Entrevista com Paulo Brandão e Luiz Carlos Pigozzi
Na semana passada obtivemos uma vitória importante para os companheiros participantes dos Planos Petros Copesul e Petros PQU. A Previc – Superintendência de Previdência Complementar – através do Ofício 1736, de 19 de maio de 2014, acatou e despachou favoravelmente uma denúncia feita pelos conselheiros eleitos da Petros àquela autarquia sobre a correção dos Fundos Individuais de Retirada (FIRs) dos participantes dos referidos planos, naquela momento em retirada de patrocínio.
É
importante destacar que esta denúncia foi apenas uma das ações concretas que os
conselheiros eleitos da Petros têm realizado juntamente com a AAPEC - Associação dos Aposentados e Pensionistas
da Copesul e suas Sucessoras, presidida pelo companheiro Luiz C. Pigozzi de
Araújo, o Pigozzi, entrevistado pelo BLOG de conselheiros eleitos da Petros,
junto com Paulo Brandão, conselheiro deliberativo da Petros, dois dos
personagens que tiveram uma participação decisiva neste processo.
Desde o início deste processo de retirada de patrocínio, os participantes ativos e assistidos do Plano Petros Copesul vieram se organizando para preservação dos direitos dos participantes. Além de criar a AAPEC e atuar junto com o escritório do Dr. César Vergara para ajuizar ações judiciais para defesa dos seus direitos, os associados da AAPEC, com Pigozzi à frente vieram atuando em Brasília, junto à Previc, ao Ministério da Previdência Social e à ANAPAR – Associação Nacional dos Participantes dos Fundos de Pensão - em unidade com os conselheiros eleitos da Petros indicados pelo CDPP – Comitê em Defesa dos Participantes da Petros. Esta unidade de ação tem tido o mérito de acompanhar cada passo do processo de retirada, municiando as iniciativas dos conselheiros eleitos e da AAPEC, além de possibilitar uma melhor defesa dos interesses dos participantes.
A iniciativa da Braskem em
cancelar a retirada de patrocínio dos Planos Petros Copesul e Petros PQU e
ajuizar notificação judicial à Petros ocorreu no último mês. Ainda assim, o
posicionamento da Previc em favor dos participantes na questão do recálculo dos
FIRs se constitui numa importante vitória, por que entendemos que este processo
está longe de seu fim.
Paulo Brandão, conselheiro
deliberativo da Petros, esteve junto com os demais conselheiros eleitos –
Epaminondas de Souza Mendes, Fernando Siqueira, Ronaldo Tedesco e Silvio
Sinedino – em Brasília para protocolar na Previc três consultas e duas denúncias
em defesa dos participantes da Petros. Esta reunião decisiva foi coordenada
pelo Presidente do Conselho Fiscal da Petros, Epaminondas de Souza Mendes. É
importante também destacar que o Conselho Fiscal da Petros esteve muito firme nesta
luta, como guardião fiduciário dos interesses da Petros e dos seus
participantes, com um posicionamento claro pela correção dos FIRs e encaminhamentos
à Previc sobre o tema.
BLOG - Como os senhores veem esta determinação da Previc para o
recálculo dos fundos individuais de retirada do pessoal da Copesul e PQU?
Pigozzi
- A forma estabelecida no Termo de
Retirada de Patrocínio firmado pela PETROS e BRASKEM para a atualização do
valor dos Fundos de Retirada, aliado ao não cumprimento do que as próprias partes
haviam estabelecido no documento, levou à caótica situação com que os
participantes passaram a conviver. Sem que nada pudessem fazer, viam o valor
dos seus patrimônios (Fundos Individuais de Retirada) se desvalorizarem mês a
mês, numa sangria sem fim. Tal fato teve como consequência um forte desgaste
emocional das pessoas, fácil de ser entendido e a merecer reparação. Várias tentativas
foram feitas no sentido de corrigir tamanha distorção, mostrando-se a
ilegalidade que estava posta, onde os participantes e assistidos estavam prestes
a pagar uma conta da qual não haviam dado causa.
Felizmente agora a PREVIC, por ação
dos Conselheiros Brandão, Epaminondas, Siqueira, Sinedino e Tedesco, determinou
o recálculo desses Fundos.
Brandão - Foi uma
reação favorável ao firme posicionamento dos Conselheiros Eleitos indicados
pelo CDPP quando em reunião com a diretoria da PREVIC. Os conselheiros eleitos
insistiram, com consistente demonstração técnica, para que os participantes dos
Planos PQU e CUPESUL não fossem prejudicados com a retirada de patrocínio sem a
garantia dos direitos adquiridos e, principalmente, pelas medidas equivocadas tomadas
pela direção da Petros, ou seja: primeiro dando seguimento à solicitação da
patrocinadora para iniciar processo de retirada de patrocínio, contra os
alertas e voto dos citados Conselheiros, sem avaliar se as reservas
constituídas, com previsão para liquidação no médio e longo prazos, eram
naquele momento líquidas; segundo, confirmada a iliquidez imediata das reservas
constituídas dos Planos PQU e Copesul, proposta de transferências de ativos sem
liquidez destes para outros Planos e de ativos com liquidez destes para os em
processo de formação do fundo individual destinado a efetivação da retirada de
patrocínio. Isso não foi aprovado pelo Conselho Fiscal e pelo Conselho
Deliberativo, em face do surpreendente posicionamento da PREVIC transferindo para
os Conselhos da Fundação a responsabilidade da concordância daquela
ilegalidade.
BLOG
– E quais são as consequências imediatas desta vitória?
