Novo PED 2015-2018: respostas ao
debate de ideias
Desde 2015, um déficit técnico de R$ 6,2
bilhões (registrado no fechamento de 31/12/2014) virou um déficit técnico de R$
22,6 bilhões (registrado no fechamento de 31/12/2015) que se transformou num plano
de equacionamento de R$ 28 bilhões (registrado no fechamento de 31/12/2017). Essa
situação somente ocorreu por opção – reafirmo: OPÇÃO – política da principal
Patrocinadora do PPSP: a Petrobrás.
Foi a Petrobrás que, sob a justificativa de
corrigir injustiças que ocorreram no PPSP fez aprovar em dezembro de 2014 o
Fundo Previdencial para o Acordo de Níveis de R$ 3 bilhões que, em dezembro de
2015 significou cerca de R$ 1,5 bilhão do déficit técnico de então.
Foi a Petrobrás que fez aprovar 11 anos depois
do primeiro apontamento do Conselho Fiscal a chamada Família Real que impôs uma
variação do passivo atuarial de R$ 5,2 bilhões em 2015.
Foi a Petrobrás que fez aprovar a questão do
Fim do teto operacional de 90%, depois de anos de questionamentos judiciais pelos
participantes e assistidos e as insistentes recomendações do Conselho Fiscal da
Fundação, que levaram a um impacto de mais de R$ 3 bilhões no fechamento de
2015.
Junto com isso, as perdas nos investimentos
se somaram a má utilização dos recursos financeiros dos participantes que
finalmente estão sendo consideradas, não sem antes provocar cerca de 40% do
déficit técnico também.
O crescimento do déficit técnico de R$ 22,6
bilhões para R$ 28 bilhões também tem uma assinatura, que foi a demora da diretoria
executiva da Petros sob a presidência do Sr. Walter Mendes, em apresentar um
plano de equacionamento ao Conselho Deliberativo, o que levou a assinatura de
um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que impôs o equacionamento pelo valor
máximo.
Além da demora que fez crescer o déficit
técnico em quase R$ 6 bilhões, a Petrobrás veio demonstrando claramente que seu
objetivo era a extinção rápida e cruel do PPSP. Para isso utilizou um Plano de
Equacionamento (PED 2015) exclusivamente financeiro, ou seja, com a utilização
de contribuições extraordinárias, sem atuar no passivo atuarial como opção de
redução dos compromissos futuros para mitigar o impacto sobre participantes e
assistidos.
Em oito reuniões realizadas pelo Conselho
Deliberativo da Petros para apreciação do PED 2015, não houve quaisquer
alterações na proposta original da Petrobrás. Ou seja, a proposta inicial feita
pela diretoria não foi modificada por nenhum dos argumentos dos conselheiros
eleitos (e nem pelos argumentos dos indicados também, diga-se de passagem).
A proposta incluiu o que passamos a chamar
como alíquotas progressivas que, além de inviabilizar o PPSP (por que o PED
2015 não evitaria novos e seguidos déficits como o de 2018), inviabilizou
também a vida de participantes e assistidos que passaram a ter de contribuir
mensalmente com cerca de 40 a 45% de sua renda global. Com o PED 2018, a
contribuição extraordinária poderá passar de 55 a 65% da renda mensal, jogando,
literalmente, esses participantes e assistidos para fora do PPSP e da própria
Petros.
Mas até para isso, a Petrobrás teve o cuidado
de preparar o caminho do abismo, criando a proposta do Plano Petros 3 (o PP-3),
que levará os já desesperados participantes e assistidos para a aventura da
contribuição definida. Nessa aventura, todos os riscos com a previdência
complementar dos participantes e assistidos que migrarem para o PP-3 deixam de
ser da Petrobrás e passam a ser exclusivamente de todos os que migrarem, sem a
contrapartida das Patrocinadoras.
Com esse diagnóstico, há dois anos estamos
lutando para reverter a intenção da Petrobrás em acabar com o PPSP e tentando
uma maneira de resolver o problema sem inviabilizar a vida das pessoas.
Diante desse quadro, várias providências
foram tomadas:
1- Denunciamos a utilização dos recursos
financeiros dos Pós 70 para cumprimento dos compromissos da Petrobrás com os
Pré-70. O Conselho Deliberativo da Petros aprovou recentemente a Cisão entre
Pré e Pós 70 que fará com que essa utilização indevida seja estancada,
revertendo para os Pós 70 cerca de R$ 3,6 bilhões do déficit técnico, ou seja ,
quase 15% do valor total do déficit técnico de 2015.
