Reunião CF 508 – 12 de janeiro de 2017
Um artigo de Ronaldo Tedesco*
Tivemos
nesse início de ano uma reunião extraordinária do Conselho Fiscal
da Petros para dar vazão a algumas importantes discussões. Segue
abaixo nossos comentários e a pauta a seguir. A reunião ordinária
do Conselho Fiscal está marcada para o dia 31 de janeiro, com a
pauta completa.
Nossos
comentários:
Cronograma
de apresentação das Demonstrações Contábeis do Exercício 2016
Face ao posicionamento do Conselho Fiscal relativo ao
cronograma do ano anterior, que somente apreciou as contas da Petros
relativas ao exercício de 2015 ao final do primeiro semestre do ano
(junho de 2016), a Petros apresentou este ano um calendário acatando nossa
principal recomendação.
Em nosso entendimento, a Petros deve fechar sua
prestação de contas antes do fechamento das contas de suas
patrocinadoras, em especial da Petrobrás. Qualquer modificação que
pudesse ser importante a ser feita na Petros, não poderia ser
implementada sem alterar as contas (já apreciadas) da Petrobrás, o
que dificultaria nossa atuação.
Por esse motivo, entendemos que o calendário
proposto está mais adequado, se ajustando ao da Petrobrás e com
previsão para término do processo até março de 2017.
Agora estamos aguardando a apresentação de contas da Diretoria
Executiva que, como é de praxe, deverá passar pela Auditoria
Independente (PwC) antes de ser remetida ao Conselho Fiscal. Após
nosso parecer ser emitido, serão enviadas para a apreciação do
Conselho Deliberativo da Petros.
Nunca
é demais lembrar que este procedimento citado acima, embora seja legal, não é o
mais adequado, pois o órgão de gestão que autoriza o orçamento – o Conselho Deliberativo – e indica quem vai gastar – a Diretoria
Executiva – é o mesmo que aprova ou não as contas da entidade. O
Conselho Fiscal somente recomenda um posicionamento (aprovação ou
não das contas).
Esta situação é diferente, por exemplo, do que a
lei das S.A. orienta, que leva as contas para a aprovação de uma
assembleia de acionistas. Os conselheiros eleitos defendem que as
contas da Petros deveriam ser apreciadas por uma assembleia de
participantes e não pelo seu Conselho Deliberativo.
Outro
aspecto importante este ano é a questão do equacionamento do
déficit técnico do Plano Petros do Sistema Petrobrás - PPSP, de R$
22,6 Bilhões, cujo tema vamos tratar a seguir.
Adiamento
do Equacionamento do déficit técnico do Plano Petros do Sistema
Petrobras
A
Petros encaminhou à Previc solicitação de adiamento do
Equacionamento do déficit técnico do Plano Petros do Sistema
Petrobras (PPSP). Em função disso, o Conselho Fiscal solicitou a
presença do Presidente da Petros, Sr. Walter Mendes, para nos
fornecer informações a respeito do assunto.
Ao
longo dos últimos meses a Presidência da Petros fez gestão sobre o
Conselho Nacional de Previdência Complementar – CNPC – para que
houvesse uma modificação na legislação atual, permitindo que o
prazo para o início do equacionamento fosse prorrogado.
A
reunião do CNPC ocorreu ao final do ano passado e, embora todos os
representantes da sociedade civil no conselho tenham acolhido a
proposta da Petros, os representantes do Governo Federal no CNPC se
posicionaram contrários a proposta em bloco, que foi, portanto,
rejeitada por 4 votos a 3.
Com
isso, a alternativa que restou para a Petros tentar foi a solicitação
de adiamento através da assinatura de um TAC (Termo de Ajuste de
Conduta) junto a Previc. Este
encaminhamento foi aprovado no Conselho Deliberativo da Petros.
Com
isso, os participantes e assistidos ganham algum tempo ainda para
discutir esta questão com as patrocinadoras do nosso plano. E a
Petros pode encontrar alternativas em relação a cobrança do
equacionamento.
Ocorre
que os conselheiros eleitos independentes têm defendido que antes de
cobrar um equacionamento do déficit técnico a Petros precisa
verificar que há, ainda, dentro deste partes relativas a dívidas
que devem ser cobradas da patrocinadora Petrobrás. Estas dívidas
são relativas, por exemplo, a contribuição sobre a RMNR entre 2007
e 2011 que não foi realizada pela Petrobrás.
Também existe a
dívida relativa ao regresso das ações judiciais em que a Petrobrás
foi condenada a pagar junto com a Petros e que nunca foi cobrada a
fazer pela Petros. Temos também a dívida com relação a aplicação
do inciso IX do artigo 48 que responsabiliza a Petrobrás por
insuficiências relativas ao crescimento real dos benefícios
provocados pelo reajuste dos mesmos através do artigo 41 do
regulamento do plano. Temos ainda a alteração do regulamento
relativa ao grupo 78/79 que não foi aportado qualquer valor pela
Petrobrás. Entre outras rubricas que temos registrado no parecer do
Conselho Fiscal da Petros nos últimos 13 anos.
