Itausa (ITSA3) foi vendida
pela Petros à Fundação da AMBEV em leilão na sexta-feira
Segundo a Petros informou, o leilão de Itausa foi realizado com um grande sucesso (ao preço de
R$10,50/ação), apesar da tentativa de o mercado interferir na operação, como
evidencia a tabela abaixo.
Data
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Preço Fech ITSA3
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Volume negociado
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14/12/2017
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10,40
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802.800
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13/12/2017
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10,19
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67.500
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12/12/2017
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10,20
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33.000
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11/12/2017
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10,19
|
17.300
|
08/12/2017
|
10,18
|
35.800
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07/12/2017
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10,06
|
68.600
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06/12/2017
|
10,20
|
73.900
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05/12/2017
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10,00
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52.700
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04/12/2017
|
10,10
|
71.500
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01/12/2017
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10,09
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103.400
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Agentes entraram agressivamente se posicionando quinta e sexta-feira, dias
14 e 15 de dezembro e no final do dia colocaram as ações a valores inferiores
aos nossos para vender para o nosso comprador, mas nosso lote foi totalmente comprado
pela Fundação da Ambev (http://braziljournal.com/fundacao-da-ambev-fica-socia-da-itausa-com-r45-bi), que possui o passivo adequado para carregar esse ativo, enquanto que
o PPSP não.
A operação foi fundamental para a racionalização da carteira de
investimentos do PPSP, que hoje se encontra disfuncional com relação ao seu
passivo.
Quem compra barato, aceita desaforo
As ações de Itausa estavam pressionando muito a carteira de ativos da
Petros, primeiro por seu volume, e depois por sua iliquidez. A Petros buscou
essa negociação para superar a falta de flexibilidade da carteira, tendo em
vista a maturidade do PPSP, plano que recepcionou Itausa. Cada vez mais, o
Plano Petros do Sistema Petrobrás (PPSP) irá necessitar de maior liquidez e a
Política de Investimentos da Petros já aponta para essa situação há alguns
anos.
Nesse sentido, não somente ITAUSA, mas diversos outros ativos de
participação da Petros estarão para ser negociados no momento certo, como
recentemente tivemos a venda de Eldorado Celulose, entre outros.
ITAUSA sempre teve questionamentos por parte de diversos participantes
da Petros, devido aos problemas graves em sua aquisição. O Conselho
Deliberativo, numa decisão controvertida, aprovou por unanimidade a compra das
ações de ITSA3 da empresa Camargo Correia. Na ocasião, todos os
indicativos de analistas do mercado e da Fundação apontavam ser o investimento
bom no médio e longo prazo e a decisão do CD considerou também a participação
no acordo de acionistas da empresa.
Posteriormente, verificou-se que houve diversas irregularidades na
execução da operação, que levou a mesma ser inclusive denunciada aos órgãos
públicos e à CPI dos fundos de pensão. Interessante observar que a estratégia
da precificação no processo de aquisição de ITAUSA foi feita de maneira que nem
o Conselho Deliberativo e nem mesmo o Conselho Fiscal da Petros na época
souberam constatar os problemas, que só começaram a ser apontados quase um ano
depois. Mesmo na CPI dos fundos de pensão, a denúncia realizada em 2015 apontou
o nome dos conselheiros deliberativos, mas acabou por omitir, estranhamente, o
nome do Presidente da Petros à época e o relator do processo no conselho
deliberativo.
A Previc, órgão de fiscalização dos fundos de pensão, autuou o
ex-diretor de investimentos da Petros, Luiz Carlos Afonso, por sua participação
no episódio. E o Ministério Público Federal ainda segue investigando. A própria
Petros constituiu Comissão Interna de Apuração que confirmou as irregularidades
cometidas na compra do ativo.
Os estudos da Petros sobre ITAUSA esse ano apontavam que o ativo poderia
no próximo período atingir ou mesmo superar a meta atuarial. Mas a falta de
flexibilidade da carteira de participações levou a Petros a negociar a venda
mesmo assim.
O principal problema em relação a compra de ITAUSA foi a precificação realizada
pela Petros, com um suposto prêmio de controle, que não se confirmou e acreditando
num cenário positivo de valorização da ação que nunca se confirmou também. Além
disso, a iliquidez de ITSA3 é um grande problema para um plano como o PPSP.
Esses elementos acabaram por confirmar o ditado do mercado de “quem compra
barato aceita desaforo”.
Durante o processo de venda, também tivemos alguns problemas com relação
à precificação das ações. Mas até onde podemos verificar, no momento, os
problemas foram superados e não provocaram qualquer prejuízo à operação.
A carteira de investimentos do PPSP está muito exposta a riscos num
momento em que o plano, maduro e em extinção, já não pode mais se expor. Por
isso, é preciso que os ativos tenham sempre uma maior liquidez, permitindo
maior flexibilidade.
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