2- Na Petros e no âmbito do Grupo de
Trabalho da Petrobrás com a FNP e a FUP, propusemos a utilização de mecanismos
de redução do passivo atuarial para mitigar o déficit técnico e o impacto do
PED na vida das pessoas. A Petrobrás em nenhum momento concordou em realizar
essas mudanças no PPSP, sendo que a proposta foi o chamado NPP (Novo Plano
Petros), uma construção técnica que as entidades sindicais ligadas à FNP e FUP
e as associações ligadas à FENASPE tiveram que assumir para enfrentar o PP-3 na
falta de uma alternativa viável para o PPSP.
3- Foi estabelecida pelas entidades uma
luta importante para que as contribuições extraordinárias fossem interrompidas.
Com isso, procuramos abrir uma janela de negociação que, de fato, somente
existiu com a queda de todas as liminares e a renovação na presidência da
Petros com o Sr. Bruno Dias.
O Sr. Bruno Dias, ao assumir, propôs uma nova
modalidade de PED, basicamente com as seguintes premissas:
ü A assunção de todos os compromissos
dos Pré-70 pela Petrobrás através da cisão do PPSP entre Pré e Pós 70
ü Uma proposta de PED 2015-2018 que
basicamente, assumiu a alíquota única, redução de 30% no abono anual e redução substancial
do pecúlio para 2 salários participação ou duas rendas globais.
A situação em que estávamos antes era da
extinção do PPSP pelo PED 2015, PED 2018 e PP-3. A atual situação, a proposta
do Novo PED não afasta o perigo do PP-3, mas coloca o PPSP em outro patamar de
viabilidade e possibilidade de se reequilibrar. O Sr. Bruno Dias não se dispôs
a ser o coveiro do PPSP, o que aparentemente fez a Petrobrás mudar sua postura
nesse momento.
A adoção da alíquota única viabiliza o novo
PED. Mas viabiliza principalmente a vida dos participantes e assistidos que
recebem benefícios maiores e que com as alíquotas progressivas estavam
efetivamente pagando muito mais de forma desproporcional e injusta.
Apesar de haver, infelizmente, um aumento da
contribuição extraordinária para os menores benefícios, importante entender que
o esforço financeiro continua sendo muito maior aos que recebem maiores
benefícios.
O aumento das contribuições extraordinárias
para os menores benefícios não deverá ultrapassar de 5 a 7% da renda global
desses, diante de um déficit técnico da ordem de 30 a 35%. Isso enfrenta um
problema gravíssimo que poderia levar à extinção do PPSP com a manutenção da utilização
das alíquotas progressivas que poderiam comprometer mais de 55% da renda global
dos demais participantes e assistidos, colocando esses na porta de saída para
fora do PPSP e da Petros, ou no PP-3.
Outro engano frequente que temos ouvido é que
a adoção do custeio normal fora do regulamento do plano (flutuante) acabaria
com o caráter de benefício definido do PPSP e deixaria a Petros à vontade para
aumentar as contribuições normais. O caráter de benefício definido é que
estabelece a “flutuação” da contribuição normal. E essa só poderá ser alterada
para déficits estruturais.
Assim, tentando dar um exemplo: quando o CD
aprovou a adoção da Família Real, em 2015, deveria ter reajustado a
contribuição normal para fazer frente a um novo patamar de crescimento do
passivo atuarial. Da mesma forma quando considerou o Fim do teto operacional
dos 90%.
Isso não poderia ser feito para, por exemplo,
uma perda nos investimentos (conjuntural). Portanto, a contribuição normal
nunca foi fixa. Mas, por conveniência da Petrobrás ou por incompetência da
Petros, foi sempre fixa todos esses anos, provocando déficits que permaneceram
ocultos todo esse tempo.
Nesse momento, temos que salvar o PPSP. Por
isso, e para que as ações de cobrança das possíveis dívidas das patrocinadoras
e a recuperação dos valores perdidos com os investimentos e as questões morais
possam acontecer.
Para isso, é necessário que adotemos uma
redução do abono anual (13º) e também do pecúlio. E é preciso também alongar a
dívida de 18 anos para uma dívida vitalícia.
