Um
artigo de Ronaldo Tedesco*
A
dissolução do Conselho de Administração da Sete Brasil e a
votação da proposta de recuperação judicial – derrotada em
função do posicionamento da Petros e do Banco Santander ,
contrários à proposta - foram determinantes para uma mudança,
ainda que parcial, na postura do Governo Federal em relação a
situação da companhia.
Os
bancos credores da Sete Brasil fecharam esta semana acordo
prorrogando a dívida da empresa por mais quatro meses. A dívida da
Sete Brasil, companhia criada por iniciativa do Governo Federal em
parceria com os fundos de pensão, bancos e a Petrobrás para
construir e administrar sondas da estatal petroleira, já chega a R$ 14 bilhões.
Com
a virada da conjuntura econômica mundial e a crise do petróleo, a
postura do Governo Federal através da Petrobrás e do BNDES foi
virar as costas para os fundos de pensão. O Governo havia chamado a Petros
e outros sócios para financiar o empreendimento. Mas, com a crise, o aluguel de sondas
no mercado se tornou uma opção mais viável que a opção pela Sete
Brasil. Com a justificativa da Lava Jato, a Petrobrás cria a cada
dia mais e mais exigências para se manter no negócio. O BNDES se
escora na postura da Petrobrás para se recusar a financiar o
projeto. A iniciativa, que era do Governo Federal, virou mico preto
nas mãos dos fundos de pensão.
Através
de recursos do Fundo de Garantias para a Construção Naval (FGCN),
administrado pela Caixa Econômica Federal (CEF), o Governo Federal
cedeu a pressão dos acionistas da Sete Brasil. Com isto, a companhia
conseguiu dar vazão a uma das exigências para conseguir um novo
prazo, através da constituição de R$ 4,2 bilhões da garantia dos
financiamentos.
A
iniciativa
foi para evitar que os acionistas - bancos e fundos de pensão como a
Petros – dessem início a recuperação judicial que iria apontar o
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a
Petrobrás pela provável quebra da fornecedora. A Sete Brasil teve
alongado pela sétima vez o seu prazo para resolver o embroglio, mas
não deverá descartar a possibilidade de recuperação judicial.
É
importante entender que a medida do Governo
Federal, no entanto, não vai aliviar a situação dos fundos de
pensão, nem da Petros, com mais de R$ 1,2 Bilhão investidos. Serão
os bancos credores que irão receber valores proporcionais aos
desembolsos que fizeram. Segundo o jornal O Estado de São Paulo “o
maior financiador foi o Banco do Brasil, com empréstimos que
superaram R$ 3 bilhões. Bradesco, Itaú BBA e Santander entraram com
cerca de R$ 2 bilhões cada. A própria CEF ficou com R$ 1,5 bilhão
e o Standard Chartered - que já executou a garantia - com a menor
parte, US$ 250 milhões”.
A
Sete Brasil foi criada por iniciativa da Petrobrás para fabricar 7
sondas do pré-sal. Daí o nome. Com a euforia das reservas
recém-descobertas e o preço do barril do petróleo na casa dos 100
dólares, e sem um planejamento estratégico baseado em estudos mais
elaborados, o número de sondas aumentou rapidamente para 28. As
negociações do acordo de reestruturação da Sete Brasil reduziram
para 15 sondas e um novo corte, ainda segundo o Estadão, pode levar
a apenas seis sondas.
A
Petros e o banco Santander recusaram a proposta de recuperação
judicial com o argumento de que o processo pioraria a situação da
companhia. Mas a manobra de dissolução do conselho de administração
e a proposta – mesmo derrotada – de recuperação judicial foram
fundamentais para demonstrar claramente que a situação da Sete
Brasil é agravada hoje pela falta de vontade política do Governo
Federal.
É
a mesma falta de vontade política que o Governo Federal demonstra na
crise por que passa a própria Petrobrás. A Petrobrás vive dias
difíceis que são ainda mais duros pela venda de ativos da estatal
petroleira – o tal programa de desinvestimentos realiza o sonho dos
tucanos - e o estrangulamento do seu caixa, provocado pela postura
mais generosa da atual administração com o pagamento de impostos e
compromisso que são questionados pelo corpo técnico da própria
Petrobrás.
A
situação grave da Sete Brasil, só teve, até o momento, seu
desfecho postergado. Vamos aguardar os desdobramentos.
*
Ronaldo Tedesco é presidente do Conselho Fiscal da Petros e diretor
da AEPET

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