Um artigo de Fernando Siqueira*
Os participantes não tiveram chance decidir sobre os maus investimentos
O equacionamento do déficit
do plano Petros proposto pela Diretoria da Petros e em análise pelo Conselho
Deliberativo inviabiliza o Plano. E isto atende o interesse dos bancos: querem
tomar conta dos R$ 809 bilhões em poder dos fundos de previdência fechados. Mas
o principal objetivo é tirar o compromisso da Petrobrás com o Plano para
privatizá-la, pois quem quer comprá-la não quer assumir riscos. E os
participantes, sem ter tido chance de influir nas administrações danosas, são
convocados a pagar a conta.
O equacionamento está sendo proposto sem esta apuração do passivo atuarial real, sem uma validação dos dados levantados pela atuária Mirador. Há uma série de indícios de que há falhas no levantamento da reserva matemática – passivo. Portanto, o valor do déficit a equacionar é duvidoso.
Conforme reportado em nosso Relatório Anual Formulário 20-F 2015, nossa administração identificou deficiências no processo de geração de dados usados para calcular o passivo atuarial relativo ao nosso plano de assistência médica (AMS) e plano de pensão (Petros). Essas deficiências referem-se à totalidade dos participantes e à precisão de suas informações individuais nas bases de dados usado para o cálculo atuarial”.
O equacionamento está sendo proposto sem esta apuração do passivo atuarial real, sem uma validação dos dados levantados pela atuária Mirador. Há uma série de indícios de que há falhas no levantamento da reserva matemática – passivo. Portanto, o valor do déficit a equacionar é duvidoso.
Conforme reportado em nosso Relatório Anual Formulário 20-F 2015, nossa administração identificou deficiências no processo de geração de dados usados para calcular o passivo atuarial relativo ao nosso plano de assistência médica (AMS) e plano de pensão (Petros). Essas deficiências referem-se à totalidade dos participantes e à precisão de suas informações individuais nas bases de dados usado para o cálculo atuarial”.
a) “Um gestor com a cabeça
no lugar concentraria apostas de longo prazo no fundo mais novo e aplicaria em
investimentos de curto prazo o dinheiro do fundo antigo. Na Petros é exatamente
o contrário. O PPSP, que soma 65 bilhões de reais e precisa pagar seus
aposentados mês a mês, tem uma carteira que não oferece condições de vender
ativos com rapidez para fazer frente a seus compromissos. Já o fundo mais novo
tem dinheiro concentrado em títulos públicos, o mercado mais líquido do país.
Se eu pudesse simplesmente trocar as carteiras dos dois fundos, seria
perfeito”, resume Mendes.
11.1) alteração das tábuas
de mortalidade na avaliação dos compromissos com o grupo pré-70, ocorrida em
2004: R$ 1,705 bilhão;
11.2) diferença do débito
relativo ao fechamento do plano para novos ingressantes (geração futura). Por
decisão unilateral da Petrobrás em 2002: R$ 562 milhões;
11.3) aumentos de encargos
relativos à introdução no regulamento do plano, em 1984, dos fatores de
reajuste inicial (FAT e de correção (FC): R$ 2,399 bilhões;
11.4) Acerto do cálculo das
pensões: a Petros informou o montante devido para rever os pagamentos futuros.
Este valor equivale a R$ 915 milhões atualizados para 31.12.2005;
11.5) reconhecimento tardio
do pagamento de diferenças atribuídas a contagem de horas extra turno,
impactando diretamente o equilíbrio atuarial do PPSP, que não foi computado
pela perita por falta de informações da Petrobrás;
11.6) débito referente à
extinção da Interbrás e da Petromisa que, embora tenha sido cobrado da União,
deveria ter sido pelo Acordo de Adesão bancado pelas demais patrocinadoras
remanescentes, no valor de R$ 257 milhões;
11.7) adaptação do critério de reajuste das suplementações de pensão: R$ 915 milhões.
11.7) adaptação do critério de reajuste das suplementações de pensão: R$ 915 milhões.
