamento a elaboração de novo TAC para solucionar a situação.
.16. A utilização dos recursos do PPSP e do PP-2 compromete decisivamente o futuro da Petros, visto que no PPSP as pensionistas não têm previsão de contribuição com o Fundo Administrativo e no PP-2, os assistidos também não o fazem. Essa utilização do Fundo Administrativo foi implantada nas gestões dos Srs. Wagner Pinheiro de Oliveira, Luiz Carlos Fernandes Afonso e Carlos Fernando Costa à frente da Petros. Mais uma vez, contra a recomendação do Conselho Fiscal da Fundação. A atual Diretoria Executiva informou ao Conselho Fiscal que finalmente, após cinco anos do parecer da Previc, está em andamento a elaboração de novo TAC para solucionar a situação.
Rio de Janeiro, 29/05/2017
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CONSELHO FISCAL DA PETROS
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Dados sobre as Denúncias realizadas pelo Conselho Fiscal
da Petros à Previc e ao MPF
.Lista dos ativos com os valores envolvidos:
Alutech Alumínio
Tecnologia Ltda. (R$ 7.457.323,00), Barão Engenharia
Ltda. (R$ 2.191.375,76), Bemex Logísitca Ltda. (R$ 2.554.584,30), Cerâmica Urussanga
(R$ 6.427.689,07), Guilherme Milnitsky (R$ 4.789.317,44), Julian Marcuir Ind. Comércio Ltda. (R$ 9.046.182,20), Ligas Gerais Eletrometalurgia Ltda. (R$ 7.992.286,48), Logistic Network Technology
Com Import e Export S/A (R$ 9.953.194,43), Milano Estruturas Metálicas Ltda. (R$ 5.326.572,52), Newpet Indústria e Comércio de Plástico Ltda. (R$ 4.971.129,83), Indústria de Papéis
Sudeste Ltda. (R$ 9.915.819,77), Muriel do Brasil Indústria de Cosméticos Ltda. (R$ 5.342.458,98), PND Construções e
Comércio Ltda. (R$ 3.197.448,10), Zoomp S/A (R$ 11.240.411,79), Camaquã (R$ 10.023.994,75), Clima Termoacústica
(R$ 4.887.045,90), Flashbel Comércio Cosméticos Ltda. (R$ 9.832.756,95), Indústria Pagé Ltda. (R$
9.841.726,75), Moradia SPE S/A (R$ 10.655.084,18), Canguru S.A. Indústria e Comércio de Produtos
Plásticos (R$ 10.000.000,00), Inepar S.A. Indústria e Construções ( R$ 20.000.000,00), Metalurgia de Tubos de Precisão Ltda. (R$ 10.000.000,00), Habitare Corretora
de Imóveis Ltda. (R$ 20.000.000,00), Imobiliária Castro
Lima Ltda. (R$ 10.000.000,00), Construtora Gomes Lourenço Ltda. (R$ 14.206.855,93), GSP Incorporação de Imóveis Ltda. (R$ 9.949.885,07), Confiança Companhia de Seguros S/A (R$ 12.401.886,41), Cerâmica Santa
Terezinha S/A (R$ 7.390.042,38), Pró-Saude Planos de
Saúde Ltda. – SAMCIL (R$ 10.000.000,00), Somopar Sociedade
Moveleira Paranaense Ltda. (R$ 20.026.669,51), Univen Refinaria de
Petróleo Ltda. (R$ 20.055.828,10), Faville Indústria e
Comércio de Alimentos Ltda. (R$
16.014.770,54), Arantes Alimentos Ltda. (R$
10.000.000,00), Esbra Environmental Solutions Brasil S/A (R$
10.000.000,00), Independência S/A (R$
10.000.000,00), Usina Termelétrica de Anápolis Ltda. (R$
14.000.000,00), Cebel – Centrais Elétricas Belém S/A (R$
62.488.394,08), Fiorestta Cosmética Ltda. (R$
17.073.224,65), Indústrias Metais do Vale Ltda. (R$
13.037.873,37), Massa Alimentação e Serviços S/A (R$
5.425.758,65), Nilpel Indústria e Comércio de Papéis Ltda. (R$
20.012.378,02), Pró-Saude Planos de Saúde Ltda. – SAMCIL (R$ 50.000.000,00),
Resul
S/A (R$ 20.000.000,00), Secred SPE S/A (R$
50.000.000,00), Sifco S/A (R$ 15.000.000,00), Teixeira
e Holzmann Ltda. (R$ 15.542.102,03), Ville
de France Empreendimentos Imobiliários Ltda. (R$ 15.067.929,29), Allcred
SPE S/A (R$ 25.000.000,00), Providax Participações S/A (R$ 95.000.000,00),
Centrais
Elétricas do Pará S/A Celpa (R$ 75.063.858,87), Santana
Textil Mato Grosso S/A (R$ 30.015.273,43), V55
Empreendimentos S/A (R$ 51.000.000,00), Atac
Participação e Agropecuária Ltda. (R$ 60.038.085,80), Laima
Participações Ltda. (R$ 32.300.000,00), Phoenix
Empreendimentos Imobiliários Ltda. (R$ 41.956.730,41), SPE
Poty Premier – Empreendimentos e Participações Ltda. (R$ 27.093.849,40),
SPE
Renno – Empreendimentos e Participações Ltda. (R$ 33.352.147,93), SPE
Administradora Rex Ltda. (R$ 35.000.000,00), Boa Viagem Medical Center (R$ 10.306.070,61),
Cibrasec
– Companhia Brasileira de Securitização (R$ 61.179.353,06), Hospital
da Bahia Ltda. (R$ 25.137.101,00), Galileo
Gestora de Recursos SPE S/A (R$ 24.344.914,44), Eletrosom
S/A (R$ 50.000.000,00), RBP Administração de Bens e Participações
Societárias Ltda. (R$ 22.000.000,00), GP
Aetatis II – Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios Imobiliários (R$ 5.013.180,17),
FIDC
Trendbank Banco de Fomento – Multisetorial (R$ 23.877.934,21), Fundo
de Investimentos em Direitos Creditórios Multisetorial BVA Master (R$ 28.500.000,00),
Fundo
de Investimentos em Direitos Creditórios Multisetorial BVA Master II (R$ 32.499.999,99),
Fundo
de Investimentos em Direitos Creditórios Multisetorial BVA Master III (R$ 48.750.000,00),
Fundo
de Investimentos em Direitos Creditórios Multisetorial Itália (R$ 48.750.000,00),
Inepar
S/A Indústria e Construções (R$ 79.990.480,86) e HOPI HARI S/A (R$ 1.976.234,84).
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