Um artigo de Fernando Siqueira e Ronaldo Tedesco*
Prezados participantes e assistidos da Petros,
O Conselho Fiscal da Petros se reuniu neste dia 07/02 com a Diretoria Colegiada da Superintendência Nacional de Previdência
Complementar – PREVIC, na sede daquela autarquia, em Brasília. Esta reunião foi
solicitada em agosto de 2016 e demorou a ser agendada pela PREVIC em função das
mudanças ocorridas no Governo Federal e no comando daquela autarquia.
Os
conselheiros fiscais Fernando Siqueira, José Eduardo Tavares Sobral Pinto,
Márcio Branco de Oliveira e Ronaldo Tedesco Vilardo foram recebidos pelo Diretor-Superintendente
substituto Esdras Esnarriaga Junior, o Diretor de
Fiscalização, Sérgio Djundi Taniguchi e Coordenador
Geral da CGAP, José de Arimatéia Pinheiro Torres.
A pauta desta reunião foi (1) Parecer do Conselho Fiscal sobre as Demonstrações
Contábeis do Exercício 2015; (2) Déficit administrativo da Fundação; (3) Cisão
do Plano Petros do Sistema Petrobrás (PPSP) e (4) Denúncias do Conselho Fiscal
sobre irregularidades nos investimentos da Petros.
Parecer - Em relação ao Parecer do Conselho Fiscal sobre as
Demonstrações Contábeis do Exercício 2015, entregamos em mãos do Diretor
Superintendente nosso parecer do ano passado. Informamos ao mesmo que há 13 anos
o Conselho Fiscal da Petros não recomenda a aprovação das contas da Fundação,
sendo que por unanimidade dos seus membros nos três últimos exercícios
(2013/2014/2015).
Informou também que os apontamentos da empresa de auditoria
independente PwC (ressalvas e ênfases) continuam inalterados
até o terceiro trimestre de 2016. Essa situação provoca imenso desconforto nos
conselheiros fiscais na medida em que as providências tomadas pela Petros não
tem sido efetivas para o saneamento dos apontamentos da auditoria.
Outro item abordado foi o Plano de ação recomendado pelo Conselho Fiscal
à Petros neste último parecer (2015), apontando ações para sanar as principais
inconsistências que temos observado e, em especial, a falta de confiança na
base de dados para formação das provisões matemáticas (passivo atuarial) do
PPSP.
Em relação ao parecer do Conselho Fiscal, a Previc expressou sua
preocupação que estes debates internos possam ser resolvidos pela gestão das
Entidades. O Conselho Fiscal reafirmou sua disposição em fortalecer a
governança da Petros. Mas informou que sua preocupação central, diante de um
déficit técnico de mais de R$ 24 Bilhões, é que participantes e assistidos da
Petros sejam prejudicados com a falta de uma ação mais efetiva.
Déficit administrativo e Equacionamento - Ainda sobre o Parecer de 2015 (e os
anteriores), reafirmamos nossa contrariedade com a utilização acelerada do
Fundo Administrativo da Fundação. No ritmo atual, em 10 anos, o Fundo estará
esgotado.
Este
fundo é constituído por apenas dois planos: PPSP (mormente os pré-70) e o
Petros 2. Mas está sendo consumido pelos demais planos de benefícios
administrados pela Fundação.
A taxa
de carregamento cobrada pela Petros é de 4% e os gastos da Fundação estão em
torno de 7%. A preocupação do Conselho Fiscal, constante do Parecer 2015, é que
o TAC (Termo de Ajuste de Conduta), que ainda não foi firmado pela Petros, possa
incluir a questão do equilíbrio orçamentário, de modo a estancar a sangria da utilização
do Fundo Administrativo.
A Previc
informou que a prioridade atual é o TAC a respeito do equacionamento do PPSP
(solicitado recentemente pela Petros). E após será viabilizada a questão
referente ao TAC do custeio administrativo. O Conselho Fiscal manifestou que
também considera o equacionamento a prioridade e sua preocupação de que o
equacionamento somente possa ser realizado após a quitação das dívidas das
patrocinadoras. Caso contrário, os participantes e assistidos serão penalizados
indevidamente.
O CF
mostrou a sua preocupação com o fato de que o passivo (reserva matemática) não
está sendo auditado. A PWC no seu relatório de auditoria independente não fez
qualquer avaliação desse passivo. Ganho real, limite 90%, aplicação da
inflação, família real, nenhum desses itens teve uma validação dos auditores
independentes. E eles influenciam de forma expressiva o déficit técnico do
PPSP.