11.8 Como o Juiz não aceitou
tratar nos autos da ACP os termos do AOR, o pleito dos participantes inscritos
entre 23.01.1978 até 27.11.1979 (78/79), quanto à liberação do limite etário, a
PETROS realizou de forma administrativa com custo imputado a todos, sendo na
época da perícia o valor apurado de R$ 1,175 Bilhão, o que eleva a dívida
periciada, já estando previsto o acréscimo do carregamento administrativo, para
R$ 9,885 bilhões.
11.9 - R$ 1,175 bilhão
apurado em 2005, da “benesse administrativa” porque não aportaram recursos
correspondentes aos ajustes dos “repactuantes” do Grupo 78/79;
11.10 - R$ 2,350 bilhões,
apurados em 2005, correspondentes ao impacto com o “Sopão” da década de 1990.
Esta dívida foi cobrada da Petrobrás pela Diretoria da Petros em 1995, mas foi
ignorada pela patrocinadora, passando a constar dos autos da ACP mencionada.
Algumas providências questionáveis para
emplacar o equacionamento:
1. O Conselho Fiscal está sendo impedido,
indevidamente, pelo Conselho Deliberativo de contratar a revisão atuarial do
passivo do plano PPSP em face desse equacionamento absurdo – este é um dos
itens que leva à rejeição das contas da Petros há 14 anos, sendo que, nos
últimos 4 anos, por unanimidade.
2. A propósito, a Petrobrás informou à
Securities and Exchange Commission (SEC, a CVM americana):
“Nosso compromisso com nosso fundo de
pensão ("Petros") e plano de saúde ("AMS") pode ser maior
do que está atualmente previsto, e podemos ser obrigados a efetuar aportes
adicionais de recursos para o Petros. Diz ainda na página 193 do mesmo
relatório quanto ao Cálculo do passivo atuarial:
3. Cisão do plano Petros - A Mirador
falhou no relatório que tenta justificar essa cisão: não conseguiu demonstrar
sua afirmação taxativa de que há subsídio cruzado de uma massa para outra.
Questionada se havia feito cálculo de quem subsidia quem, respondeu: “não
fizemos essa análise. São 70.000 participantes, não deu para fazer”.
Como vocês afirmam que há o subsídio sem
ter feita essa análise?, perguntamos. Resposta: “A Petros informou que a cisão
estava decidida e nos pediu para gerar argumentos, foi o que fizemos”. Vemos
que o objetivo é separar as massas, sem que haja dispositivo legal para tanto e
retirar o patrocínio dos não repactuados, eliminando riscos da Petrobrás; O
CNPC até emitiu a resolução nº 24 para esse fim.
Cabe comentar que, a nosso ver, a perda do
espírito de corpo na Petrobrás (maior valor de uma corporação) se deve à
criação do Petros 2. Não existe mais o vínculo da Petrobrás com seu pessoal. É
um plano financeiro, comum. Aliás, o Plano Petros 1 foi fechado, em 2002, de
forma ilegal: o CA da Petrobrás decidiu "solicitar à Petros estudo para
fechar o plano". O presidente da Petrobrás, Francisco Gros, mandou carta à
Petros dizendo que o CA havia decidido fechar o Plano. A Petros obedeceu sem
questionar, ferindo a Lei.
4) Em 2008, a Petros e a FUP fecharam
acordo com a Petrobrás, no qual perdoaram metade da dívida certificada por
pericia judicial. Não teve o apoio dos sindicatos da FNP. Nesse acordo – AOR –
se estabeleceu a eleição direta de dois diretores da Petros. Até hoje esse
acerto não foi cumprido, portanto, os participantes não tiveram a menor chance
de influir na administração da Petros nem de evitar os erros dos maus gestores.