Além
da cobrança das dívidas, entendemos que a Petros tem que obedecer o critério de
divisão deste déficit em duas modalidades: estrutural e
conjuntural. A estrutural tem a ver com a parte do déficit existente
por conta de alterações que devem ser incorporadas nas
contribuições normais de forma vitalícia.
A
outra parte do déficit técnico entendemos que é conjuntural. E
precisa ser trabalhada através de contribuições extraordinárias
no prazo legal de 1,5 vezes a “duration” do plano, cerca de 18
anos.
Toda
esta discussão e cobrança de dívidas à patrocinadora Petrobrás
deve ser realizada agora, antes de qualquer proposta de
equacionamento do déficit técnico pelos participantes.
Além disso,
a própria proposta de reforma da previdência em curso deve ser
considerada por que as possíveis mudanças na legislação atual
poderá provocar modificações substanciais nos fundos de pensão.
FIP
GLOBAL EQUITY PROPERTIES – Manifestação à Previc
O
Conselho Fiscal da Petros tomou conhecimento do Relatório de
fiscalização da Previc que investigou irregularidades relativa a
aplicação no FIP GLOBAL EQUITY PROPERTIES. Esta investigação,
entre outras coisas, foi promovida pelo órgão de fiscalização do
governo federal em função de denúncia realizada pelo Conselho Fiscal da Petros
em maio do ano passado.
Nesta
investigação foram comprovadas pela Previc diversas
irregularidades. A Petros está realizando diversas iniciativas o
sentido de reduzir ao máximo o prejuízo neste investimento.
O
Conselho Deliberativo da Petros decidiu na sua Política de
Investimentos 2017-2021 que não serão realizados mais investimentos
em FIPs.
E o Conselho Fiscal, em função do relatório da Previc, decidiu recomendar nesta reunião da semana passada que a Fundação dê início a ações judiciais de forma a
cobrar civil e criminalmente dos gestores responsáveis o prejuízo
que provocaram em nosso plano de previdência por conta da aplicação neste ativo.
Redução
dos Gastos administrativos – o lado mais fraco
A
Diretoria Executiva da Petros decidiu que irá cobrar de associações,
sindicatos e federações de participantes e assistidos sobre o
repasse dos valores financeiros que mantém com bancos para o
recolhimento de mensalidades e contribuições. Este procedimento
existe há muitos anos na Petros. Alguns anos atrás havia sido interrompido
e foi retomado após a pressão destas entidades pela sua manutenção.
Cerca
de 79 entidades associativas utilizam este serviço. O custo
administrativo deste repasse, segundo a Petros chega a um valor total
de R$ 800.000,00 (oitocentos mil reais) por ano, cerca de R$0,60
(sessenta centavos) por participante/assistido. Para viabilizar esta
cobrança a Petros chegou a um valor de 1,3% do valor total a ser
repassado. A entidade que não desejar pagar estes valores, poderá
manifestar seu desejo de não manter o convênio.
Esta
informação foi prestada ao Conselho Fiscal pelo novo Diretor de
Seguridade, Flávio Castro, que recebeu dos conselheiros eleitos
críticas em função de que este tipo de iniciativa mereceria uma
consulta prévia aos dirigentes destas entidades para evitar um mal
estar desnecessário.
Outro aspecto é que parte deste desconto é
obrigatório, em especial o relativo ao imposto sindical.
A
maior preocupação dos conselheiros eleitos e do Conselho Fiscal
como um todo, no entanto, é que as medidas para redução dos gastos
administrativos da Petros se restrinjam somente ao lado mais fraco.
A
Petros, além desta cobrança às entidades associativas, está
promovendo demissões do seu quadro de funcionários. Foram
realizadas 32 demissões, sendo mais 9 saídas voluntárias. A Fundação promoveu 17 novas contratações e deverá nos próximos dias admitir
mais 17 funcionários. O saldo, portanto, é uma redução de 9 funcionários.
Segundo a Diretoria
Executiva da Fundação, este processo obedeceu um critério técnico de demissões a partir
do desempenho e de compatibilidade salarial.
Em função do que foi apresentado, os conselheiros eleitos expressaram suas preocupações com a memória técnica
da Fundação, tendo em vista que não se pode verificar, até o momento, ações no
sentido de intensificar o treinamento de funcionários ou de realizar
a passagem de serviço dos mais antigos para os mais novos.
