sexta-feira, 13 de junho de 2014

Resposta ao Jornal O GLOBO em 13 de junho de 2014

Ronaldo Tedesco *
Sobre os investimentos da Petros e a possibilidade de perdas aos participantes

A Jornalista Geralda Doca, do jornal O GLOBO, nos procurou por telefone para saber a respeito dos investimentos da Petros e os riscos de perdas aos participantes. Orientamos a mesma que fizesse as perguntas por escrito e que responderíamos por escrito de imediato. Abaixo segue nossa resposta.


Prezada Jornalista Geralda Doca,
A nossa opinião é que a carteira de ativos da Petros tem um perfil extremamente sólido. Para entender, basta verificar a rentabilidade da Entidade ao longo dos últimos anos, como demonstra o quadro abaixo:
 
Nos últimos 12 anos, somente em 2008, 2011 e 2013 a Petros não atingiu a meta atuarial necessária para garantia das reservas matemáticas dos seus participantes. A situação do ano passado preocupa, é claro, por que a Petros esteve na última posição entre os grandes fundos de pensão do país em termos de rentabilidade.
Apesar desta solidez, nossa preocupação é constante devido a alguns investimentos em que a Entidade tem participado por orientação de sua Diretoria Executiva. Falamos, por exemplo, da Usina Belo Monte, investimento cujo montante de participação da Entidade chegará a R$ 600 milhões. Mas cujas garantias não nos são satisfatórias. Ou ainda Lupatech, uma empresa do setor petróleo, que presta serviços à Petrobrás. A Lupatech recebeu um investimento superior a R$ 300 milhões, mas se encontra em situação falimentar.
Outro foco de preocupação é a INVEPAR, que neste momento se encontra fortemente alavancada e com uma rentabilidade muito aquém do que se poderia esperar. A INVEPAR é uma sociedade da Petros com a FUNCEF, a PREVI e a OAS. Está última acaba sendo muito beneficiada por que participa de concorrências públicas ancorada nos fundos de pensão estatais, ficando com “contratos certos com o “filé” do que o governo leiloa, como o Aeroporto de Guarulhos, entre outros. A questão que se coloca é se esta sociedade garante ou não a rentabilidade mínima que a Petros precisa atingir. Se não garantir, a Petros não pode se manter em tal ativo.
Todos estes investimentos citados são de interesse do governo brasileiro, que se aproveita da forte influência que exerce sobre os fundos de pensão estatais para atraí-los para estes ativos. A pergunta é: se os investimentos que os diversos governos de plantão (sempre) têm indicado para a Petros derem errado, a União garantirá no mínimo a meta atuarial dos planos de benefícios envolvidos? Ou vão nos deixar a ver navios afundando? Por exemplo, a SETE BRASIL é uma empresa que a Petros está ajudando a erguer. Mas, se não der certo, o Governo Brasileiro e a Petrobrás, que são os principais interessados neste negócio, vão garantir o retorno necessário para a garantia dos direitos dos participantes?
Além destes ativos, nossa preocupação tem sido a carteira de crédito privado.
Embora todos os investimentos – até onde podemos acompanhar – tenham sempre avaliação fundamentada em pareceres dos técnicos da Entidade e consultores contratados, a Petros tem se envolvido em diversos ativos para os quais estão sendo  provisionadas perdas que, até o final do ano passado ultrapassaram R$ 500 milhões.
Este provisionamento é feito para ativos cujo fluxo de pagamentos foi interrompido por mais de 60 dias. São investimentos em Cédulas de Crédito Bancário e Certificados de Cédulas de Crédito Bancário, Cédulas de Crédito Imobiliário, além de aplicações em debêntures, administradas por diversos gestores e diferentes instituições financeiras. Nossa opinião é que este valor total deve quase dobrar, quando atingir um prazo de 360 dias, para o qual o provisionamento é total (100%).
De imediato, não acreditamos que haverá perdas significativas que possam provocar uma redução de benefícios ou aumento das contribuições dos participantes. Mas é preciso que a Diretoria Executiva da Petros inverta esta rota dos investimentos. Adote um plano para que a carteira de ativos do plano original, dos petroleiros, seja fundeada em ativos de renda fixa com rentabilidade superior à meta atuarial. E pare de realizar investimentos cujas garantias não sejam a mais seguras, como foi o caso de GALILEO.
Atenciosamente,
Ronaldo Tedesco
Conselheiro Fiscal - Petros

* Ronaldo Tedesco é Conselheiro Fiscal da Petros e Diretor de Comunicação da AEPET


Um comentário:

  1. Demostenes Araújo14/10/2014 21:09

    Companheiro Tedesco, de que maneira nos participantes podemos acompanhar como está sendo investido nosso patrimônio? Cordiais saudações

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