Pigozzi
- Aos assistidos a medida tem como primeira consequência
a reposição do valor dos Fundos à sua condição previdenciária original. Ela
traz à data do efetivo pagamento o montante atuarialmente calculado e necessário
à sobrevivência até a data prevista na tábua de mortalidade considerada nos
cálculos. É correção fundamental, apesar da injusta retirada de patrocínio que
desprezou o direito adquirido dos assistidos. Houvesse sido realizado o
pagamento dos Fundos na situação anterior, não conseguimos imaginar o real
impacto nas vidas de cerca 800 famílias atingidas. Desenhava-se um massacre.
BLOG
– O senhor entende que esta medida faz justiça aos participantes?
Pigozzi
- Não há como segregar essa determinação da PREVIC
da decisão da patrocinadora em cancelar o pedido de retirada de patrocínio que
estava em andamento. Todo aquele prejuízo que seria injustamente imputado aos
participantes, passaria agora a ser obrigatoriamente suportado por quem de
direito. É o macaco trocando de ombro, saindo de onde nunca deveria ter estado.
Até aqui, salvou-se um plano de benefícios, e seus assistidos voltaram a
respirar. Será então possível um bom final para todos? Acreditamos que seja
possível. Dependerá sempre da vontade e disposição da patrocinadora e da
PETROS. Os participantes só esperam por isso.
BLOG
- O cancelamento do processo de retirada de patrocínio de ambos os planos
preocupa os participantes?
Pigozzi
- O cancelamento pura e simplesmente não constitui
preocupação. Passamos novamente à
condição de integrantes de um plano - deficitário é verdade - mas era
exatamente por esse retorno que lutávamos até então. Este foi o primeiro e
importantíssimo passo alcançado. Passamos agora a lidar com novas preocupações,
a saber: 1) qual a verdadeira dimensão e origem do déficit do plano? 2) como se
pretenderá o seu equacionamento? 3) ocorrerá novo movimento da patrocinadora
rumo à retirada de patrocínio, já que esta vontade já foi devidamente manifestada
pela primeira tentativa? Teremos que conviver ainda algum tempo com essas
dúvidas.
Brandão - Com
certeza, apesar da alegria pela notícia do recuo da Braskem, porque aguardam a
necessária homologação pela PREVIC; informações mais detalhadas,
principalmente, como ficará o equilíbrio do seu Plano, em virtude da
desvalorização que os ativos tiveram durante o equivocado processo. Precisamos
acompanhar se essa medida tomada pela patrocinadora não é estratégica, obrigada
pela necessidade de aporte de recursos se mantivesse o processo de retirada,
aguardando ocasião mais favorável para retornar com a proposta de abandono dos
seus compromissos assumidos quando do processo de privatização, como sucessores
da patrocinadora estatal contido no original Acordo de Adesão exigido pela Lei
6435/77.
BLOG
- O que a AAPEC está fazendo neste momento e quais os desdobramentos?
Pigozzi - Os fatos são recentes e ainda não desencadearam ações concretas.
Passaremos agora a avaliar novas ações preventivas com vistas a assegurar a
manutenção da percepção vitalícia do benefício contratado com a PETROS,
antecipando-nos a futuras ameaças. Julgamos importante uma aproximação com a
Associação que representa os colegas assistidos do Plano PETROS PQU, assim como
estabelecer uma relação mais próxima com a direção da PETROS, que até aqui
pouca ou nenhuma consideração destinou à representação dos assistidos. Não
vemos sentido nesse distanciamento hoje existente. Esta aproximação,
logicamente, deverá ocorrer com a participação dos conselheiros eleitos dos Conselhos
Deliberativo e Fiscal da PETROS.
Luiz Carlos Pigozzi |
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Paulo Brandão |
Só espero que aquela ação de notificação da Braskem para a Petros não fique mofando em alguma gaveta, já que a Braskem pretende solicitar nova retirada de patrocínio. Desta forma seria interessante para a Braskem que ficasse na gaveta e assim quando chegasse em 2017 era só cancelar o processo atual. É uma forma de desestabilização e enrolar e manipular. Temos que tomar cuidado.
ResponderExcluirSeria interessante que os Conselheiros Petros e a associação através do Pigozzi e o próprio Sindipolo entrassem neste processo como 'interessados'.
Luiz Carlos S. Filho
luizcarlos@mbpalavraviva.org
Cel. (51) 9319-1695
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ResponderExcluirParabéns a todos nesta luta. Felizmente existem pessoas dedicadas que assim conseguiram frear a retirada de patrocínio em condições abusivas prejudicando o patrimônio dos participantes. Abs.,
ResponderExcluirNorberto Hugo Nast
Com relação aos aposentados Plano Petros Copesul:
ResponderExcluirReferente às diferenças salariais (acordo coletivo) - como será feito o pagamento?
Prezados companheiros,
ExcluirDesculpem, primeiramente, a demora em responder aos comentários no BLOG.
A questão do reajuste de benefícios está na dependência do posicionamento da Previc, que deu uma ordem à Petros (Proceder a Retirada de Patrocínio) e precisa dar nova ordem.
Até que esta situação se resolva, não serão realizados quaisquer outros procedimentos.
Forte abraço,
Ronaldo Tedesco
Reitero a pergunta do colega. Quando serão pagas as diferenças salariais referente categoria?
ResponderExcluirParabenizo e apoio incondicionalmente todos os que batalham para erradicar esta tentativa de claro prejuizo aos paraticipantes , que trabalharam e PRINCIPALMENTE CONTRIBUIRAM para a formação do patrimônio que hoje é a Petros. Avante companheiros!!! Não vamos desistir nunca!!
ResponderExcluirEsta correção dos FIRs podera ser aplicada ao pessoal da ex-COPENE
ResponderExcluirGrato