O que todos já sabiam,
aconteceu. Na última sexta-feira, dia 29 de julho, com os votos dos
representantes da Petrobras e da FUP no Conselho Deliberativo da
Petros, as Demonstrações Contábeis do exercício 2015 da Fundação
e de seus planos foi aprovada.
As contas da Petros fecharam
em dezembro do ano passado acumulando um déficit técnico de R$ 23
Bilhões. Este número expressa cerca de R$ 8 Bilhões em falta de
rentabilidade nos ativos da Fundação e cerca de R$ 15 Bilhões em
crescimento do passivo atuarial. A apreciação das contas da gestão
da Petros era esperada desde o início do ano. Mas somente agora pode
ser realizada.
Falta de Transparência
A diretoria executiva da
Petros não tem apresentado os balancetes mensais da Fundação desde
novembro de 2015 e somente no início do mês passado entregou ao
Conselho Fiscal o parecer independente da empresa PwC e as
demonstrações de 2015, para que fosse emitido o parecer anual do
órgão interno de fiscalização.
Uma gestão de crise, em que
tivemos nos últimos anos troca de diversos diretores, todos eles
nomeados pela direção da Petrobrás em acordo com a direção da
FUP. Somente nos últimos 2 anos tivemos 4 diferentes diretores de
investimentos, a saber, Carlos Fernando Costa, Newton Carneiro da
Cunha, Lício Raimundo da Costa e Yves Cézar Fülber, este último o
atual titular do posto.
Recomendação unânime do
Conselho Fiscal é ignorada pela Petrobrás e pela FUP
Os diversos apontamentos dos
conselheiros eleitos sobre os investimentos e sobre o passivo
atuarial não comoveram nem a Petrobrás, muito menos o representante
da FUP, que correu para aprovar as contas da Petros.
Foi o terceiro ano – por
unanimidade – e pelo 13º ano consecutivo, em que o Conselho Fiscal
recomendou a rejeição das contas da Petros. Entre os principais
motivos estão as dívidas da Petrobras para com o Plano Petros do
Sistema Petrobrás (PPSP) e a utilização ilegal de recursos do PPSP
e Plano Petros 2 (PP-2) para financiamento administrativo dos demais
planos administrados pela Petros.
O Presidente do Conselho
Fiscal, Ronaldo Tedesco, comentou a decisão do conselho
deliberativo: “Infelizmente, aqueles participantes e assistidos que
estão preocupados com a situação da Petros por conta de
investimentos ruins ou mal geridos, têm hoje muito mais com o que se
preocupar. O passivo atuarial cresceu acima das expectativas por que
a diretoria executiva da Petros se recusa a cobrar da Petrobras
dívidas da patrocinadora para com o nosso plano. Esta situação tem
se repetido ao longo dos últimos anos sem que quaisquer providências
tenham sido efetivadas, apesar de nossas denúncias aos órgãos de
fiscalização. Obviamente é uma situação cômoda para a
Petrobrás, que não se vê obrigada a arcar com as dívidas que são
de sua responsabilidade, repartindo com participantes e assistidos
indevidamente esta conta. Não concordamos com esta posição, mas
não é difícil entender. O que não é aceitável é que o
representante da FUP tenha o mesmo comportamento”.
Petrobrás, FUP e Petros
concordam também em que nós temos que pagar a conta
Antes mesmo da reunião do
Conselho Deliberativo acontecer, a Diretoria Executiva da Petros já
emitia uma nota a todos os participantes da Fundação comemorando a
aprovação de suas contas, fazendo um balanço positivo de sua
gestão e dividindo o déficit técnico da Entidade entre “déficit
estrutural” e “déficit conjuntural”.
“Coincidentemente, este é o
mesmo critério apresentado pelo representante da FUP que, em
entrevista aos veículos das entidades sindicais fupistas, tem
afirmado que o déficit técnico estrutural deverá significar um
reajuste nas contribuições normais. E que o conjuntural, pressupõe
um aporte extraordinário, tanto das patrocinadoras como de
participantes e assistidos”, informou Ronaldo Tedesco.
Os conselheiros eleitos que
mantém independência e autonomia em relação à Petrobras, a
Petros e aos partidos políticos, não concordam com este raciocínio
compartilhado pela direção da Petros e o representante da FUP.
Silvio Sinedino, conselheiro deliberativo eleito e que, junto com
Epaminondas Mendes de Souza defendeu a rejeição das contas da
Fundação na sexta-feira, argumenta: “Não há que se falar de
equacionamento pelos participantes e assistidos, enquanto as dívidas
para com o nosso plano não forem equacionadas pela Petrobrás. A
Petrobrás, claramente junto com a FUP, deseja dividir conosco uma
série de dívidas que são compromisso a ser pago somente pela
Petrobrás”.
