quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Militares nas ruas

Segunda-feira, dia 21 de novembro de 2013, na Barra da Tijuca, não foi somente o Governo Dilma que colocou o exército para enfrentar a mobilização de ativistas , sindicatos e de uma pequena parte da população do Rio de Janeiro contra o leilão de Libra. Houve uma ruptura histórica onde este Governo, que sucedeu a dois mandatos de Lula, abandonou um programa histórico, nacionalista e desenvolvimentista para implementar uma política pró-imperialista. E, com isto, utilizou-se do aparato militar para enfrentar a luta dos trabalhadores, como qualquer governo pró-imperialista o faz.

Em 1995, os petroleiros e os demais trabalhadores sabiam claramente quem estavam enfrentando. Depois de mais de 20 anos de lutas contra a ditadura militar, liderados por Lula e pelo PT, os trabalhadores brasileiros haviam sofrido a sua segunda derrota eleitoral na disputa pela presidência do Brasil. Fernando Henrique Cardoso era a continuidade do projeto de Fernando Collor de Melo e sua ascensão ao planalto fora sustentada por Itamar Franco, após a capitulação petista à governabilidade pós-Fora Collor.

Então, neste momento, os petroleiros não tinham qualquer ilusão de classe no recém empossado Governo FHC. E foram à luta enfrentar seu inimigo, como dizia o slogan, “sem medo de ser feliz”. As forças armadas deste país não iriam deixar de serem chamadas para garantir a política do Governo FHC. Por mais que isto fosse duro e ameaçador, não havia por parte dos trabalhadores nenhuma ilusão de que isto não fosse acontecer.

Passados 18 anos, a consciência dos trabalhadores brasileiros está atormentada por dúvidas profundas em relação ao caráter deste governo. Embalados por 25 anos de luta contra a ditadura, os petistas seguem com um discurso apoiado no populismo e que esbarra volta e meia no antigo programa que já defenderam. Desta forma, observamos com asco a Presidenta Dilma Rousseff – que já foi torturada pelo regime militar - tentar diferenciar o leilão de Libra dos processos privatistas.


O chamado do Governo Dilma à Força Nacional é, portanto, mais que uma ofensa e uma covardia com movimento social. Trata-se de um desmascaramento,  onde os antigos líderes dos trabalhadores brasileiros empunham armas contra estes trabalhadores. As ilusões de classe começam a se esvanecer. Os professores do Rio de Janeiro, por exemplo, estão localizando de forma bastante clara, quem é o inimigo e que ele está no Governo Estadual e na prefeitura. Os petroleiros, da mesma forma, começam a ver, que o inimigo está encastelado no planalto, ainda que escondido e travestido por trás de uma estrela vermelha.

Aqueles que afirmavam que era um governo em disputa, no mínimo, têm que dizer agora que perderam a disputa. O fato é que o governo escolheu seu lado. E o debate sobre seu caráter antidemocrático fica desnudo com as bombas de efeito moral, o gás lacrimogêneo, o gás de pimenta e as balas de borracha enfrentando a população.

Estamos no início deste processo. A disposição de luta que estamos verificando nos jovens que estão indo às ruas, enfrentando com paus e pedras o aparato militar, demonstra que ainda há muito por vir.

Mais do que isto. O chamado do Governo Dilma para a repressão das forças armadas ao movimento social não é uma demonstração de força, mas de fraqueza. A fraqueza deste governo que precisa impor à força o seu projeto. A tarefa dos que lutam é acompanhar com rigor este processo para que estas lutas se unifiquem em torno a um programa e uma nova direção ao movimento. A caminhada apenas se inicia.(Ronaldo Tedesco/Conselheiro Fiscal Eleito da Petros e Diretor de Comunicação da AEPET)

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