Sem cobrar as dívidas da Petrobrás não haverá solução
para nossos problemas
Na
semana passada, os conselheiros eleitos que mantêm independência do
governo, da direção da Petrobrás e dos partidos políticos foram
surpreendidos com a indicação do ex-Conselheiro de Administração
da Petrobrás, que foi representante dos acionistas minoritários,
Sr. Walter Mendes, para a Presidência da Petros.
Mais
uma vez vimos a indicação de pessoa não ligada à Fundação
Petros para assumir a sua presidência. Este fato foi recorrente
durante os últimos 13 anos, com o PT e a FUP à frente da gestão da
Petrobrás e da Petros. Novamente, com o PMDB agora à frente da
Petrobrás, vemos um representante “independente”, mas ligado ao
comando da estatal. Portanto, sem a independência apregoada. Pior
que isto, questionamos: qual o compromisso deste candidato a
Presidente com o futuro de um Plano de Pensão do qual não depende
para sua aposentadoria?
Há
uma campanha fortíssima dos bancos para passar para seu controle os
R$ 700 bilhões que formam o montante do patrimônio dos Fundos
de Pensão. Eles não se conformam com o fato de essa fortuna não
integrar o seu portfólio. Portanto, infiltrar um banqueiro no
segundo maior fundo de pensão do País faz parte dessa estratégia
para assumir a movimentação desse imenso patrimônio. É a
famigerada raposa no galinheiro. Eles também já tentaram se
infiltrar - "confiscar" - nos recursos do FGTS - R$ 300
bilhões.
Temos
visto um movimento do sistema para acabar com os planos BD -
previdenciários - em favor dos planos CD - financeiros, cujos
recursos tendem a ir parar nas seguradoras e nos bancos.
Portanto,
é extremamente preocupante essa nomeação de um representante do
sistema financeiro no segundo maior fundo de pensão do País.
Aliás,
a Petros começou a ter problemas quando pessoas de fora passaram a
comandar o fundo.
Nós,
Participantes/Assistidos/Pensionistas, temos exigência desde sempre
de que o Presidente da Petros tenha vínculo com nossos principais
Planos de Pensão, seja o PPSP ou o Petros-2, o que implica em
compromisso vital com os interesses e o futuro desses Planos.
O
primeiro questionamento a ser feito ao Candidato é quanto ao
cumprimento de acordos assinados pela Patrocinadora que o indica, a
Petrobrás, como o AOR – Acordo de Obrigações Recíprocas, que
prevê a eleição pelos Participantes e Assistidos para duas
Diretorias da Fundação, a de Seguridade, e a Administrativa e
Financeira? Acordos devem ou não serem cumpridos? Se devem, quando
serão cumpridos?
Mas
do que isso. Temos dívidas já periciadas judicialmente e ainda não
pagas pela Petrobrás (ACP na 18ª Vara Cível do RJ), bem como
dívidas indiscutíveis pelo Inciso IX do Art. 48 do nosso
Regulamento (Acordo de Níveis etc.). Qual a posição do candidato
quanto à cobrança dessas dívidas à Patrocinadora? E a cobrança
do regresso de ações judiciais que a Petros é obrigada a fazer
frente, perde e tem que pagar integralmente, mesmo com a Petrobrás
constando como polo solidário? O candidato à Presidente já sabe
deste fato, por que foi relatado pelos conselheiros eleitos da Petros
quando ele era membro do Conselho de Administração da Petrobrás.
Ele pretende realizar esta cobrança? Ou vai fazer o mesmo que os
Presidentes anteriores e prejudicar a Petros em função dos
interesses da sua principal Patrocinadora?
Também
será questionado quanto à sua visão dos problemas atuais da Petros
e suas propostas para resolvê-los. O que pensa o candidato a
Presidência quanto à composição dos nossos portfólios de
investimento vis-à-vis a maturidade dos respectivos Planos?
Quais
são suas propostas para a recuperação de investimentos “malfeitos”
e com fortes suspeitas de fraude e corrupção? Irá somente querer
virar esta página, como a atual gestão tentou fazer nos últimos
meses, ou irá buscar responsabilidades e ressarcimento dos prejuízos
como queremos nós, conselheiros eleitos pelos participantes,
apoiados pelo Conselho Fiscal da Fundação, por unanimidade de seus
membros?
O
que pensa o Candidato sobre os pesados aumentos nas Provisões
Matemáticas do PPSP em 2015 devidos a mudanças em premissas
atuariais (família real) e erros nos cálculos iniciais dos
benefícios (90-100%)? Cobrará a responsabilidade das Consultorias
Atuariais que não alertaram para os problemas?
Qual
sua posição quanto a investimentos induzidos pela
Petrobrás/Governos? Cobrará a responsabilidade destes para a
recuperação da rentabilidade de investimentos como Belo Monte e
Sete Brasil?
E
os funcionários da Petros, que expectativas podem alimentar? Serão
treinados e valorizados ou sofrerão com redução dos valores reais
de seus salários para “redução de custos” da Petros, como fez
a atual gestão, hoje em fase terminal? Qual a posição do Candidato
quanto à terceirização de funções da Petros? Vai querer
terceirizar tudo, como já está correndo os boatos, pelos
corredores, ou dar eficiência e treinamento ao corpo de
funcionários?
Queremos
desde já afirmar que não consideramos animadora essa indicação
que contraria antigas expectativas dos Participantes e Assistidos da
Petros. Não precisamos de agentes de mercado. Vivemos um momento
grave para a Fundação, com obrigação de equacionamento de pesado
déficit técnico que exigirá difícil discussão sobre que parte do
déficit é de responsabilidade de quem. Precisamos de quem vista a
camisa e se mantenha a serviço dos interesses dos donos da Petros,
que somos nós, Participantes e Assistidos.
Não
compartilhamos com ilusões de que representantes da Patrocinadora
sem compromisso com nossos planos e a serviço do mercado possam
resolver nossos problemas. Sem a cobrança e o equacionamento das
dívidas da Petrobrás com a Petros, não há solução possível.
Alertamos
a todos para a atitude do atual governo no fundo de pensão dos
funcionários do BNDES, o FAPES. Lá, a dívida cobrada está sendo
motivo de substituição de conselheiros indicados que aprovaram a
medida correta, em defesa da Fundação. A Petrobrás, com a
indicação do Sr. Walter Mendes, dá sinais de que pretende fazer o
mesmo. E seguir se utilizando da Petros como fosse sua.
Prezados, porque a Petrobras indica o Presidente da Petros, se a "petros não é da Petrobras"?
ResponderExcluirPrezado companheiro Victor, a prerrogativa de indicação é do Conselho Deliberativo da Fundação, onde a patrocinadora Petrobrás tem 3 de 6 conselheiros e o voto de qualidade. Está preconizada na legislação e também no Estatuto da Petros. Forte abraço, Ronaldo Tedesco
ExcluirEntão temos que mudar esse Voto de Qualidade. Nós trabalhadores e donos dos salários onde é descontada a contribuição mensal é que
ResponderExcluirtemos que indicar o nosso representante em votação direta e não a fup ou a cut......
REVISTA EXAME fevereiro de 2017
ResponderExcluirO show de horrores que Walter Mendes viu ao assumir a Petros
Após uma carreira de três décadas no mercado financeiro, Walter Mendes assumiu a presidência e constatou: a Petros é um show de horrores
Sr Tedesco: o senhor questionou o teor desta reportagem? Judicialmente?