“Os conselheiros eleitos
independentes estão coordenando com as entidades representativas dos
participantes e assistidos as ações necessárias para que este
absurdo possa ser evitado e possamos chegar a um acordo com a
Petrobrás para equacionar o que deve com o nosso plano”,
complementou Fernando Siqueira, conselheiro fiscal eleito da Petros.
Plano Petros 2: o cuidado
tem que ser agora
A diretoria da Petros enviou
também comunicado aos participantes do Plano Petros 2, comemorando
os resultados do plano e sua gestão sobre o mesmo.
“Embora seja verdade que os
resultados deficitários de outros planos não interferem nos
resultados do Plano Petros 2, a diretoria da Petros se esqueceu de
informar que a parte de benefício definido dos assistidos do plano
também está apresentando déficit técnico. Se é verdade que este
déficit não precisa ser equacionado, é importante que os
participantes e assistidos saibam de toda a verdade sobre seu plano,
e não somente de uma parte da verdade”, comentou Sinedino.
Outra informação importante
que faltou no Informativo da Petros é que o Plano Petros 2, junto
com o PPSP, continua financiando ilegalmente os demais planos
administrado pela Fundação, mesmo depois da Previc, órgão
governamental de fiscalização, ter considerada esta prática
imprópria. Esta situação foi o motivo da rejeição das contas do
plano pelo conselho fiscal da entidade: “Estamos preocupados com o
PP-2, pois os problemas do PPSP começaram assim, relativamente
pequenos, e hoje são enormes”, comentou Marcos André, suplente de
Ronaldo Tedesco no conselho fiscal da entidade.
Paulo Brandão, conselheiro
fiscal suplente de Fernando Siqueira, complementou: “Queremos ver
agora o plano de ação para a Petros sair da crise que se encontra.
Qualquer plano precisa partir do equacionamento das dívidas da
Petrobrás, ou significará um ataque aos participantes e assistidos
com o qual não poderemos concordar”.
A “coerência” do
representante da FUP
No
ano passado, o representante da FUP no conselho deliberativo da
Petros, Paulo César surpreendeu a todos com seu voto pela rejeição
das contas da Petros, exercício 2014. Na ocasião, ele fez questão
de afirmar que não rejeitava as contas pelos mesmos motivos do
Conselho Fiscal, mas que
tinha entre os motivos para rejeitar a aprovação a precificação
do ativo LITEL, entre outros.
Este
ano, o mesmo ativo continua sendo precificado de maneira equivocada
pela Petros, conforme o Parecer do Conselho Fiscal, mas o Conselheiro
da FUP, demonstrando a natureza contraditória e confusa de seu
posicionamento, não citou este problema em seu voto. Aliás, é
costume deste conselheiro demorar a entregar seu voto por escrito,
travando a celebração das atas de reunião, justamente, para após
as críticas que recebe, incluir no seu voto outros apontamentos.
Neste
ano o mesmo conselheiro aprovou as contas do exercício 2015 sem que
os seus apontamentos para rejeição no exercício anterior fossem
resolvidos. Ao contrário, a situação se agravou. E o conselheiro,
que foi reeleito no ano passado depois de sua posição pela
rejeição, este ano não encontrou motivos nem contábeis nem
eleitoreiros para manter sua posição.
A
vergonha maior é que sua posição pelo equacionamento do déficit
técnico do PPSP não inclui nem sequer a cobrança das dívidas que
são cobradas pelos sindicatos na justiça. Lamentável.
A nova Diretoria Executiva
da Petros
Na ordem do dia está a
indicação da nova diretoria da Petros pelo Conselho Deliberativo.
Ocorre que a Petrobrás, que formalmente faz a indicação dos nomes
para Presidente e diretores da Fundação até agora não se definiu.
Com isto, fica “cozinhando o
galo” para postergar esta definição. A permanência do atual
Presidente da Petros, Henrique Jäger, é incerta, bem como do
Diretor Administrativo e Financeiro, Danilo Ferreira da Silva e do
Diretor de Seguridade, Fernando Paes de Carvalho. Ives César Fülber,
o Diretor de Investimentos, e o único que já pediu para sair, é
também o único cotado para permanecer no cargo.
Os conselheiros eleitos
independentes reafirmam a defesa da proposta de eleição direta de
dois diretores pelos participantes e assistidos (Diretor
Administrativo e Financeiro e Diretor de Seguridade). A Petrobrás
com isso cumpriria um item do Acordo de Obrigação Recíprocas
(AOR), assinado há oito anos e que nunca foi cumprido e nem foi
cobrado pelos outros dois signatários (Petros e FUP).
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