O CF rejeita as contas há 14 anos, mas o CD, que defende a patrocinadora, as
aprova;
5) A Empresa de auditoria Ernest &
Young elencou 70 investimentos mal feitos, com várias irregularidades, tais
como: garantias ruins, gestores não confiáveis e total falta de avaliação de
riscos. Esses investimentos deram ao fundo prejuízos de cerca de R$ 2 bilhões
em valores atuais;
Diz o atual presidente da Petros:
b) E diz ainda: “Em 2011, quando os juros
começaram a cair, os fundos de pensão procuraram formas de manter a
rentabilidade. Dois se destacaram. O primeiro foi a compra de cotas de Fundos
de Investimentos em Participações (FIPs). Nesse tipo de investimento, o fundo
de pensão entra com o dinheiro e um gestor de fora o administra, normalmente no
lado ‘real’ da economia. A segunda modalidade foi a compra de Cédulas de
Crédito Bancário (CCBs) emitidas por instituições financeiras. Isso abriu a
porta para todo tipo de falcatrua. A Petros tem investimentos em 32 FIPs e 70
CCBs, encontrou-se neles uma miríade de irregularidades”.
6. A Diretoria de investimentos da Petros,
em 2016, mostrou que, se os investimentos atendessem a Meta atuarial, nos últimos
10 anos, a Petros teria hoje mais R$ 17 bilhões a mais no seu caixa. Alguns
exemplos:
- FIP Sondas - perda de R$ 2 bilhões – a
Petrobrás não cumpriu suas obrigações contratuais e o BNDES não aportou os
recursos prometidos. E o projeto faliu. Foi um projeto do Governo imposto à
Petros;
- ações do Itausa: R$ 2,2 bilhões; preço
pago inadequado. Baixa liquidez;
- Norte energia (Usina Belo Monte): 1,26
bilhão - imposição do Governo. A Eletrobrás não cumpriu sua promessa de comprar
20% da energia e o BNDES não aportou os recursos conforme prometido.
Rentabilidade caiu;
- Invepar: R$ 806 milhões. Pode recuperar,
pois tem condições;
- Ações da Petrobrás: R$ 3,970 bilhões –
este prejuízo poderia ser recuperado se a Petros não tivesse vendido as ações
na baixa, visto que o petróleo está temporariamente desvalorizado, por questões
geopolíticas, mas deve subir, pois vivenciamos o pico de produção mundial;
- Brasil Pharma R$ 500 milhões.
Investimento mal feito pela DE da Petros;
- Lupatech: 482 milhões. Investimento
também mal feito e ainda a Petrobrás cancelou várias compras acertadas.
7. Houve excesso de concentração em
algumas ações como as da BRF, que com a "operação carne fraca", não
acompanhou a recuperação da Bovespa, que saiu de 35.000 para 74.000 pontos. A Itaúsa
também se mostrou um investimento com montante elevado e pouca liquidez.
8. O cadastro da Petros está muito ruim.
De tanto insistir nisto, o CF conseguiu que fosse feito o recadastramento, E
este está mostrando que o cadastro está Cheio de falhas. E é em cima deste
cadastro ruim que está calculada o déficit de R$ 5,2 bilhões da Família Real
(parcela do déficit).
9. Quanto à massa dos pré-70, que a
Petrobrás assumiu como de sua responsabilidade em 1996 e agora não quer cumprir
o seu compromisso no equacionamento. A Petrobrás pagou parte dessa dívida nos
Termos de Compromisso Financeiro, mas os valores estão sendo cobrados a menor.
O CF tem nesse item outro fator de rejeição das contas da Petros.
10. O Fundo Administrativo dos Planos
Petros 1 e 2, vem sendo consumido pelos fundos deficitários que integram o
multipatrocínio. Eles gastam 7% por ano e pagam 4% apenas de taxa de
administração. Dão um prejuízo de cerca de R$ 80 milhões por ano. Isto ocorre
desde 2003, portanto, prejuízo de cerca de R$ 1 bilhão para os planos (90% para
o PPSP). Este é outro item que influi na rejeição das contas da Petros.