E foi criticado também o fato de que a Petros tenha promovido estas demissões no
final de ano, sem qualquer sensibilidade com as pessoas que vieram
prestando serviços à Fundação durante anos. A Petrobrás, no
final do ano passado, realizou a mesma ação, demitindo cerca de
3.000 funcionários contratados na antevéspera do Natal, promovendo
um quadro de desolação para muitas pessoas que trabalhavam há anos
para aquela patrocinadora. No caso da Petros, inclusive, tivemos
trabalhadores demitidos quando faltavam cerca de 7 meses para a
aposentadoria dos mesmos.
Os conselheiros eleitos expressaram que tanto
as demissões de funcionários, como a cobrança do repasse para as
associações de participantes e assistidos, entretanto, são iniciativas frágeis
para enfrentar o déficit administrativo que a Petros vivencia hoje.
Há um déficit de R$ 85 milhões por ano a ser reduzido
drasticamente sob pensa do Fundo Administrativo da Fundação ser
esgotado em 10 anos. Não será através de iniciativas como essas
que este déficit deverá ser enfrentado.
O gasto sistemático de milhares de reais por ano com escritórios de advocacia, por exemplo, mostra que há muito mais o que se fazer do ponto administrativo pela Diretoria Executiva do que demitir funcionários e cobrar serviços. Escritórios jurídicos cujos honorários deveriam também ser pagos pela Petrobrás, que sistematicamente é condenada solidariamente nas ações em curso, mas nunca foi cobrada pela Petros. Cabe lembrar que a maioria dessas ações são devidas a mudanças na política de recursos humanos da Petrobrás em que a Petros não tem responsabilidade alguma e só promove a contratação de escritórios jurídicos para defender interesses da patrocinadora.
Entendemos
que a Petros deve assinar um T.A.C. (Termo de Ajuste de Conduta) se
comprometendo com um plano estratégico para o ajuste de suas contas
administrativas com prazos e responsabilidades o quanto antes. E que deve começar a enfrentar os grandes problemas desde já.
Atuação
dos Conselheiros eleitos: Ouvidoria da Petrobrás é provocada pelo
Conselho Fiscal da Petros
O
Conselho Fiscal da Petros decidiu encaminhar memorando a Ouvidoria da
Petrobrás solicitando providências daquele órgão no sentido de
normatizar a liberação dos conselheiros eleitos da Petros para o
exercício de seus mandatos.
A
Petrobrás não possui hoje um procedimento padrão que oriente a
liberação dos conselheiros eleitos da Petros. Com isto, os
conselheiros eleitos ficam sujeitos a uma exposição indevida para
poderem exercer suas tarefas, que são do interesse dos participantes
e assistidos e também das patrocinadoras do nosso plano.
A
iniciativa se deve a necessidade de que os conselheiros eleitos não
tenham seus dias dedicados a Petros descontados como aconteceu com o
Presidente do Conselho Fiscal da Petros, Ronaldo Tedesco Vilardo no
último ano. Esta situação de desvantagem em relação aos
conselheiros indicados pela patrocinadora precisa ser superada para
que todos os conselheiros – eleitos ou indicados – possam ter as
mesmas condições para sua atuação ao longo de todo o mandato.
É
inadmissível de o cargo de conselheiro eleito da Petros possa ser
pretexto para que gestores da Petrobrás promovam qualquer tipo de
perseguição a funcionários, prejudicando a carreira dos mesmos.
Política
de Investimentos: boas notícias
A
Diretoria de Investimentos da Petros apresentou ao Conselho Fiscal a
Política de Investimentos 2017-2021 aprovada pelo Conselho
Deliberativo da Petros.
Há,
por parte desta nova política, sinais claros de que a Petros
finalmente começou de fato a ouvir nossos constantes clamores por
reduzir a exposição a riscos dos planos de benefícios, em especial
do Plano Petros do Sistema Petrobrás. Os limites de exposição
foram alterados de forma radical, com um plano claro de
desinvestimentos dos ativos mais expostos, com migração para a
renda fixa, leia-se, títulos públicos, e veto a investimentos em
FIPs (Fundos de Investimentos em Participações), como o FIP Global
Equity, citado acima.
Com
esta mudança, parece que se consolida uma trajetória diferenciada
para dar mais segurança a participantes e assistidos de nossos
planos de benefício.
Entretanto,
esta é uma longa caminhada, já que o momento para a saída de
alguns ativos tem que ser estudado com calma e sobriedade. Estamos de olho.
Reunião CF 508 – 12 de janeiro de 2017
Pauta:
ITEM 1 CF-001/2017 - MOVIMENTAÇÃO DE PESSOAL NO QUADRO DE EMPREGADOS DA PETROS – APRESENTAÇÃO (CARTA CF-001/2017, DE 02-01-2017).
