![]() |
Ronaldo Tedesco * |
Sobre os investimentos da Petros e a possibilidade de perdas aos participantes
A Jornalista Geralda Doca, do jornal O GLOBO, nos procurou por
telefone para saber a respeito dos investimentos da Petros e os riscos de
perdas aos participantes. Orientamos a mesma que fizesse as perguntas por
escrito e que responderíamos por escrito de imediato. Abaixo segue nossa
resposta.
Prezada Jornalista Geralda Doca,
A nossa opinião é que a carteira de ativos da Petros tem um perfil
extremamente sólido. Para entender, basta verificar a rentabilidade da Entidade
ao longo dos últimos anos, como demonstra o quadro abaixo:
Nos últimos 12 anos, somente em 2008, 2011 e 2013 a Petros não atingiu a
meta atuarial necessária para garantia das reservas matemáticas dos seus
participantes. A situação do ano passado preocupa, é claro, por que a Petros
esteve na última posição entre os grandes fundos de pensão do país em termos de
rentabilidade.
Apesar desta solidez, nossa preocupação é constante devido a alguns
investimentos em que a Entidade tem participado por orientação de sua Diretoria
Executiva. Falamos, por exemplo, da Usina Belo Monte, investimento cujo
montante de participação da Entidade chegará a R$ 600 milhões. Mas cujas
garantias não nos são satisfatórias. Ou ainda Lupatech, uma empresa do setor
petróleo, que presta serviços à Petrobrás. A Lupatech recebeu um investimento
superior a R$ 300 milhões, mas se encontra em situação falimentar.
Outro foco de preocupação é a INVEPAR, que neste momento se encontra
fortemente alavancada e com uma rentabilidade muito aquém do que se poderia
esperar. A INVEPAR é uma sociedade da Petros com a FUNCEF, a PREVI e a OAS.
Está última acaba sendo muito beneficiada por que participa de concorrências
públicas ancorada nos fundos de pensão estatais, ficando com “contratos certos
com o “filé” do que o governo leiloa, como o Aeroporto de Guarulhos, entre
outros. A questão que se coloca é se esta sociedade garante ou não a
rentabilidade mínima que a Petros precisa atingir. Se não garantir, a Petros
não pode se manter em tal ativo.
Todos estes investimentos citados são de interesse do governo brasileiro,
que se aproveita da forte influência que exerce sobre os fundos de pensão
estatais para atraí-los para estes ativos. A pergunta é: se os investimentos
que os diversos governos de plantão (sempre) têm indicado para a Petros derem
errado, a União garantirá no mínimo a meta atuarial dos planos de benefícios
envolvidos? Ou vão nos deixar a ver navios afundando? Por exemplo, a SETE
BRASIL é uma empresa que a Petros está ajudando a erguer. Mas, se não der
certo, o Governo Brasileiro e a Petrobrás, que são os principais interessados
neste negócio, vão garantir o retorno necessário para a garantia dos direitos
dos participantes?
Além destes ativos, nossa preocupação tem sido a carteira de crédito
privado.
Embora todos os investimentos – até onde podemos acompanhar – tenham sempre
avaliação fundamentada em pareceres dos técnicos da Entidade e consultores
contratados, a Petros tem se envolvido em diversos ativos para os quais estão
sendo provisionadas perdas que, até o
final do ano passado ultrapassaram R$ 500 milhões.
Este provisionamento é feito para ativos cujo fluxo de pagamentos foi
interrompido por mais de 60 dias. São investimentos em Cédulas de Crédito
Bancário e Certificados de Cédulas de Crédito Bancário, Cédulas de Crédito
Imobiliário, além de aplicações em debêntures, administradas por diversos
gestores e diferentes instituições financeiras. Nossa opinião é que este valor
total deve quase dobrar, quando atingir um prazo de 360 dias, para o qual o
provisionamento é total (100%).
De imediato, não acreditamos que haverá perdas significativas que possam
provocar uma redução de benefícios ou aumento das contribuições dos
participantes. Mas é preciso que a Diretoria Executiva da Petros inverta esta
rota dos investimentos. Adote um plano para que a carteira de ativos do plano
original, dos petroleiros, seja fundeada em ativos de renda fixa com
rentabilidade superior à meta atuarial. E pare de realizar investimentos cujas
garantias não sejam a mais seguras, como foi o caso de GALILEO.
Atenciosamente,
Ronaldo Tedesco
Conselheiro Fiscal - Petros
* Ronaldo Tedesco é Conselheiro Fiscal da Petros e Diretor de Comunicação da AEPET
Companheiro Tedesco, de que maneira nos participantes podemos acompanhar como está sendo investido nosso patrimônio? Cordiais saudações
ResponderExcluir