11. A Petrobrás tem uma série de dívidas
para com a Petros não cobradas pela Diretoria, a saber, conforme artigo do
Paulo Brandão:
Considerando que o valor acordado nos
autos da Ação Civil Pública apenas pelos sindicatos da FUP, para pagamento em
2028, está contabilizado nas Demonstrações Contábeis de 2016 como R$ 11,837
bilhões, podemos avaliar que a parte que falta tem igual valor porque este
valor acordado corresponde à metade do valor que a perita apresentou em seu
laudo.
Existe ainda parte da Dívida Global que
surgiu após a promoção da ACP em curso na 18ª Vara do Tribunal do Rio de
Janeiro, como por exemplo: os milhões de reais decorrentes das condenações da
Petros e das patrocinadoras incluídas no polo passivo das ações pelas quais
assistidos cobraram e cobram revisões anuais de seus benefícios em manutenção;
o impacto de R$ 1,3 bilhão nos acordos com participantes e cerca de R$ 3
bilhões pelas ações judiciais em curso. Face à decisão administrativa,
decorrente do ACT de 2013, promovendo revisões de milhares de benefícios com
base na valorização das tabelas salariais das patrocinadoras, em face do
disposto nos ACT de 2004, 2005 e 2006 – aumento de níveis.
Conclusão: Os participantes não tiveram a
menor chance decidir sobre os maus investimentos; não tiveram chance de evitar
a gestão temerária; não tiveram o direito de cobrar as dívidas da
patrocinadora; não tiveram sequer o direito de eleger dois diretores, mesmo
sendo donos do PPSP. Por que motivos são obrigados agora a pagar essa conta?
Certamente recorrerão à Justiça, gerando
mais uma enorme quantidade de ações judiciais para o deleite dos escritórios de
advocacia. E a Petros, mais uma vez, usará os recursos dos participantes para
pagar advogados caros contra eles.
Precisamos buscar a união das entidades de
petroleiros para barrar dois absurdos: a derrocada do plano Petros e o desmonte
da Petrobrás, para este precisamos buscar o apoio de toda a sociedade
brasileira.
*Fernando Siqueira é Presidente do Conselho Fiscal da Petros e vice-presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás - AEPET

O PATO será pago pelos os que não repactuaram. Agora, além de todas as denúncias e apurações apontadas acima, como a da "família real", temos que ter também a evolução patrimonial de todos os integrantes de diretoria e conselheiros, com o devido ressarcimento caso seja constatada alguma malversação, assim como a reparação por parte das empresas e bancos beneficiados nas negociatas. Se a Petros beneficiou o grupo J&f (JBS), em fundos de investimento como no caso das empresas de celulose, agora, só numa negociação de venda de uma empresa de celulose, o grupo faturou 15 bilhões na venda, cadê a ação para segurar essa grana para pagamento de investidores lesados, como a Petros. No caso da repactuação, antes na era FHC o Peros Vida foi condenado pelo sindicalismo petroleiro como lesivo ao trabalhador e à própria Petros, já na era Lula, a maioria do sindicalismo, ligados à FUP/CUT, defenderam ou se calaram diante da repactuação e da estruturação de um novo plano. Pois bem, agora, além de repactuarem elaboram um novo estatuto para os repactuados, assim sendo cindiram os planos (migração), agora querem a separação de massas - e com isso todo o "rombo" recai sobre os não repactuados. Qual é a ação efetiva, por parte dos conselheiros, para que seja imposto o estatuto da Petros na separação de massas, ou seja, considera-se a repactuação/migração/separação de massas, como caso de PORTABILIDADE, ou seja, saída individual de cada repactuado, com portabilidade para o novo Plano Petros 2. Então, só carregam a parte que lhes cabe individualmente aplicada no plano de previdência, deixando para trás o que se acumulou como parte do plano coletivo e solidário - Plano Petros 1. Se é para dividir as contas, que os repactuados e o sindicalismo/petros/petrobrás, arquem com a decisão de saída do plano e se aplique a portabilidade, consequente com tal decisão.
ResponderExcluirOlá!...Todos que são Participantes ou Assistidos Petros informem seu gmail que será compartilhado lhes dando assim acesso ao site ora privado https://sites.google.com/view/papetros
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