É revoltante a matéria “Repactuados e não repactuados já estão em planos separados” publicada em 3 de abril de 2018 na página da Federação Única dos Petroleiros na rede mundial de computadores.
Sem rodeios, a
FUP culpa os petroleiros que não repactuaram seus direitos pelo déficit técnico
do Plano Petros do Sistema Petrobrás (PPSP) que supera R$ 30 bilhões.
Afirma aquela
federação:
“... grande
parte do déficit do Plano Petros-1 são contingências judiciais causadas pelas
ações que os participantes e assistidos movem contra a Petros, que já impactam
negativamente o plano em pelo menos R$ 4 bilhões. Soma-se a isso o
significativo aumento do passivo do PP-1, decorrentes da revisão dos benefícios
que poderá ocorrer, em função dessas mesmas ações judiciais. A maior parte
desse contingente é decorrente de ações movidas pelos não repactuados, cobrando
correção de seus benefícios com base na RMNR e no PCAC.”
Primeiro, é
importante entender que o déficit técnico do PPSP tem distintas e importantes
componentes:
- falta de contribuições das patrocinadoras entre abril de 1978 e janeiro de 1981 que contribuiu para a falta de acumulação do plano em sua fase de capitalização;
- as alterações no passivo atuarial (ou seja, o crescimento “imprevisto” dos compromissos da Petros com o pagamento de benefícios concedidos e a conceder) e a falta de gestão desses compromissos através de um acompanhamento isento e criterioso dos mesmos;
- as perdas e alterações nos ativos da Petros (ou seja, as perdas com investimentos, a precificação errada, o descontrole da gestão dos investimentos, utilização do nosso patrimônio para execução de projetos políticos, as denúncias de corrupção etc.);
- a falta de avaliação e mensuração das possíveis dívidas das patrocinadoras do plano promovidas por uma “política” de Recursos Humanos errática na Petrobrás (concessão de níveis salariais, acordo de níveis, aceleração de carreiras, RMNR, PCAC etc.);
- a falta de cobrança de dívidas provenientes do processo de cisão do plano na década de 2000, com as privatizações das empresas Petroflex, Nitriflex, PQU, Copesul, Copene etc;
- a concessão de benefício a uma submassa do Plano (Grupo 78/79) sem a cobrança dos valores calculados pela perita judicial para que a mesma fosse realizada;
- a contratação de três dívidas das patrocinadoras com o PPSP (FAT/FC, Pré-70 e Diferença de Pensão) através de contratos mal feitos, que estão retirando liquidez do plano e nesse momento de déficit técnico prejudicam o PPSP de maneira severa (falta de cobrança dos impactos atuariais pós 2001 no TCF do FAT/FC e não reflexo das perdas dos ativos do plano no cálculo do Ajuste Atuarial dos TCFs dos Pré-70 e Diferença de Pensão);
Portanto, o contingente judicial
derivado das ações jurídicas impetradas por assistidos do PPSP que se julgam
prejudicados pelo reajuste de seus benefícios terem sido realizados sem
acompanhar os salários dos ativos da patrocinadora é uma parte do déficit técnico
atual, mas está longe, muito longe, de ser a causa do mesmo. A causa desse
impacto é a não cobrança às patrocinadoras de seu compromisso regulamentar
conforme o Artigo 48, inciso IX, que lhes confere total responsabilidade sobre
essa parte do déficit.
Esse contingente judicial,
que contabiliza um impacto financeiro da ordem de R$ 4 bilhões, é provocado
pelas ações que são consideradas de perda provável para a Fundação e, caso se
confirme essa hipótese, deverá ser calculado também o impacto atuarial após o
trânsito em julgado que poderá ser da ordem de R$ 4 bilhões ou até mais.
Mas não é verdade que foi provocado
pelas ações dos não repactuados (se bem que, é verdade, muitos sindicatos da
FUP se recusaram a fazer essas ações). As ações foram movidas por repactuados e
não repactuados, indistintamente, através de seus sindicatos ou de forma
independente, por todos que se consideraram prejudicados pelo reajuste a menor
que seus vencimentos sofreram, desde antes do processo de repactuação. Ou seja,
imputar essa questão aos não-repactuados é, no mínimo, leviano e irresponsável.
Em relação aos níveis,
tanto repactuados, como não repactuados conquistaram na justiça o direito ao
reajuste de seus benefícios baseado nos artigos 41 e 42 e na cobertura do
artigo 48, inciso IX. Essa conquista foi inclusive o motivo do chamado acordo
de níveis entre a Petrobrás e os sindicatos, concedendo para quem não entrou
com as ações o mesmo direito. Essa clausula do ACT é, segundo foi acordado pela
FUP, sem custo para a Petrobrás. Ou seja, com custo para todos nós.
Em relação a RMNR e ao
PCAC, temos visto que os repactuados não têm obtido sucesso judicial,
justamente por terem aderido à repactuação. E os não repactuados tem iniciado
uma disputa, agora na justiça comum, que ainda não definiu ou consolidou um posicionamento
a favor ou contrário.
Mas, tudo isso, a FUP
sabe.
Tanto sabe que, na votação
sobre o Plano de Equacionamento do PPSP, seu representante no CD da Petros não
somente se posicionou contrário ao PED, como também registrou em ata sua
concordância com os itens “c” a “i” de nosso parecer, que colocava os aspectos de
gestão do plano como preponderantes para nosso posicionamento contrário ao PED
do PPSP que foi aprovado.