O Conselheiro Fernando Siqueira fez um forte questionamento aos
dirigentes da PREVIC: "Todos sabemos que houve interferência do Governo e
da Petrobrás sobre os investimentos da Petros, como Sete Brasil, Belo Monte e
outros. Como a Petrobrás indica os conselheiros Deliberativos e tem voto de
Minerva, os participantes não tiveram como impedir esses investimentos. Contratos
mal feitos e também corrupção levaram a resultados negativos. Como cobrar a
conta dos participantes agora, se eles não tiveram o menor direito de
defesa?". Se o Governo Federal e a Petrobrás querem manter completo
controle da gestão dos fundos estatais, devem também arcar com o ônus de sua
gestão.
Inicialmente, o Sr. Esdras respondeu que o participante tinha que arcar
com todos os riscos, pois isto faz parte do processo. No final da reunião,
porém, ele ponderou que este questionamento é sério e merece uma reflexão mais
aprofundada.
Cisão - O Conselho Fiscal expressou sua preocupação com o processo
de Cisão do PPSP em curso na PREVIC, pelos mesmos motivos que tem encontrado
dificuldade nos seus pareceres sobre as demonstrações contábeis da Petros. Há
inconsistências fortes, não somente nos ativos da Petros, mas também no passivo
atuarial.
O Plano de Ação recomendado pelo Conselho Fiscal é para se
estabelecer estudos para validação do passivo e também de estudos para
definição sobre as rubricas sobre as quais há dúvidas dos participantes e
assistidos da Petros em relação à possíveis dívidas das Patrocinadoras, em
especial a Petrobrás, para com o PPSP. Os dados fornecidos pela Petros à
empresa contratada de atuária Mirador também não foram validados por auditor independente e havia
interesse da Petros e da FUP na Cisão.
O Conselho Fiscal reafirmou que não
consegue até agora uma resposta de quem irá se beneficiar com o processo de
cisão, tendo em vista que a empresa de atuária Mirador não conseguiu comprovar
sua teoria de “subsídio cruzado”, visto que tem sido comprovado que o referido
“subsídio” tem sido sempre em duas mãos de direção, configurando-se em
mutualismo típico de planos de benefícios definidos, como é o PPSP. E existe um
risco alto de uma das partes, ou ambas, serem prejudicadas.
A
PREVIC informou que o Conselho Nacional de Previdência Complementar – CNPC –
estará nos próximos dias definindo a regulação sobre a questão das submassas de
um mesmo plano. E que, logo após a publicação dessas definições, a PREVIC
estará estabelecendo as diretrizes e parâmetros para as EFPCs. Será dentro
destas diretrizes e parâmetros que o processo de Cisão deverá ser observado
pela PREVIC, mas a decisão da cisão de planos é da Entidade.
Denúncias - O Conselho Fiscal solicitou informações
atualizadas sobre a denúncia encaminhada em maio do ano passado à PREVIC sobre
os 70 investimentos auditados pela empresa Ernst & Young (E&Y) e que
foi formalizada pelo Conselho Fiscal da Petros junto aquela autarquia.
A PREVIC
informou que foi realizada uma triagem referente à prescrição administrativa. E
que após isso, iniciou uma série de fiscalizações dirigidas e que, em função
das mesmas, estão ocorrendo autuações.
O Conselho Fiscal informou que tem
tomado conhecimento destas fiscalizações e que, a partir do relatório da PREVIC
sobre os distintos investimentos investigados, está recomendando à Petros para
que a Fundação entre com ações cíveis e criminais face aos responsáveis. O que não prejudica outra iniciativas.
O Conselho
Fiscal da Petros indagou, finalmente, se não seria também atribuição da própria PREVIC
encaminhar denúncia ao Ministério Público sobre alguns desses investimentos que
tiveram erros graves e recorrentes, após as investigações aprofundadas que está
realizando em função das denúncias realizadas pelo Conselho Fiscal àquela
autarquia. A Previc respondeu que não necessariamente.
A PREVIC informou também que o modelo de fiscalização em relação às
Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPCs) mudou, sendo realizada de
forma permanente.
* Fernando Siqueira e Ronaldo Tedesco são conselheiros fiscal da Petros, eleitos pelos participantes e assistidos
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