sábado, 20 de novembro de 2010

BPO é Bom Para Otário!

Um artigo de Ronaldo Tedesco*
A maioria dos participantes da PETROS não tinha ideia do que iria acontecer com seu plano de previdência complementar após a repactuação.
Assustados com um déficit da ordem de R$4,7 Bilhões, que não sabiam de onde veio, foram chantageados com um possível aumento de 68% de suas contribuições ao Plano.
O tal déficit era proveniente de dívidas da Petrobrás para com o Plano Petros que a direção da empresa não queria e não quer pagar.
A dívida foi cobrada pelos sindicatos petroleiros em ação civil pública. Entretanto, a mesma pessoa que entrou com a ação na justiça, cobrando a dívida virou Diretor de Seguridade da PETROS. Como Coordenador da FUP, Federação Única dos Petroleiros, o Sr. Maurício França Rubem cobrou a dívida na justiça. Como Diretor de Seguridade nunca encaminhou qualquer ofício, memorando ou carta cobrando a mesma dívida. Descumpriu a lei para agradar os acionistas da PETROBRÁS.
O déficit foi agravado pela troca da tábua de mortalidade do Plano PETROS do Sistema Petrobrás. Como Diretor de Seguridade, o mesmo ex-sindicalista poderia ter evitado que tal situação grave ocorresse, bastando para isso que estabelecesse um plano de mudança gradual da tábua, como foi feito em outras entidades de previdência complementar. Mas preferiu agravar a situação, colocando o medo a serviço das mudanças que a patrocinadora Petrobrás queria fazer no Plano PETROS.
Agora a mesma FUP condena os Sindicatos combativos e os conselheiros eleitos de indicar aos participantes da PETROS uma "aventura jurídica inconsequente". E que "aventura" seria esta? A entrada com ações judiciais para anular o ato de repactuação de 2007.
Tarde demais, companheiros!
Os participantes da PETROS começaram a perceber a que tipo de aventura inconsequente foram levados ao repactuar. A ficha caiu com a proposta ridícula do BPO, que os baianos estão chamando de BOM PARA OTÁRIO!
A aventura inconsequente foi abrir mão de um ato jurídico perfeito - o regulamento de benefícios do Plano PETROS do Sistema PETROBRÁS, em troca de um novo contrato, sem o chamado "Seguro Salário" (vinculação com o salário da ativa e complementar ao benefício INSS). A aventura inconsequente tem sido seguir os indicativos jurídicos e políticos da outrora combativa FUP e de seus sindicatos satélites.
Lamentamos mais esta falsa argumentação da direção da FUP. Se os petroleiros estiverem unidos de norte a sul do país, com sua força e união podem derrotar ainda, e de maneira definitiva, os ataques sistemáticos da direção da PETROBRÁS ao seu fundo de pensão, garantindo direitos consagrados e fortalecendo ainda mais suas conquistas.
Mas com este tipo de atitude, fechando os olhos aos interesses dos trabalhadores e se posicionando sempre ao lado dos patrões e do governo, só vamos amargar derrotas.
O Benefício Proporcional Opcional foi apenas uma isca para a repactuação.
Como dizem os baianos em sua sabedoria: BPO é BOM PARA OTÁRIO!
* Ronaldo Tedesco é Conselheiro Deliberativo Eleito da PETROS e diretor da AEPET

Um comentário:

  1. É de se lamentar o que ocorreu com a Petros, seus assistidos e mantenedores por pura responsabilidade dos traidores diretores da Fup/CUT e dos diretores dos Sindipetros a essa Federação ligados. Hoje, olho para o passado e sinto-me traído pelo que fomos e o que representamos agora. Refiro-me à CUT! Fui fundador desta Central Sindical em 1983, naquela época ela era combativa era uma Central Sindical revolucionária o que a diferenciava da outra segunda Central que estava por nascer logo depois e que ficou conhecida como CGT. Esta comandada pelos sindicalistas mais a direita. Esta segunda Central assumia uma condição reformista e não revolucionária como a CUT se propunha ser. Porém se propunha! Naquela época! E foi muito difícil convencer os nossos sindicalizados aqui em São José dos Campos a aceitarem nossa filiação à CUT, pois ela era muito combativa e para muitos, “muito radical!” Neste ano, de 1983 eu era Secretário Geral do Sindipetro São José dos Campos, estávamos no primeiro mandato deste novo Sindicato que havia surgido no final do ano anterior! Mas conseguimos filiar nosso recen criado Sindicato à CUT. E fomos o primeiro Sindipetro filiado à CUT! Se bem que os Campineiros falam pelos cotovelos que o sindicato deles filiou-se à CUT antes do nosso. Mas é mentira da pelegada safada que ocupa aquele sindicato há muitos anos, pois quando filiamos nosso Sindipetro à CUT em 1983, o Sindipetro de Campinas estava sobre intervenção federal. Haviam sido cassados pelo governo militar por causa de uma greve que tentamos fazer na Petrobrás, porém não conseguimos êxito, pois apenas três Sindicatos foram para a greve, um deles o de São José dos Campos. Todavia, a nossa base saiu para a greve dividida e não conseguimos levá-la adiante. Fomos obrigados a recuar, e fomos crucificados pelos companheiros de Campinas por esse motivo! Na época fomos também taxados pelos campineiros de “pelegos”, pois deixamos os nossos companheiros de Campinas e da Bahia na greve sozinhos. Entretanto, naquela época havia se não me falha a memória treze sindicatos petroleiros espalhados pelo Brasil e o que acho mais interessante ainda é que nosso Sindicato, era o mais novo do movimento sindical petroleiro. Nossa primeira diretoria havia tomado posse em primeiro de abril daquele ano e já no mês de julho fomos tentar a greve nacional de petroleiros. Vejam como fomos injustiçados! E foi nessa condição que recebemos um convite da diretoria do Sindipetro de Campinas para irmos explicar lá em sua séde, o que houve com a greve aqui em São José dos Campos. Eles nos convidaram de maldade, pois acreditavam que não seríamos capazes de irmos para o seu Sindicato, encarar os demitidos pela greve, que eram muitos. Porém estavam eles muito enganados! E lá fomos nós prestar esclarecimentos assim como solidariedade aos demitidos! Fomos de cabeça erguida pois estávamos cônscios do dever cumprido. Fomos eu e o companheiro Joel da Paz e Silva que era na época o tesoureiro do Sindipetro São José dos Campos! Porém, voltemos à CUT! Quando fundamos a CUT, existiam tendências dentro da própria, que eram extremamente combativas, como exemplo eu posso citar a conhecidíssima e respeitadíssima Convergência Socialista “C.S.” Hoje um partido político, o valoroso e único partido de esquerda que sobrou neste país, o “PSTU”. A Convergência Socialista foi expulsa da CUT pela pelegada da Articulação Sindical a tendência majoritária surgida no PT sob o comando do Lula e que se espalhou rapidamente pela CUT também através do Jair Meneguelli, Vicentinho e outros mais. Porém, além desta tendência, “C.S.” haviam outras tão combativas quanto a “C.S.” ligadas à Cut naquela época que aos poucos foram se afastando da Central por perceberem que os rumos que ela estava tomando era um rumo perigoso que poderia levar à traição das categorias a ela ligadas. E foi exatamente o que aconteceu! Hoje, a CUT não passa de uma Central traidora da Classe trabalhadora e a serviço do capital transnacional, assim como o PT! A pelegada hoje além de ser neoliberal é também multinacional!

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