A FUP apoia a cisão do PPSP
Na verdade, a questão tratada
pelo artigo da FUP é sobre a cisão do PPSP que aconteceu, como afirmou a FUP, “após anos de reivindicações da FUP,
que sempre defendeu a divisão das massas do Plano Petros-1, por não considerar
justo, nem ético que 75% dos participantes e assistidos que repactuaram e impediram
a insolvência do plano sejam penalizados pelas ações dos que não repactuaram”.
A FUP aprovou, com os conselheiros
das patrocinadoras, no Conselho Deliberativo da Petros essa proposta, baseada
num parecer técnico atuarial que sustentava a ideia de um “subsídio cruzado”
entre as submassas de repactuados e não repactuados (uma das massas consumindo
recursos financeiros sistematicamente da outra submassa).
Ocorre que o atuário não
conseguiu comprovar que esse “subsídio cruzado”, de fato, exista. Um estudo
realizado pelo GDPAPE, uma das organizações que compõem o Fórum em Defesa da
Petros junto com a FENASPE e a FNP, demonstra que tal hipótese não se confirma.
Outros estudos que temos
realizado, inclusive com a participação da própria FUP, demonstrou recentemente
que há, de fato, um subsídio cruzado entre duas submassas do PPSP. Mas essas
não são as submassas repactuadas e não repactuadas.
Temos verificado que o
subsídio cruzado tem sido mantido há anos entre as submassas de Pré-70 e
Pós-70, onde, sistematicamente, a submassa dos Pós-70 tem garantido a liquidez
e agora também a solvência da submassa dos Pré-70.
Mas essa situação não é
motivo de preocupação ou de iniciativas da FUP, e nem da Petros. Não há, até
hoje, qualquer estudo da Petros para se verificar esse subsídio cruzado que, em
nossa opinião, está comprometendo decisivamente os resultados do PPSP. E qual o
motivo? Essa situação beneficia claramente as patrocinadoras do PPSP. Em
prejuízo de todos nós. Nossas solicitações de que o Conselho Deliberativo da
Petros determine a realização desse estudo tem sido ignorada pelo Conselho e
pela Diretoria da Petros.
Há uma pressa em promover
a cisão entre repactuados e não repactuados. Mas não existe qualquer vontade em
verificar se há subsídio cruzado entre Pré-70 e Pós-70.
As razões da FUP
Ao fazer essas
afirmações, a FUP esquece tudo o que aconteceu nos últimos 16 anos na Petros e
na Petrobrás. E ignorar o passado é a única forma de continuar defendendo a
cisão.
A FUP precisa
negar ou esquecer que durante a última década e meia esteve à frente da nossa
Fundação e foi responsável direta ou indireta por todos os elementos acima
citados que formaram o déficit técnico do PPSP. Inclusive a falta de avaliação
dos impactos atuariais, falta de cobrança dos regressos judiciais, falta de
cobrança das contribuições das patrocinadoras, maus investimentos,
investimentos suspeitos de problemas morais, fechamento de acordos coletivos de
trabalho “sem custo para a Petrobrás” e um longo etc.
Mais fácil
para aquela federação colocar a culpa naqueles participantes que lutam e
defendem seus direitos. Acusá-los de serem os responsáveis por tudo o que está
acontecendo é um desdobramento natural de quem não reconhece seus erros.
A cisão acabará com nosso plano
Continuamos a
defender que, apesar dos enormes erros da FUP à frente da gestão da Petros, a
decisão de fazer esse equacionamento do jeito que foi aprovado obedece uma
lógica da patrocinadora e do atual governo em acabar com o nosso plano. É parte
dos ataques que a Petrobrás está sofrendo desde sua alta administração em comum
acordo com os ditames do Governo Temer, se aproveitando dessa conjuntura
defensiva em que os trabalhadores ainda se mantém paralisados para reduzir o
passivo previdenciário da companhia.
Em relação aos
repactuados, a cisão em dois planos consolidará a perda do direito ao artigo
48, inciso IX, retirando definitivamente das Patrocinadoras qualquer
responsabilidade integral por alguma parte do déficit do novo plano PPSP-R.
Por outro
lado, o plano PPSP-NR, dos não repactuados, restará inviabilizado dado que o
número total de não repactuados do PPSP é da ordem de 25%. Mas entre os Pré-70,
esse número sobe para 56%. Isso significará que, mantida a metodologia empregada
pela Petros na elaboração do PED do PPSP, o PPSP-NR ficará inviável, pois o
número de participantes assistidos que deverá dividir o déficit técnico do
futuro PED do PPSP-NR será proporcionalmente muito menor.
Por último, é
preciso dizer que temos envidado esforços para construir uma unidade decisiva nessa
luta em defesa da Petros e dos direitos dos participantes e assistidos da
Fundação. Mas como construir uma unidade útil aos trabalhadores com esse tipo
de contradição?
Pedindo perdão
pelo longo texto, o apoio à cisão do PPSP significa apoiar a inviabilidade do
mesmo e sua extinção. Essa é a essência do que a FUP comemora em seu artigo.
Olá!...preparei um site privado para proposições futuras junto a Petros e para acessálo informe gmail de Participantes e Assistidos Petros (papetros) e assim tratarmos das proposições e seus desdobramentos.... https://sites.google.com/view/papetros
ResponderExcluirNão consigo acessar o site!!!
ResponderExcluirOlá Adalmir!...Todos que são Participantes ou Assistidos Petros informem seu gmail que será compartilhado lhes dando assim acesso ao site ora privado https://sites.google.com/view/papetros
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