ITEM 2 CF-002/2017 - EQUACIONAMENTO DO PLANO PETROS DO SISTEMA PETROBRAS (CARTA CF-175/2016, DE 12-12-2016).
ITEM 3 CF-003/2017 - CONTRATAÇÃO DE AUDITORIA ATUARIAL INDEPENDENTE (CARTA CF-174/2016, DE 12-12-2016).
ITEM 4 CF-004/2017 - FIP GLOBAL EQUITY PROPERTIES – APRESENTAÇÃO (CARTA PRES - 473/2016, DE 27-12-2016).
ITEM 5 CF-005/2017 - OPERAÇÃO DE REPASSE DO DESCONTO EM FOLHA A SINDICATOS, ASSOCIAÇÕES E CLUBES.
ITEM 6 CF-006/2017 - PREMISSAS PARA AVALIAÇÃO ATUARIAL REFERENTE AO EXERCÍCIO DE 2016 – PLANO PETROS DO SISTEMA PETROBRAS – PLANOS PETROS DAS EMPRESAS PRIVATIZADAS E PLANO PETROS-2 – DEZEMBRO DE 2016 E MARÇO DE 2017.
ITEM 7 CF-007/2017 - POLÍTICA DE INVESTIMENTOS DA PETROS 2017 – 2021 – APRESENTAÇÃO.
ITEM 8 CF-008/2017 - RELATÓRIO DE CONTROLES INTERNOS DO 2º SEMESTRE DE 2015 – QUADRO COMPARATIVO DAS RESPOSTAS DA PETROS ÀS RECOMENDAÇÕES DO CONSELHO FISCAL.
ITEM 9 CF-107/2016 – TAREFAS DO MANDATO DE CONSELHEIRO ELEITO.
* Ronaldo Tedesco é Presidente do Conselho Fiscal da Petros Gestão/2013-2017

Tudo bem explicado, mas com certeza se eu tiver que cobrir rombos, roubos e péssimas aplicações, entrarei na justiça com mais uma ação. Ninguem fala nada do nosso reajuste salarial referente à partir de 01/09/2016. São05 meses é ninguem fala nada. ainda não entendi porque Petrobras/Petros não pagam de imediato (em setembro) o índice do governo. Depois complementa ou desconta o pago a mais, o que não acredito.Cada presidente que entra inventa uma maneira de prejudicar os empregados da ativa, aposentados e pensionistas. Está na hora de acabar com esse vicio de reajustar os salários depois da data base. Quando irão aprender.Se o governo deu X, paga à partir de setembro e depois vai para briga.
ResponderExcluirCentenas de aposentados e empregados da ativa ingressaram na Ambep para se resguardarem de aumentos abusivos de contribuição por ma gestão e outras irregularidades. Entraremos na justiça em massa por meio da Ambep.
ResponderExcluirElementos para nos defender e evitar esse abuso existem de sobra ...
ResponderExcluirPrezado companheiro Delpino José, as associações ligadas à Fenaspe e os sindicatos filiados à FNP estão com diversos instrumentos jurídicos preparados para esta luta. Entre em contato com o sindicato de sua base e se informe com a diretoria. Ou com a associação de aposentados que o representa. Neste blog mesmo temos informes do jurídico, com as ações de cobrança de dívidas entre outras. Acesse pelo link: http://conselhopetros.blogspot.com.br/2016/12/iniciativas-juridicas-em-andamento.html
ExcluirForte abraço, Ronaldo Tedesco
Tedesco, você pode explicar porque você está os acusados pelo MP no caso da compradas ações da ITAUSA que pertenciam à Camargo Correa ?
ExcluirPrezada Jacqueline, Eu estava presente nesta reunião do Conselho Deliberativo da Petros que aprovou por unanimidade a compra destas ações. Até onde eu sei, ainda não há acusação do MP. Houve um relatório da CPI dos Fundos de Pensão em que os nomes dos conselheiros deliberativos e dos diretores executivos da Petros na época da aquisição de Itausa foram denunciados e apresentados para o MP. A denúncia foi feita por ex-conselheiro fiscal suplente da Petros que foi chamado a depor na CPI. Eu sou o Presidentedo Conselho Fiscal da Petros e não fui chamado, embora estivesse listado entre as possíveis pessoas a serem escutadas na CPI. O relatório final da CPI foi fechado às pressas, na quinta-feira antes do impeachment da Presidente Dilma, sem ouvir nossos depoimentos. E excluiu os nomes do relator do processo, Jorge Nahas e do ex-presidente da Petros, Wagner Pinheiro de Oliveira, mas manteve os nomes dos conselheiros eleitos - Paulo Teixeira Brandão, Ronaldo Tedesco Vilardo e Yvan Barretto de Carvalho. Se houver alguma novidade, vamos divulgar aos participantes e assistidos da Fundação. Atenciosamente, Ronaldo Tedesco
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