Respostas de Ronaldo Tedesco a jornalista de O Globo
Publicado originalmente no site da AEPET (www.aepet.org.br)
Data:
05/02/2015
Autor: Ronaldo Tedesco
Autor: Ronaldo Tedesco
Veja a seguir as respostas do diretor de
Comunicações da AEPET, Ronaldo Tedesco, que é conselheiro da Petros
eleito pelos funcionários, ao jornalista Rennan da Rocha Setti, de O
Globo.
Perguntas de Rennan da Rocha Setti:
1) Quais riscos as investigações em curso podem trazer para o patrimônio e a rentabilidade da Fundação?
2) Os participantes estão preocupados?
3) Há risco de ser necessária uma contribuição complementar dos participantes e mesmo da patrocinadora?
Respostas de Ronaldo Tedesco
A percepção dos
participantes da Petros com relação às investigações da Lava-Jato e da
própria Petrobras é de muita preocupação. Vários participantes têm
perguntado sobre a possível participação de executivos da fundação em
esquemas de corrupção.
Há uma série muito
grande de negócios da Petros que temos buscado investigar (na medida que
podemos investigar, pois o conselho fiscal tem poderes muito limitados
para investigar este tipo de coisa, visto que só temos uma visão de uma
das pontas dos negócios da Petros).Há muita preocupação do Conselho
fiscal atual com os negócios do crédito privado que, até julho de 2014
acumulavam provisionamento para perdas na ordem de R$ 600 milhões.
Praticamente toda a carteira de privado está contaminada por estas
perdas. Envolvem ativos como Galileo, Panamericano, Banco Morada,
Cruzeiro do Sul etc.
Há também o problema,
que já falei com você a respeito, relativo a utilização dos fundos de
pensão estatais para financiamento das obras de infraestrutura do atual e
dos governos anteriores.Como o setor privado não costuma investir em
nosso país, muito menos em infraestrutura, somente a União - através de
seus bancos (BNDES, BB e CEF) ou empresas (como a Petrobrás, Eletrobrás
etc.) - faz em parceria com os fundos de pensão (Petros, Previ, Funcef,
Postalis, Real Grandeza etc.) estes investimentos. Sob a forma de FIPs
ou SPEs, estes investimentos têm sido outra dor de cabeça para os
participantes e os conselheiros eleitos da Petros (além do Conselho
Fiscal). Podemos citar Belo Monte, Sete Brasil, entre muitas outras
mais.
Não creio que as
investigações por si tragam algum "novo" risco, além do risco de imagem,
que pode ficar abalada. Os riscos são os mesmos que já enfrentamos
atualmente.
Em relação ao risco de
ser necessária uma contribuição complementar dos participantes e mesmo
da patrocinadora, você deve estar se referindo ao déficit que os fundos
de pensão estão vivenciando e a Petros não foge à regra. A legislação
prevê que após 3 anos consecutivos de déficit, a entidade deve tomar
alguma atitude. Vamos aguardar o balanço anual para verificar como
ficará, mas a tendência é que esta situação não se reverta. As bolsas de
valores estão derretendo e isto influencia diretamente a rentabilidade
dos fundos de pensão. Em novembro, era da ordem de R$ 7 Bi, o que
configura uma situação grave e preocupante. Mas em dezembro há sempre
uma nova precificação de ativos que pode alterar estes valores.
Atenciosamente,
Ronaldo Tedesco

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