Junto com isso, a Petros irá implantar a
desvinculação dos seus benefícios dos benefícios do INSS e adotará uma mudança
no cálculo dos benefícios de 12 para 36 meses, além de adotar a sistemática de
concessão de benefício para quem se desligar da patrocinadora sem precisar se
aposentar pelo INSS.
Essas duas últimas medidas, não são, de forma
alguma, prejudiciais aos participantes e assistidos e ao plano.
A desvinculação do benefício Petros do
benefício INSS, no entanto, obedece a mesma lógica que, infelizmente, foi
utilizada na repactuação do PPSP em 2006.
Entretanto, a modulação de sua aplicação foi
adotada, impedindo que perdas fossem impostas aos participantes com a adoção de
um “INSS Hipotético” de R$ 4.000,00, somente para os que ainda não exerceram
seu direito junto ao INSS. Com isso, ficou garantido que todos os demais
companheiros possam ter seu direito garantido e assegurado.
A diferença é que em 2006 tínhamos 100% dos
participantes e assistidos sem repactuar. Hoje temos 75% desses já repactuados.
E a medida só atingirá os ativos do plano PPSP-NR. Ou seja, um contingente
muito menor de pessoas que terão muita dificuldade de impedir que o rolo
compressor aconteça.
A contrapartida da Petros, bem diferente de
outras oportunidades, como a repactuação, por exemplo, é que as entidades não
judicializem o novo PED 2015-2018.
Não teremos que entregar a metade das dívidas
ajuizadas (como foi no passado), nem abrir mão de qualquer ação de cobrança de
dívidas. Não precisaremos abrir mão das ações de correção de benefícios.
Para todos aqueles que consideram a proposta
de PED 2015-2018 injusta, pedimos que nos ajudem a encontrar uma alternativa
viável para o PPSP e para as nossas vidas.
Por fim, importante saber que essa não é uma
discussão de distribuição de superávit, mas de equacionamento de déficit. Por
isso, qualquer proposta que for colocada para discussão é ruim para todos nós.
Nessa conjuntura adversa, estamos optando pela alternativa que nos permita
continuar lutando.
Atenciosamente,
Ronaldo Tedesco

Gostaria muito de saber o que está sendo feito no sentido de cobrar a má gestão nas aplicações financeiras, os investimentos feitos politicamente na época do Lula e da Dilma? Tivemos um rombo bilionário financiamento partidos políticos em suas atividades, e não vejo o retorno do dinheiro roubado para a Petros! Isso precisa ser cobrado e abatido do déficit!
ResponderExcluirPrezado, estão em andamento as investigações internas e externas, além de acompanhamento das ações do MPF como assistente de acusação. Estão sendo estudadas outras estratégias jurídicas a serem aplicadas caso a caso. Não é algo que se resolve rápido, pois tem que passar por processos judiciais ou de delação premiada etc. Tem sido um dos focos estratégicos de nossa atenção no Conselho Deliberativo. Recentemente a Petros trocou o Gerente Executivo da Auditoria Interna e responsável pelas investigações e o profissional que entrou é especializado nessa temática de ressarcimento das perdas financeiras. Espero que tenhamos novidade em breve. Forte abraço, Ronaldo Tedesco
ResponderExcluirSugestão: Abrir um site ou um cadastro para os que são PRÉ-70, mas que a PETROS erroneamente não reconhece como tal, e que estão sendo descontados no equacionamento pudessem se cadastrar.
ResponderExcluirEntrei para a REDUC em 1961 (Operador de Utilidades), fui transferido para a FABOR (COPEV) em 1964 (FUI FUNDADOR DA PETROS) e em 1974 fui "obrigado" a fazer uma rescisão e passar para a PETROQUISA (para passar para o FUNDO DE GARANTIA)onde fiquei até 1976, quando por concurso interno voltei para a PETROBRAS (EDISE) como Analista de Sistemas. Nestas passagens da Petrobras para Petroquisa e volta para PETROBRAS nunca fiz nenhum resgate de valores (reservas) da PETROS. Estou aposentado desde 1987. Vamos cadastrar todos para saber quantos somos e ficarmos todos no mesmo barco. Meus contatos: (21) 987470788 e miguelcoelho.rj@gmail.com Sou de Copacabana - Rio Aguardo contato.