| Paulo Brandão* |
Paulo Brandão,
comenta o texto que segue, escrito há 12 anos por
Antonio Carlos Spis, então diretor da CUT Nacional.
A PETROS é
dos Trabalhadores.
Durante muitos
anos os trabalhadores negligenciaram ou minimizaram o
papel fundamental da previdência nas suas vidas. Temas
como emprego, salário, condições de trabalho e segurança
sempre tiveram maior prioridade na sua agenda de
preocupações. Com os dirigentes sindicais não foi
diferente, até porque, as direções dos sindicatos têm que
estar em sintonia com suas bases, pois são elas que
acabam, em última instância, definindo quais são as suas
prioridades.
Infelizmente a
previdência é vista pelos trabalhadores brasileiros, como
uma coisa distante, que não tem urgência e que pode ser
postergada. Somente quando o trabalhador está próximo da
sua aposentadoria é que o mesmo começa a prestar mais
atenção na sua situação junto à previdência, seja a
oficial ou a complementar. Na realidade o que falta ao
trabalhador brasileiro é uma cultura previdenciária. Nesse
sentido a fábula da Formiguinha e da Cigarra de Esopo (ou
será Cristian Andersen?), serve perfeitamente como exemplo
e alerta para o erro que os trabalhadores cometem ao não
priorizarem, desde o inicio da sua vida laboral, as
questões previdenciárias.
No caso da
previdência complementar, o descaso é maior ainda, seja
pelo nível de complexidade que envolve esse sistema, seja
pela maior dependência que a maioria dos trabalhadores
tinham em relação à previdência oficial, pois, além da
média salarial da maioria ser mais baixa, o teto de
benefícios da previdência oficial, até um passado mais
recente, era suficiente para que o trabalhador não
dependesse da previdência complementar (10 salários
mínimos). Esta realidade fez com que, durante muitos anos,
a maioria dos trabalhadores fosse menos dependente desse
sistema.
Brandão
comenta: Nos dias de hoje, essa
afirmação é parcialmente persistente, porque no caso
dos petroleiros, sob o regime petista, aos novos
empregados admitidos após 2002 foi imposto um Plano de
previdência complementar do tipo contribuição variável
e benefício indefinido, negando-lhes o direito que
tinham em função da legislação e das condições de
admissão, o melhor Plano de Benefício Definido
patrocinado pela Petrobras.
Com as sucessivas
reformas no sistema previdenciário brasileiro,
principalmente as duas últimas emendas constitucionais, a
número 20 e a 41, e suas leis complementares, a
previdência passou a ser tema obrigatório na agenda
sindical. Os motivos basicamente foram à redução ou a
perda de direitos, devido, principalmente ao
estabelecimento de regras que visam reduzir a cobertura da
previdência oficial e/ou aumentar o seu tempo de
contribuição. Na previdência complementar além destas
questões a gestão dos fundos de pensão tem preocupado cada
vez mais os trabalhadores e suas lideranças.
Brandão
comenta: Principalmente agora sob
controle da FUP/CUT/PT essa preocupação cresceu
exponencialmente.
Devido a sua
passividade e a sua alienação, em relação à importância
dos fundos de pensão e de sua gestão, os trabalhadores,
neste momento, se deparam com monstruosos déficits’s ou
insuficiências atuariais nos seus planos previdenciários,
pelos quais, não são responsáveis, pois nunca participaram
da gestão desses planos, muito menos dessas entidades.
Brandão comenta: A situação piorou com o
aparelhamento da gestão da Petros e da Petrobras pelo
PT/PMDB.
Na verdade, as
administrações anteriores das patrocinadoras e de seus
fundos, são as grandes responsáveis por estes déficits’s
ao cometerem ou praticarem uma série de erros, equívocos e
irregularidades que prejudicaram essas entidades, os seus
planos, mas, principalmente os trabalhadores, já que, não
tinham nenhum compromisso com os participantes (ativos) e
assistidos (aposentados/pensionistas), pois, todos estes
dirigentes foram indicados pelas patrocinadoras, sendo
que, no caso dos fundos patrocinados por empresas públicas
e estatais, essas indicações eram, em última instância, do
governo de plantão.
Estas
administrações além de não terem compromisso com os
trabalhadores, não tinham a independência necessária para
tomar decisões, pois, eram totalmente subservientes a
governos de triste memória, como Sarney, Collor ou FHC e,
aos interesses do grande capital privado. Erros foram
cometidos tanto na gestão dos ativos (patrimônio), mas,
principalmente, na gestão do passivo (benefício).
