Um artigo de Paulo Brandão *
COMENTÁRIOS SOBRE A MATÉRIA TRATANDO DE MIGRAÇÃO DO PPSP BD PARA CD PUBLICADA NO
JORNAL VALOR, EM 26/06/2018 (POR JULIANA SCHINCARIOL - Do Rio)
A MATÉRIA
COMENTÁRIOS
O
que a Petrobras permitiu vazar para a matéria da imprensa tem mais clareza do
informado no PORTAL PETROBRAS. Como exemplo, retiramos deste primeiro bloco
acima as seguintes afirmações:
a)
Fala em migração voluntária dos participantes
(podemos entender de participantes e assistidos) do PPSP BD (Plano de Benefício
Definido) para um NOVO CD (Plano de Benefício Indefinido).
Nota: Chantagem “A principal vantagem é que
serão eliminados os descontos” – Ora, então porque a Petrobras criou um GT
Paritário, um Grupo de Trabalho formado por técnicos do patronal, da Petros e
dos trabalhadores/aposentados com objetivo de encontrar forma de equacionamento
viável para o PPSP?
b)
Com a migração, os participantes levaram uma
Reserva menor (parte do patrimônio coletivo) e não teriam um mais um benefício
vitalício; isso porque a Reserva migrada não suportaria o atual benefício
vitalício contratado e, com a “nova contratação”, um valor menor será definido
no primeiro mês e depois, pelo resto da vida, a renda mensal seria recalculada
em função daquilo que a Reserva inicial comportar pela valorização dos
investimentos correspondentes. Se ocorrer insubsistência patrimonial (déficit),
os benefícios serão reduzidos ou até o saldo poderá não comportar mais os
pagamentos subsequentes.
Nota: Neste caso, como a Patrocinadora “lavou
às mãos” pela decisão das participantes/assistidos de aceitarem a “migração”
para novo contrato, ela deixou de ter qualquer responsabilidade sobre a falta
do recurso, e caberá única e exclusivamente aos participantes/assistidos o aporte
de recursos.
Informa
que o participante/assistido pode levar sua Reserva e “virar-se” para manter-se
pelo resto de sua vida e dos seus dependentes. Esta é uma prova cabal do total abandono
do compromisso contratado que foi a garantia, através de um Plano mutualista de
responsabilidade administrativa da Petrobras, de uma aposentadoria digna quanto
o empregado se aposentar, permitindo à Empresa segurar a mão de obra
qualificada e renovar a força de trabalho com ingresso de novos talentos para
receber o conhecimento produtor do desenvolvimento tecnológico e ampliá-lo.
Nota:
Esse abandono dos compromissos contratados e a quebra total da confiança da
força de trabalho e do espírito de corpo do petroleiro está inserido no
maquiavélico planejamento de privatização da Companhia e na entrega das
reservas petrolíferas da Nação, tendo, como consequência natural, a perda da
soberania nacional.
Falam
em R$ 60 bilhões de ativos problemáticos como se não fossem eles, os da
Petrobras, os responsáveis pela Administração dos Ativos, o que foi agravado
por não terem dado atenção aos pareceres do Conselho Fiscal que, nos últimos 15
anos, não aprovou as Demonstrações Contábeis e a Gestão. Falam em déficits
futuros e não falam nas dívidas que têm com o PPSP que, se honradas, esses
déficits existiriam em volumes toleráveis.
Consta
na publicação a previsão de um aporte pela Petrobras para uma espécie de
“saldamento”, como se fosse um “cala boca” e, com isso, se retirar e não mais
contribuir para o Novo Plano, deixando de ter a responsabilidade pela administração
e a responsabilidade pela cobertura de futuras insubsistências patrimoniais.
Ora, se existe recurso para este chamado “saldamento”, porque não paga as dívidas
e “salvar” o PPSP?
Se
fala em contrato para pagar parcelado, certamente agora há o recurso para o tal
“saldamento. Todos nós já vimos este filme antes. Em 1984, implantou o cálculo
do benefício pela média corrigida e as posteriores revisões anuais pelos mesmos
percentuais de aumentos dos seus empregados e, em havendo déficits futuros, se
responsabilizou juntamente com as demais patrocinadoras (inciso IX do artigo
48) – e agora não quer cumprir com esta obrigação contratada. No acordo
homologado em 2008, nos autos da Ação Civil Pública que cobra dívidas das
patrocinadoras, combinou pagar somente 20 anos depois (2028), quando a
expectativa da massa credora era de 17 anos. Como, então, acreditar agora?
Nota: Proposta do patronal não pode ser
vantajosa para o trabalhador e nem para o aposentado e pensionista, nessa
altura dos acontecimentos e com as experiências enganosas do PPV, Repactuação e,
recentemente, da Cisão do PPSP. Ninguém
tem o direito de se enganar mais uma vez.
Falam
que um dos objetivos dessa oferta de migração para Novo Plano CD é evitar
descontos excessivos nas contribuições adicionais – logo, confessam que este
Plano de Equacionamento do Déficit (PED) do PPSP é abusivo e somente foi
implantado para servir de mecanismo de pressão, tipo “faca no peito”, para
empurrarem “goela abaixo” este Novo Plano CD inaceitável.
Nota: A existência de ações judiciais somente
ocorre porque as patrocinadoras não cumprem o contrato pagando o que devem à
Petros, sob o comando delas, e implantam um equacionamento inexequível e feito
propositadamente para servir de meio de pressão.
A
argumentação de que é melhor ter um benefício bruto menor e um benefício
líquido maior, do que o benefício bruto atual com desconto extra maior e um
líquido menor, é o óbvio. Isso, porém, se mantiver o PPSP perfeitamente viável,
com as responsabilidades das patrocinadoras, inclusive com as contribuições
paritárias delas até o final da existência do Plano. Nesta direção é que a FUP
e FNP desenvolveram suas propostas alternativas para eliminar o atual
equacionamento e viabilizar o PPSP.
Totalmente
equivocada, e até inexplicável, se realmente ocorreu, é a afirmação de que a
Petrobras já negociou o Plano com a SEST e com a PREVIC e agora só falta o TCU,
porque a Petrobras criou um Grupo de trabalho justamente para encontrar uma
forma viável para o PPSP e não, simplesmente,
como anuncia, proporcionar com o aval da categoria a migração
todos para um plano CD Puro (o pior dos Planos) e obrigar a todos a
retirar as ações em curso e não mais ir à Justiça contra a Petrobras e a
Petros.
Consta
da matéria que a Petrobras quer comprar os direitos dos
participantes/assistidos. Esses direitos
pertencem às famílias deles. São direitos adquiridos com muito sacrifício e são
invendáveis.
A participação de todos
nos Seminários e em mesas de debates que se realizarão é fundamental para a
categoria debater essa importantíssima questão.
Compareçam à ABI, no Rio de Janeiro, no dia
07, a próxima terça-feira, às 13 horas, e participem com suas sugestões
sustentáveis para substituição do equacionamento pela salvação do PPSP UNO.
A UNIÃO para enfrentarmos esta luta é
fundamental.
Paulo
Teixeira Brandão
Diretor da APAPE e da AEPET
Conselheiro Fiscal da Petros
www.apape.org.br





Nenhum comentário:
Postar um comentário