Particularmente, na PETROS, podemos citar, no caso da
gestão dos ativos, os investimentos em uma série de
empreendimentos imobiliários que continuam causando
prejuízos, o contrato com o Banco Oportunity, os CDB’s do
Banco Econômico e as Letras Financeiras do Tesouro – LFT’s
do Estado de Santa Catarina. No caso da gestão do passivo
temos, o acordo da dívida dos pré-70, substituído pelo
contrato de pagamento dessa mesma dívida com títulos
públicos federais, a imposição do limite de idade para o
grupo 78/79 e as sucessivas mudanças unilaterais no
Regulamento do Plano PETROS, que reduziram, ilegalmente,
os direitos dos seus participantes e assistidos, criando
um potencial passivo explosivo, motivo principal para a
implantação do Plano PETROBRÁS VIDA – PPV, através da
renúncia ao primeiro plano, por meio de uma transação
judicial: o Termo de Migração.
Brandão
comenta:
Nada diferente da situação
atual, onde mal feitos levam o nome da Petrobras e
Petros para as manchetes policiais e com o agravante
do chamado “fogo amigo” e “peleguismo sindical”,
tirando do saco de maldades, logo após o insucesso do
PPV, em continuidade do neoliberalismo: a “o
fechamento do Plano BD”, a “repactuação”, o “BPO”, a
“tabela congelada”, “PCAC e RMNR”, “transferência para
a Justiça comum as demandas jurídicas de direito da
competência da Justiça do Trabalho”, a “separação de
massas”, a “cisão do Plano BD”.
Neste momento,
com um novo governo, democrático e popular, os
trabalhadores têm uma tarefa estratégica: tomar para si os
rumos do seu fundo de pensão. Apesar do presidente da
república ser um aliado dos trabalhadores ele não governa,
somente, para os trabalhadores, mas para todos os
segmentos da sociedade. Uma sociedade complexa, com
grandes desigualdades e enorme concentração de renda.
Portanto, temos que continuar organizados, fazendo pressão
e lutando pelos nossos direitos. Os trabalhadores
brasileiros têm que assumir, definitivamente o controle
dessas entidades. Isto só será possível com qualificação,
organização, formação de novos quadros e, principalmente,
união do movimento sindical, para conquistar o controle da
gestão dos fundos de pensão.
Brandão
comenta: Sim, usaram a unidade
sindical e de todas as entidades representativas para
tomarem o poder e a banda FUP/CUT se bandeando para o
patronal, praticando da pior forma a retirada de
direitos dos petroleiros participantes e assistidos da
Petros.
Na PETROS esta
tarefa é urgente. O movimento sindical petroleiro precisa
estar unido não só para resolver em definitivo esta
questão, mas, principalmente, para conquistar a gestão
dessa entidade, evitando que aventureiros de última hora
enganem os trabalhadores e tentem se cacifar nessa
disputa, alegando que o novo governo não está resolvendo
os problemas dos participantes e assistidos da PETROS. Os
problemas acumulados não só na PETROS, mas, nos demais
fundos de pensão tiveram como origem a subserviência e
falta de independência dos seus administradores aos
governos de plantão e/ou ao grande capital privado, aliado
a negligência dos trabalhadores e de suas organizações com
relação aos seus interesses na previdência complementar.
São de grande monta e de complexa solução. Alguns destes
mesmos administradores do passado, atualmente buscam
liderar os participantes e assistidos, principalmente na
PETROS. É importante que todos os trabalhadores estejam
atentos e unidos. “A PETROS é dos trabalhadores”. Não é
dos ex-administradores indicados, hoje, travestidos de
atuais pseudodefensores dos participantes e assistidos.
Vamos conquistar a gestão da PETROS. Vamos apoiar os
legítimos representantes dos trabalhadores que são aqueles
que sempre lutaram na defesa dos seus direitos, seja qual
fosse o governo de plantão. Essa tarefa é urgente e
estratégica.
O trabalhador tem
que estar consciente que, mantida a atual legislação, a
sua renda de aposentadoria, dependerá, cada vez mais, da
previdência complementar, portanto a administração do
patrimônio dos fundos de pensão, mais do nunca, é
fundamental para garantir uma aposentadoria digna, em
virtude disso, precisamos, urgentemente, conquistar o
controle da gestão desses fundos. Temos que colocar os
legítimos representantes dos trabalhadores nos seus
Conselhos, diretorias e demais instâncias de poder,
afinal, como diz um sábio ditado popular “é o olho do dono
que engorda o gado”
Brandão
comenta: E, então, porque não tirar do baú essas
mesmas bandeiras que usaram para usurpar o poder e,
agora, não permitem que os participantes elejam
diretores.*Paulo Brandão é Conselheiro Deliberativo da Petros, diretor jurídico da FENASPE e da AEPET
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